Lista de Poemas
TEMPOS VERBAiS
Quisera deixar no passado
o que a ele pertence
mas, o tempo de outrora
está sempre presente.
Está sempre presente
em forma de saudade
das pessoas que partiram,
da infância e mocidade.
Quisera viver o presente
esta fera a minha frente
com seus grandes olhos
e seus poderosos dentes.
Seus poderosos dentes
afiados e absolutos
que mastigam os dias
e trituram os minutos.
Quisera ter um futuro
esta coisa abstrata
este tempo sem data
sem lembrança, sem nada.
II
Ora, futuro e passado
cabem na mesma frase,
mas, não nos mesmos planos
pois, entre eles existe
o abismo dos anos.
👁️ 22
MILAGRE NO ASFALTO
Milagre!
Uma pequena flor
em seu derradeiro ato
nasceu sobre o asfalto.
Mal sabe ela
com sua beleza
que os transeuntes agradecem
pela gentileza.
👁️ 24
MORRER DE FRENTE PRO MAR
Ah! Se eu pudesse escolher
escolheria morrer...
morrer de frente pro mar.
Esta lágrima de Deus
sobre a qual eu deixaria
a minha alma navegar.
👁️ 20
SANTO DE CASA
Santo de casa
não faz milagres.
Todavia, se os faz
todos fingem não ver.
— Onde já se viu
este santo de casa
está querendo aparecer.
não faz milagres.
Todavia, se os faz
todos fingem não ver.
— Onde já se viu
este santo de casa
está querendo aparecer.
👁️ 37
ESTRANHO ÍMPAR
Sim! Tu és um estranho ímpar
e nada neste mundo poderá mudar esta situação!
Nem mesmo as pessoas mais amadas
e suas doses maciças de carinho.
Nem mesmo mil mãos estendidas
direcionando-te por inúmeros caminhos.
Tu és um estranho ímpar, és só!
Tão só como uma ilha
encravada no centro da cidade.
Só como uma cidade
à deriva no meio de um oceano.
Sim! Tu és um estranho ímpar!
Teu idioma ninguém mais conhece,
mas é a única linguagem que tens
e é com ele que embrulhas este grito
que dia a dia se agiganta em teu peito.
Tu és um grande vazio.
Uma incógnita para si mesmo.
Um estranho ímpar!
Uma bomba em contínua contagem regressiva
e que pode explodir a qualquer momento!
Sim! Tu és um estranho ímpar!
Contudo, aqueles te amam,
moveriam montanhas
para te aliviar deste peso!
Publicado no livro "SE ESTA RUA FOSSE MINHA"
e nada neste mundo poderá mudar esta situação!
Nem mesmo as pessoas mais amadas
e suas doses maciças de carinho.
Nem mesmo mil mãos estendidas
direcionando-te por inúmeros caminhos.
Tu és um estranho ímpar, és só!
Tão só como uma ilha
encravada no centro da cidade.
Só como uma cidade
à deriva no meio de um oceano.
Sim! Tu és um estranho ímpar!
Teu idioma ninguém mais conhece,
mas é a única linguagem que tens
e é com ele que embrulhas este grito
que dia a dia se agiganta em teu peito.
Tu és um grande vazio.
Uma incógnita para si mesmo.
Um estranho ímpar!
Uma bomba em contínua contagem regressiva
e que pode explodir a qualquer momento!
Sim! Tu és um estranho ímpar!
Contudo, aqueles te amam,
moveriam montanhas
para te aliviar deste peso!
Publicado no livro "SE ESTA RUA FOSSE MINHA"
👁️ 29
VIOLÃO
Violão calado,
jogado de lado
dentro do galpão.
O seu companheiro
grande violeiro
mudou de rincão.
Foi talvez tocar
em outro lugar
pela eternidade.
E tu violão
perdeste um "irmão"
e sentes saudade.
Soturno instrumento
este teu tormento
será abrandado,
mas nunca esquecido,
pois, um grande amigo
é um bem sagrado.
Violão campeiro
outro guitarreiro
vai surgir um dia
para te abraçar
e te dedilhar,
fazer parceria.
