Escritas

Lista de Poemas

REQUIEM



O silêncio consome o véu calado
em sintonia sublime ao Universo,
lânguido êxtase fúnebre de um verso
cravado em sol e a Deus santificado.

Sangrando o pranto em notas torturado,
transtorna a viúva de um converso;
extraindo a dor ferina do anverso,
na encovada mãe do réu inchado.

Almas celestes clamam à agonia
de um terno ardor em sinfonia
in excelsis agudos de lamento.

O troar é condenável heresia,
merecida é a voz da afasia
neste eternizar do sofrimento.

Soneto de Della Coelho
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PRESENÇA ANTIGA

Senhor, como longe de ti viver,
se tudo em mim teu renascer respira?
Tua já presença ao meu redor não vira,
pois perdida estava eu a arrefecer.

E agora estaco à estrada sem saber
se às tortuosas rochas aluíra,
se a esta amarga solidão anuíra,
ele, que me imbuia sem eu perceber.

Desfaleço nesta sina feroz!
Preciso ouvir de novo aquela Voz!
Antes que a minha terna face encrueça.

Liberte-me agora, Albatroz!
Leve-me rápido às mãos de meu Algoz!
Antes que nesta cova eu enrijeça.


Soneto de Della Coelho


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ESTE LIVRO

À minha amada Florbela

Lembranças de tantas mágoas é o que restaram,
queria que um livro assim pudesse eu ter feito,
faltou a Arte das Flores que emprestaram
a beleza calma às dores de meu peito.

Não como a incompreendida que os olhos choraram,
encontrou-me nesta vida o ser perfeito,
porém a fada as incertezas levaram...
calando a esperança em um frígido leito.

...saudade...sofrimento... Dor - elemento
que compõe o martírio da infeliz caminhada.
Quisera eu poder acabar este tormento

diluindo o D' samor no esquecimento
ou sendo do céu pelos Anjos agraciada
com um túmulo mortal d' um sepultamento.

Soneto de Della Coelho

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BELA FLOR



Sou já passado, sou descrente.
Sou a pobre do olhar envidraçado.
Sou o espontâneo falar amordaçado.
Sou a aclamada de indecente.

Vive a magoar-me toda a gente
fluindo o meu destino desgraçado
laçando-me fiel ao cruel fado
da Bela que viveu amargamente.

E eu que tanto ria em tenras horas...
E eu que deleitava em más desoras...
Sou a que a vida passa com desdém.

Ansiando as alegrias das senhoras...
Delirando c` o orvalho nas auroras...
Acordo do meu sonho e sou ninguém.

Poema de Della Coelho
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