Lista de Poemas
ALGO
É algo que me anestesia e sinto
Igual à dor sem causa, efeito e nome.
E, para que de mim também me tome,
É reles, impalpável e indistinto.
É nunca me perder no labirinto
No qual eu acho o que me consome.
E empanturrado duma sede e fome
É não estar sedento nem faminto.
Crepúsculo não foi, nem noite e dia.
É coisa que não é bem quente e fria
Porém, tampouco pode ser tão morna.
Quanto mais com a morte é confundida,
Tanto mais se parece com a vida,
Procura sê-la mas jamais se torna.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 18/12/2022)
Igual à dor sem causa, efeito e nome.
E, para que de mim também me tome,
É reles, impalpável e indistinto.
É nunca me perder no labirinto
No qual eu acho o que me consome.
E empanturrado duma sede e fome
É não estar sedento nem faminto.
Crepúsculo não foi, nem noite e dia.
É coisa que não é bem quente e fria
Porém, tampouco pode ser tão morna.
Quanto mais com a morte é confundida,
Tanto mais se parece com a vida,
Procura sê-la mas jamais se torna.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 18/12/2022)
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309 - OMELETE
Qui tá fazenaí? Vem já pra cá!
Num seio mais vivê sem tu, muié!
Nóis véve junto e véve bem até.
Cum menas dô e menas dó nóis tá!
Qui tô fazenaqui? Nóis tem que amá.
Pra mó de sê filiz nóis inda qué
O amô mais grande da cabeça aos pé,
Ingual vovô e ingual vovó gagá.
E vô te amá té cê ficá bem véia:
Bunita cê num sai mais das idéia
E cum meus zóio vô te vê de novo.
É crara as coisa, num tem probrêma:
Mêmo que nóis trupique, chore e gema
Cum meus zuvido só é tu queu ovo.
(Autor: EDEN OLIVEIRA. Escrito para a minha
esposa Ingrid da Rosa Oliveira em 14/11/2021)
Num seio mais vivê sem tu, muié!
Nóis véve junto e véve bem até.
Cum menas dô e menas dó nóis tá!
Qui tô fazenaqui? Nóis tem que amá.
Pra mó de sê filiz nóis inda qué
O amô mais grande da cabeça aos pé,
Ingual vovô e ingual vovó gagá.
E vô te amá té cê ficá bem véia:
Bunita cê num sai mais das idéia
E cum meus zóio vô te vê de novo.
É crara as coisa, num tem probrêma:
Mêmo que nóis trupique, chore e gema
Cum meus zuvido só é tu queu ovo.
(Autor: EDEN OLIVEIRA. Escrito para a minha
esposa Ingrid da Rosa Oliveira em 14/11/2021)
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308 - HÁ COISAS EM MIM
Há coisas em mim que a vida aprovou:
Pavor do revés que não diminui,
Os calos nos pés, a roupa que pui,
O chão de que vim e a vala a que vou.
Há coisas em mim que o tempo mostrou
Dizendo: "Quem és?" àquele que fui:
Seis rugas ou dez no rosto que rui
E os restos enfim naquele que sou.
Há coisas em mim que, vindas de lá,
Parecem após a noite tão má
E o dia ruim que nunca se vão.
Tais coisas em mim meu Deus Jeová,
De modo veloz, não mais deixará
Que subam assim ao meu coração!
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito
em 13/11/2021, inspirado em Isaías 65:17)
Pavor do revés que não diminui,
Os calos nos pés, a roupa que pui,
O chão de que vim e a vala a que vou.
Há coisas em mim que o tempo mostrou
Dizendo: "Quem és?" àquele que fui:
Seis rugas ou dez no rosto que rui
E os restos enfim naquele que sou.
Há coisas em mim que, vindas de lá,
Parecem após a noite tão má
E o dia ruim que nunca se vão.
Tais coisas em mim meu Deus Jeová,
De modo veloz, não mais deixará
Que subam assim ao meu coração!
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito
em 13/11/2021, inspirado em Isaías 65:17)
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OS OPRESSORES
É como se não fôsseis meros fósseis
E ainda sois ferozes animais.
E, embora sempre pareceis tão dóceis,
Nos pensamentos já nos devorais.
Os outros vão aonde quer que vades:
Jamais duvidarão do que dizeis,
Farão pra sempre vossas vãs vontades,
Porque vos comportastes como reis.
Ó, retirai as máscaras e exponde
As vossas faces quando vos sentis
Mais nobres que qualquer marquês e conde.
Não escondeis sorrisos vãos e vis!
Por fim, fazei-vos cócegas e ride
Do mísero que como vós não é!
Pois um de vós ainda nos agride
Enquanto apenas o aplaudis de pé.
Dai-nos ouvidos! Por favor, dizei-nos
Quais são os tronos em que vos sentais,
Onde estabelecestes vossos reinos,
Quem são os vossos súditos leais.
Enquanto não sabíamos quem éreis,
Sem dúvida, gostávamos de vós.
