Escritas

o louco

edimo


o louco


aquele homem andava a esmo
tal qual defunto sem cova
procurando por ele mesmo
procurando uma boa nova

tinha um andar titubeante
dos que vivem n’outra esfera
e no seu pensar destoante
já nem sabia quem era

por isso às vezes sorria
mas quase sempre chorava
pois pensava que sabia
mas quase nunca pensava

de tanto vagar pela vida
sentiu que a vida vagava
todo dia era partida
mas nada nunca chegava


tão louco, que às vezes morria
e mais louco ainda, ressuscitava