Lista de Poemas
TEMPOS VERBAiS
Quisera deixar no passado
o que a ele pertence
mas, o tempo de outrora
está sempre presente.
Está sempre presente
em forma de saudade
das pessoas que partiram,
da infância e mocidade.
Quisera viver o presente
esta fera a minha frente
com seus grandes olhos
e seus poderosos dentes.
Seus poderosos dentes
afiados e absolutos
que mastigam os dias
e trituram os minutos.
Quisera ter um futuro
esta coisa abstrata
este tempo sem data
sem lembrança, sem nada.
II
Ora, futuro e passado
cabem na mesma frase,
mas, não nos mesmos planos
pois, entre eles existe
o abismo dos anos.
👁️ 23
MILAGRE NO ASFALTO
Milagre!
Uma pequena flor
em seu derradeiro ato
nasceu sobre o asfalto.
Mal sabe ela
com sua beleza
que os transeuntes agradecem
pela gentileza.
👁️ 25
MORRER DE FRENTE PRO MAR
Ah! Se eu pudesse escolher
escolheria morrer...
morrer de frente pro mar.
Esta lágrima de Deus
sobre a qual eu deixaria
a minha alma navegar.
👁️ 21
ESTES ANOS ACELERADOS
Estes anos que passaram
assim tão rapidamente,
afoitos atropelaram
a vida de tanta gente.
Minha vida, por exemplo,
mais sonhada que vivida
à espera de um momento,
de um ponto de partida.
Mas o tempo não espera,
não se enquadra em nossos planos
ele vai girando a esfera
na qual vão passando os anos.
E assim diariamente
neste ritmo acelerado
mal vivemos o presente
e ele já cheira a passado.
👁️ 34
INSONE
Em meio à madrugada
acordo acompanhado.
Problemas do cotidiano
agitam-se ao meu lado.
Preocupações grandes,
preocupações pequenas
e preocupaçõezinhas de nada
resolveram me cobrar
soluções imediatas.
As horas congelam
e meu sono se vai.
Junta seus trapos
para dormir
no sofá da sala.
Meus pensamentos nervosos
brigam entre si.
Inutilmente, movo-me
de um lado para o outro
e tento dormir.
Levanto-me...
sirvo café para as preocupações
e sentados frente a frente
discutimos até o amanhecer.
Publicado no livro "SE ESTA RUA FOSSE MINHA"
acordo acompanhado.
Problemas do cotidiano
agitam-se ao meu lado.
Preocupações grandes,
preocupações pequenas
e preocupaçõezinhas de nada
resolveram me cobrar
soluções imediatas.
As horas congelam
e meu sono se vai.
Junta seus trapos
para dormir
no sofá da sala.
Meus pensamentos nervosos
brigam entre si.
Inutilmente, movo-me
de um lado para o outro
e tento dormir.
Levanto-me...
sirvo café para as preocupações
e sentados frente a frente
discutimos até o amanhecer.
Publicado no livro "SE ESTA RUA FOSSE MINHA"
👁️ 27
O ÚLTIMO TREM
Vejo os trilhos abandonados
sobre os quais,
entre britas cansadas,
o capim cresce
sem ser incomodado.
Vejo-os perdendo-se
ao longo da paisagem
para unir com seus braços
de ferro, pregos e madeirames
estações e populações
implacavelmente distantes.
Ah, estes trilhos tristonhos
nem sequer desconfiam
de seus serviços prestados;
quantas viagens,
quanta lenha e óleo queimados,
quantas cargas transportadas,
quantos passageiros
levando consigo
lágrimas de partidas
e planos de chegadas.
Quanto atrito produzido
entre rodas e trilhos,
quantos apitos aflitos
anunciaram sua aproximação.
Quantos olhares estendidos
até aonde a vista alcançava
a espera do próximo trem,
entre tantos e tantos,
que de forma rotineira
surgiam no horizonte
até o dia fatídico,
melancólico e simbólico
da despedida do último trem.
II
Vejo esta tapera agonizante
que luta para se manter de pé
e nem de longe lembra
o seu passado
quando, orgulhosa,
ostentava uma tabuleta
com a informação: Estação...
Hoje, não há mais burburinhos,
não há mais frenesi
não há mais pessoas
vendendo e comprando.
Não há mais conversas entusiasmadas
nem cochichos e dedos, disfarçadamente, apontados.
Não há mais desfiles com a última moda de Paris,
nem pessoas humildes
com as suas "domingueiras"
guardadas para grandes ocasiões.