Nas vossas línguas, terras tão estéreis,
Por nós plantastes um desprezo atroz.
Sim, se possível, evitamos ver-vos
Porque também com um decreto só
Podeis esmigalhar-nos mais os nervos
E transformar espíritos em pó!
Não tendes mais de parecer afáveis
Porque nós já sabemos bem quem sois.
E como gente nunca nos tratáveis
Enquanto nos sentimos como bois.
Porém, se apenas uma vez vos vísseis
Como o Juiz supremo já vos vê,
Culpa atingir-vos-ia como mísseis
E entenderíeis muito bem porque!
Arrependei-vos, opressores! Vede
Que o mal que nos fizestes vos reduz
A cada grossa e sólida parede
Que impede cada som, perfume e luz!
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 09/08/2021. Inspirado em Salmo 119:121)
E ainda sois ferozes animais.
E, embora sempre pareceis tão dóceis,
Nos pensamentos já nos devorais.
Os outros vão aonde quer que vades:
Jamais duvidarão do que dizeis,
Farão pra sempre vossas vãs vontades,
Porque vos comportastes como reis.
Ó, retirai as máscaras e exponde
As vossas faces quando vos sentis
Mais nobres que qualquer marquês e conde.
Não escondeis sorrisos vãos e vis!
Por fim, fazei-vos cócegas e ride
Do mísero que como vós não é!
Pois um de vós ainda nos agride
Enquanto apenas o aplaudis de pé.
Dai-nos ouvidos! Por favor, dizei-nos
Quais são os tronos em que vos sentais,
Onde estabelecestes vossos reinos,
Quem são os vossos súditos leais.
Enquanto não sabíamos quem éreis,
Sem dúvida, gostávamos de vós.
Nas vossas línguas, terras tão estéreis,
Por nós plantastes um desprezo atroz.
Sim, se possível, evitamos ver-vos
Porque também com um decreto só
Podeis esmigalhar-nos mais os nervos
E transformar espíritos em pó!
Não tendes mais de parecer afáveis
Porque nós já sabemos bem quem sois.
E como gente nunca nos tratáveis
Enquanto nos sentimos como bois.
Porém, se apenas uma vez vos vísseis
Como o Juiz supremo já vos vê,
Culpa atingir-vos-ia como mísseis
E entenderíeis muito bem porque!
Arrependei-vos, opressores! Vede
Que o mal que nos fizestes vos reduz
A cada grossa e sólida parede
Que impede cada som, perfume e luz!
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 09/08/2021. Inspirado em Salmo 119:121)
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307 - PARTÍCULA
De cima do que só se arrasa e rui,
Numa camada deste pó que sai
De cada pedra solta quando cai,
Partícula invisível sou e fui.
Não era o que na lama se dilui,
Se adere às superfícies e se extrai
De atritos e a mercê das ondas vai
E vem porque jamais se distribui.
Ao sol o vento já me faz transpor
Fronteira ao longe enquanto livre for,
Sabendo dos escombros de onde vim.
Talvez eu me tornasse enfim maior
Se me apegasse a tudo ao meu redor
Ou tudo se prendesse então a mim.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 16/11/2020)
Numa camada deste pó que sai
De cada pedra solta quando cai,
Partícula invisível sou e fui.
Não era o que na lama se dilui,
Se adere às superfícies e se extrai
De atritos e a mercê das ondas vai
E vem porque jamais se distribui.
Ao sol o vento já me faz transpor
Fronteira ao longe enquanto livre for,
Sabendo dos escombros de onde vim.
Talvez eu me tornasse enfim maior
Se me apegasse a tudo ao meu redor
Ou tudo se prendesse então a mim.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 16/11/2020)
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306 - O BARCO
Que nas tormentas eu me torne o barco
Que singra o mar de lágrimas e leve
Ao porto a carga que pesada deve
Pôr a perder o suprimento parco.
Quando com sangue e com suor encharco
Os meus porões e lá ninguém se atreve
A ver da vida a travessia breve,
O sol da fé descreve bem seu arco.
Meu ser naufraga numa vaga e logo
Os sonhos passageiros que eu afogo
Serão pra sempre em frustrações imersos.
Eu nestas fossas abissais afundo.
Ó, quem me dera houvesse neste mundo
Alguém que ao menos me salvasse os versos!
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 08/11/2020)
Que singra o mar de lágrimas e leve
Ao porto a carga que pesada deve
Pôr a perder o suprimento parco.
Quando com sangue e com suor encharco
Os meus porões e lá ninguém se atreve
A ver da vida a travessia breve,
O sol da fé descreve bem seu arco.
Meu ser naufraga numa vaga e logo
Os sonhos passageiros que eu afogo
Serão pra sempre em frustrações imersos.
Eu nestas fossas abissais afundo.
Ó, quem me dera houvesse neste mundo
Alguém que ao menos me salvasse os versos!