E uma canção
surgirá então
desta empatia
e fará do luto
um belo tributo,
uma melodia.
Publicado no livro "TCHÊ".
jogado de lado
dentro do galpão.
O seu companheiro
grande violeiro
mudou de rincão.
Foi talvez tocar
em outro lugar
pela eternidade.
E tu violão
perdeste um "irmão"
e sentes saudade.
Soturno instrumento
este teu tormento
será abrandado,
mas nunca esquecido,
pois, um grande amigo
é um bem sagrado.
Violão campeiro
outro guitarreiro
vai surgir um dia
para te abraçar
e te dedilhar,
fazer parceria.
E uma canção
surgirá então
desta empatia
e fará do luto
um belo tributo,
uma melodia.
Publicado no livro "TCHÊ".
👁️ 25
O CORTEJO
Hoje na hora do almoço
passei por um cortejo fúnebre
que poderia ser o meu
ou de alguém do meu clã...
pois estar vivo
neste momento
não garante
meu amanhã.
Porquanto, neste instante
uma trama pode estar
ocorrendo em silêncio
no interior deste meu
corpo humano!
Ou, uma fatalidade externa
pode estar se formando
e estará a minha espera
para concretizar o seu plano!
E agora,
enquanto a família
e os amigos
choram e observam
o túmulo sendo preenchido
pelo morto em seu caixão.
Estou aqui
almoçando
com um aflitivo
dilema: será esta
a minha última refeição?
passei por um cortejo fúnebre
que poderia ser o meu
ou de alguém do meu clã...
pois estar vivo
neste momento
não garante
meu amanhã.
Porquanto, neste instante
uma trama pode estar
ocorrendo em silêncio
no interior deste meu
corpo humano!
Ou, uma fatalidade externa
pode estar se formando
e estará a minha espera
para concretizar o seu plano!
E agora,
enquanto a família
e os amigos
choram e observam
o túmulo sendo preenchido
pelo morto em seu caixão.
Estou aqui
almoçando
com um aflitivo
dilema: será esta
a minha última refeição?
👁️ 38
PELAS ONDAS DESTE CAMPO
Pelas ondas deste campo
navego com meu cavalo.
Procuro um ancoradouro
seguro para atracá-lo.
Deixá-lo solto pastando
e nunca mais navegar
para largar esta vida
de velho lobo do mar.
navego com meu cavalo.
Procuro um ancoradouro
seguro para atracá-lo.
Deixá-lo solto pastando
e nunca mais navegar
para largar esta vida
de velho lobo do mar.
👁️ 22
O ÚLTIMO TREM
Vejo os trilhos abandonados
sobre os quais,
entre britas cansadas,
o capim cresce
sem ser incomodado.
Vejo-os perdendo-se
ao longo da paisagem
para unir com seus braços
de ferro, pregos e madeirames
estações e populações
implacavelmente distantes.
Ah, estes trilhos tristonhos
nem sequer desconfiam
de seus serviços prestados;
quantas viagens,
quanta lenha e óleo queimados,
quantas cargas transportadas,
quantos passageiros
levando consigo
lágrimas de partidas
e planos de chegadas.
Quanto atrito produzido
entre rodas e trilhos,
quantos apitos aflitos
anunciaram sua aproximação.
Quantos olhares estendidos
até aonde a vista alcançava
a espera do próximo trem,
entre tantos e tantos,
que de forma rotineira
surgiam no horizonte
até o dia fatídico,
melancólico e simbólico
da despedida do último trem.
II
Vejo esta tapera agonizante
que luta para se manter de pé
e nem de longe lembra
o seu passado
quando, orgulhosa,
ostentava uma tabuleta
com a informação: Estação...
Hoje, não há mais burburinhos,
não há mais frenesi
não há mais pessoas
vendendo e comprando.
Não há mais conversas entusiasmadas
nem cochichos e dedos, disfarçadamente, apontados.
Não há mais desfiles com a última moda de Paris,
nem pessoas humildes
com as suas "domingueiras"
guardadas para grandes ocasiões.
Não há mais mendigos
e nem crianças chorando.
Não há mais cães perdidos e famintos
vagando entre as pessoas.