Não há mais mendigos
e nem crianças chorando.
Não há mais cães perdidos e famintos
vagando entre as pessoas.
Não há mais vagabundos sem rumo
e nem destinos em cada vagão.
Não há mais funcionários, bilhetes
e um chefe em cada estação.
Não há mais malas,
bolsas,
caixas e
bagagens de mão.
Há apenas uma grande saudade
embrulhada para a viagem
a espera de alguém
que em seu íntimo
ainda revive
a partida do
último trem.
sobre os quais,
entre britas cansadas,
o capim cresce
sem ser incomodado.
Vejo-os perdendo-se
ao longo da paisagem
para unir com seus braços
de ferro, pregos e madeirames
estações e populações
implacavelmente distantes.
Ah, estes trilhos tristonhos
nem sequer desconfiam
de seus serviços prestados;
quantas viagens,
quanta lenha e óleo queimados,
quantas cargas transportadas,
quantos passageiros
levando consigo
lágrimas de partidas
e planos de chegadas.
Quanto atrito produzido
entre rodas e trilhos,
quantos apitos aflitos
anunciaram sua aproximação.
Quantos olhares estendidos
até aonde a vista alcançava
a espera do próximo trem,
entre tantos e tantos,
que de forma rotineira
surgiam no horizonte
até o dia fatídico,
melancólico e simbólico
da despedida do último trem.
II
Vejo esta tapera agonizante
que luta para se manter de pé
e nem de longe lembra
o seu passado
quando, orgulhosa,
ostentava uma tabuleta
com a informação: Estação...
Hoje, não há mais burburinhos,
não há mais frenesi
não há mais pessoas
vendendo e comprando.
Não há mais conversas entusiasmadas
nem cochichos e dedos, disfarçadamente, apontados.
Não há mais desfiles com a última moda de Paris,
nem pessoas humildes
com as suas "domingueiras"
guardadas para grandes ocasiões.
Não há mais mendigos
e nem crianças chorando.
Não há mais cães perdidos e famintos
vagando entre as pessoas.
Não há mais vagabundos sem rumo
e nem destinos em cada vagão.
Não há mais funcionários, bilhetes
e um chefe em cada estação.
Não há mais malas,
bolsas,
caixas e
bagagens de mão.
Há apenas uma grande saudade
embrulhada para a viagem
a espera de alguém
que em seu íntimo
ainda revive
a partida do
último trem.
👁️ 32
SANTO DE CASA
Santo de casa
não faz milagres.
Todavia, se os faz
todos fingem não ver.
— Onde já se viu
este santo de casa
está querendo aparecer.
não faz milagres.
Todavia, se os faz
todos fingem não ver.
— Onde já se viu
este santo de casa
está querendo aparecer.
👁️ 38
HAIKAI'S
A folha sem pressa
escolhe no cair dengoso
o lugar do pouso.
***
O mar chega e vai
em ondas, recua e avança
o mar não descansa.
***
A sombra do pássaro
que voa na imensidão
se arrasta no chão.
***
Os pingos da chuva
afagam fraternalmente
a pobre semente.
👁️ 21
O TEMPO NÃO TEM DÓ
O tempo não tem dó
nem tem tolerância
com quem desperdiça
sua breve infância.
O tempo não tem dó
nem tem piedade
com quem joga fora
sua mocidade.
O tempo não tem dó
e não sente culpa
por quem malgastou
sua vida adulta.
O tempo não tem dó
nem se compadece
com quem se agarra
à sua velhice.
O tempo não tem dó,
passa simplesmente,
levando em seu bojo
a vida da gente.
nem tem tolerância
com quem desperdiça
sua breve infância.
O tempo não tem dó
nem tem piedade
com quem joga fora
sua mocidade.
O tempo não tem dó
e não sente culpa
por quem malgastou
sua vida adulta.
O tempo não tem dó
nem se compadece
com quem se agarra
à sua velhice.
O tempo não tem dó,
passa simplesmente,
levando em seu bojo
a vida da gente.
👁️ 32
A BIFURCAÇÃO
Os anos rapidamente
vão nos puxando pra frente
por este caminho de ida
que apelidamos de vida.
Levamos como bagagem
nesta singular viagem
nossas escolhas, rascunho
de um último testemunho.
Quando a estrada a nossa frente
abrir assim de repente
uma derradeira opção
ante uma bifurcação.
👁️ 23
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