Escritas

PRESENÇA ANTIGA

dellacoelho
Senhor, como longe de ti viver,
se tudo em mim teu renascer respira?
Tua já presença ao meu redor não vira,
pois perdida estava eu a arrefecer.

E agora estaco à estrada sem saber
se às tortuosas rochas aluíra,
se a esta amarga solidão anuíra,
ele, que me imbuia sem eu perceber.

Desfaleço nesta sina feroz!
Preciso ouvir de novo aquela Voz!
Antes que a minha terna face encrueça.

Liberte-me agora, Albatroz!
Leve-me rápido às mãos de meu Algoz!
Antes que nesta cova eu enrijeça.


Soneto de Della Coelho


294 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.