Não há mais vagabundos sem rumo
e nem destinos em cada vagão.
Não há mais funcionários, bilhetes
e um chefe em cada estação.
Não há mais malas,
bolsas,
caixas e
bagagens de mão.
Há apenas uma grande saudade
embrulhada para a viagem
a espera de alguém
que em seu íntimo
ainda revive
a partida do
último trem.
sobre os quais,
entre britas cansadas,
o capim cresce
sem ser incomodado.
Vejo-os perdendo-se
ao longo da paisagem
para unir com seus braços
de ferro, pregos e madeirames
estações e populações
implacavelmente distantes.
Ah, estes trilhos tristonhos
nem sequer desconfiam
de seus serviços prestados;
quantas viagens,
quanta lenha e óleo queimados,
quantas cargas transportadas,
quantos passageiros
levando consigo
lágrimas de partidas
e planos de chegadas.
Quanto atrito produzido
entre rodas e trilhos,
quantos apitos aflitos
anunciaram sua aproximação.
Quantos olhares estendidos
até aonde a vista alcançava
a espera do próximo trem,
entre tantos e tantos,
que de forma rotineira
surgiam no horizonte
até o dia fatídico,
melancólico e simbólico
da despedida do último trem.
II
Vejo esta tapera agonizante
que luta para se manter de pé
e nem de longe lembra
o seu passado
quando, orgulhosa,
ostentava uma tabuleta
com a informação: Estação...
Hoje, não há mais burburinhos,
não há mais frenesi
não há mais pessoas
vendendo e comprando.
Não há mais conversas entusiasmadas
nem cochichos e dedos, disfarçadamente, apontados.
Não há mais desfiles com a última moda de Paris,
nem pessoas humildes
com as suas "domingueiras"
guardadas para grandes ocasiões.
Não há mais mendigos
e nem crianças chorando.
Não há mais cães perdidos e famintos
vagando entre as pessoas.
Não há mais vagabundos sem rumo
e nem destinos em cada vagão.
Não há mais funcionários, bilhetes
e um chefe em cada estação.
Não há mais malas,
bolsas,
caixas e
bagagens de mão.
Há apenas uma grande saudade
embrulhada para a viagem
a espera de alguém
que em seu íntimo
ainda revive
a partida do
último trem.
👁️ 30
AMARGO
Meu pai ao amanhecer
abancava-se solito
com o chimarrão bendito
e seu rádio companheiro.
Mateava sem parceiro,
pois, eu, como um filho ingrato
não via naquele fato
um tesouro passageiro.
Aquela cena diária
com a figura paterna
que eu julgava ser eterna
é página descartada.
Uma chance desgarrada
e perdida no passado.
Algo para ser lembrado
coa consciência pesada.
Pai, seu banquinho de cepa,
parceiro sempre ao lado,
jaz num canto abandonado.
E seu rádio companheiro
emudeceu por inteiro
no silêncio do galpão.
Cenário de tradição
do extremo sul brasileiro.
Hoje, porém, me arrependo
de não ter valorizado
este ritual sagrado
de tomar o chimarrão.
Por isso peço perdão
ao meu pai falecido
por nunca ter preenchido
sua triste solidão.
Poema publicado no livro "TCHÊ"
abancava-se solito
com o chimarrão bendito
e seu rádio companheiro.
Mateava sem parceiro,
pois, eu, como um filho ingrato
não via naquele fato
um tesouro passageiro.
Aquela cena diária
com a figura paterna
que eu julgava ser eterna
é página descartada.
Uma chance desgarrada
e perdida no passado.
Algo para ser lembrado
coa consciência pesada.
Pai, seu banquinho de cepa,
parceiro sempre ao lado,
jaz num canto abandonado.
E seu rádio companheiro
emudeceu por inteiro
no silêncio do galpão.
Cenário de tradição
do extremo sul brasileiro.
Hoje, porém, me arrependo
de não ter valorizado
este ritual sagrado
de tomar o chimarrão.
Por isso peço perdão
ao meu pai falecido
por nunca ter preenchido
sua triste solidão.
Poema publicado no livro "TCHÊ"
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