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito em 08/11/2020)
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305 - Ó SENHOR, MEU PASTOR
Senhor, eu dediquei-me a ti. Também
Cem cânticos bonitos te entoei.
Forcei meu coração na boa lei.
Já pulo de alegria: a vida vem!
O cão que treme de ódio e de desdém
Uiva e lança-se ao meu pescoço, eu sei.
Das línguas ásperas, ó Deus, meu rei,
Cura a pele e contente vou além.
Pastor, por ti espero sim com fé.
Ó, dá-me a mão e põe-me enfim de pé
Para que com fraqueza não me vençam.
Mantém-me, no rebanho, Jeová,
Guarda-me envolto na esperança lá
Concede-me o favor no chão da bênção.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA)
Cem cânticos bonitos te entoei.
Forcei meu coração na boa lei.
Já pulo de alegria: a vida vem!
O cão que treme de ódio e de desdém
Uiva e lança-se ao meu pescoço, eu sei.
Das línguas ásperas, ó Deus, meu rei,
Cura a pele e contente vou além.
Pastor, por ti espero sim com fé.
Ó, dá-me a mão e põe-me enfim de pé
Para que com fraqueza não me vençam.
Mantém-me, no rebanho, Jeová,
Guarda-me envolto na esperança lá
Concede-me o favor no chão da bênção.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA)
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304 - A CAÇADORA, EU E A FERA
Eu cambaleio sim com estas pernas.
Há setas traspassando cada coxa.
Embora a pele esteja inchada e roxa,
Minhas piores chagas são internas.
Oculto nestas covas onde hibernas
Chorei de dor: ferida desabrocha,
No corte meu lateja como a tocha
E deve despertar-te nas cavernas.
E nestas sendas que com sangue encharco
A vida ainda tem nas mãos um arco,
E vem ao meu encalço mais severa.
Mas tu, Tristeza, não me dás abrigo
Porque me atacas quando estou contigo:
Devoras quem serei, quem sou, quem era.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 05/11/2020)
Há setas traspassando cada coxa.
Embora a pele esteja inchada e roxa,
Minhas piores chagas são internas.
Oculto nestas covas onde hibernas
Chorei de dor: ferida desabrocha,
No corte meu lateja como a tocha
E deve despertar-te nas cavernas.
E nestas sendas que com sangue encharco
A vida ainda tem nas mãos um arco,
E vem ao meu encalço mais severa.
Mas tu, Tristeza, não me dás abrigo
Porque me atacas quando estou contigo:
Devoras quem serei, quem sou, quem era.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 05/11/2020)
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302 - DIA QUENTE
Há anos já vivemos nestas casas
Que se assemelham aos antigos fornos.
Se tão somente fossem lares mornos
Ou se no piso houvesse poças rasas.
Como se nos deitássemos em brasas
Das chamas há nas camas os contornos:
Mais cedo ao sol a aurora veio expor-nos.
Ó, noite fresca, mas por que te atrasas?
Mormaço penetrou a carne e os ossos:
Com pingos grossos, nos telhados nossos,
A chuva de verão mais alto rufa.
Ó, dia quente, ainda nos destróis
Expondo-nos aos teus severos sóis,
Fazendo desta vida grande estufa.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 01/11/2020)
Que se assemelham aos antigos fornos.
Se tão somente fossem lares mornos
Ou se no piso houvesse poças rasas.
Como se nos deitássemos em brasas
Das chamas há nas camas os contornos:
Mais cedo ao sol a aurora veio expor-nos.
Ó, noite fresca, mas por que te atrasas?
Mormaço penetrou a carne e os ossos:
Com pingos grossos, nos telhados nossos,
A chuva de verão mais alto rufa.
Ó, dia quente, ainda nos destróis
Expondo-nos aos teus severos sóis,
Fazendo desta vida grande estufa.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 01/11/2020)
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303 - A FORMA MAIS BONITA DE POEMA
É forma mais bonita de poema
A que já não se assenta por escrito;
A que jamais escuto nem recito;
A que não vem com emoção extrema;
A que não tem estrofe, verso e tema;
A que não narra a bênção do infinito;
A que não fala sobre o mal que evito;
A que não se liberta nem se algema.
Mais belas formas são de poesia
As coisas tão banais de cada dia
Expressas com palavras tão pequenas:
São as que te direi se formos sábios:
Mas só com três sussurros destes lábios
Ou mesmo então com um olhar apenas.
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito para a minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira em 02/11/2020)
A que já não se assenta por escrito;
A que jamais escuto nem recito;
A que não vem com emoção extrema;
A que não tem estrofe, verso e tema;
A que não narra a bênção do infinito;
A que não fala sobre o mal que evito;
A que não se liberta nem se algema.
Mais belas formas são de poesia
As coisas tão banais de cada dia
Expressas com palavras tão pequenas:
São as que te direi se formos sábios:
Mas só com três sussurros destes lábios
Ou mesmo então com um olhar apenas.
(Autor: Eden Santos Oliveira. Escrito para a minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira em 02/11/2020)
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