302 - DIA QUENTE

Há anos já vivemos nestas casas
Que se assemelham aos antigos fornos.
Se tão somente fossem lares mornos
Ou se no piso houvesse poças rasas.

Como se nos deitássemos em brasas
Das chamas há nas camas os contornos:
Mais cedo ao sol a aurora veio expor-nos.
Ó, noite fresca, mas por que te atrasas?

Mormaço penetrou a carne e os ossos:
Com pingos grossos, nos telhados nossos,
A chuva de verão mais alto rufa.

Ó, dia quente, ainda nos destróis
Expondo-nos aos teus severos sóis,
Fazendo desta vida grande estufa.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 01/11/2020)
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