Lista de Poemas
tempo - finita ampulheta
me pergunto do tempo que passa por minhas células e as deixam enrugadas
me pergunto do tempo que vivi estando no mundo da lua
me pergunto do tempo que passei pensando em você, que nenhum tempo gastou pensando em mim
me pergunto do tempo que existi calada, sem um ar sair, sem uma palavra entrar
pergunto-me do tic tac do relógio que pulsava sem parar a vida
no tic que fazia quando eu chorava
e no tac que soava quando eu dormia
as batidas do tempo, que nos une e que nos afasta
que faz de mim outro ser que não mais existe
me pergunto do tempo que não compreendia a infinidade das palavras, dos sentimentos, do eu
me pergunto da velha que gastava seus últimos anos tricotando a toalha de mesa pra neta que iria casar-se
me pergunto do tempo que contei esperando você chegar, e do tempo que você não contou para não me ver partir
me pergunto do tempo que leva pra chegar ao outro lado do mundo
pergunto-me o que fazia quando não me perguntava sobre o tempo
e dos segundos que contei até ve-lo passar
invisivelmente por meu corpo, visivelmente na tela do celular
e do tempo que não passou na escola
e do tempo que voou quando aconcheguei-me em seus braços
o tempo que vem, que passa,
que muda, que transforma,
que faz-nos amar e conhecer,
chorar, crescer e principalmente ser
e que por fim, depois da estrada, nos deixa.
me pergunto do tempo que vivi estando no mundo da lua
me pergunto do tempo que passei pensando em você, que nenhum tempo gastou pensando em mim
me pergunto do tempo que existi calada, sem um ar sair, sem uma palavra entrar
pergunto-me do tic tac do relógio que pulsava sem parar a vida
no tic que fazia quando eu chorava
e no tac que soava quando eu dormia
as batidas do tempo, que nos une e que nos afasta
que faz de mim outro ser que não mais existe
me pergunto do tempo que não compreendia a infinidade das palavras, dos sentimentos, do eu
me pergunto da velha que gastava seus últimos anos tricotando a toalha de mesa pra neta que iria casar-se
me pergunto do tempo que contei esperando você chegar, e do tempo que você não contou para não me ver partir
me pergunto do tempo que leva pra chegar ao outro lado do mundo
pergunto-me o que fazia quando não me perguntava sobre o tempo
e dos segundos que contei até ve-lo passar
invisivelmente por meu corpo, visivelmente na tela do celular
e do tempo que não passou na escola
e do tempo que voou quando aconcheguei-me em seus braços
o tempo que vem, que passa,
que muda, que transforma,
que faz-nos amar e conhecer,
chorar, crescer e principalmente ser
e que por fim, depois da estrada, nos deixa.
👁️ 273
balão furado
os sonhos foram retirados de mim naquela hora
eu vi um futuro, que não existia
fechei os olhos, mas, a dor não passou
lamentei pela criança que morava em mim
que via balões levantando casas
e curava o mundo com doces
os sonhos foram retirados de mim
porque me achei vencida
porque não achei possível
porque não era suficiente
eu vi o mundo, em blackout
e desfiz-me do diário velho
morri de dentro pra fora
virei a carapuça de pesadelo
deite-me de bruços e envelhi por 80 anos
o cálcio, a amnésia e a diabetes
eram as receitas de remédios que eu tomava
todos os dias ao dormi
retirava o tumor que tinha em meu coração:
um pedaço de sonho, o único que havia sobrado.
👁️ 268
Dose dela
Percebi que o copo estava vazio
Suas laterais estavam sujas
Também percebi que ela bebia
Tomava do gole que não possuía essência
Se saciava da falta que o cheio trazia
Mas ela não via
O copo imundo
A água que ali não tinha
E que a sede que tanto sentia
Era saudade dela mesma.
👁️ 784
males que se espantam
o sangue congela em minhas veias
e eu digo estou morrendo aqui dentro
a casa arde em chamas mas estou fria
e eu penso que meu corpo não passa já de uma carne morta
então eu canto e a vida flue em meu corpo
eu canto, canto, como se não houvesse amanhã
porque talvez não haja
eu canto e algo em mim se acalma
o vento que sopra reclama
em brisas diferentes
e entra pela janela da casa
senta ao meu lado e beija-me
com aquela boca tão fria
então eu canto e a vida flue em meu corpo
eu canto, canto, como se não houvesse amanhã
como se fosse o meu último canto
porque talvez não haja amanhã
eu canto e algo em mim enfim se acalma
e eu digo estou morrendo aqui dentro
a casa arde em chamas mas estou fria
e eu penso que meu corpo não passa já de uma carne morta
então eu canto e a vida flue em meu corpo
eu canto, canto, como se não houvesse amanhã
porque talvez não haja
eu canto e algo em mim se acalma
o vento que sopra reclama
em brisas diferentes
e entra pela janela da casa
senta ao meu lado e beija-me
com aquela boca tão fria
então eu canto e a vida flue em meu corpo
eu canto, canto, como se não houvesse amanhã
como se fosse o meu último canto
porque talvez não haja amanhã
eu canto e algo em mim enfim se acalma
👁️ 208
As facetas de Plutão
Já se vires de fora para dentro?
se numa hora és amor, porque agora tanta dor?
por um acaso não me odivava a minutos atrás?
vai-te menina, me rouba por inteiro
me deixa louco por não conhecer todas essas suas faces
se gritas comigo, logo, me enche de carinho
me puxa para perto quando me sacode para tão longe
és ventania e calmaria
furacão para meu coração
me enche de paz e de euforia
vai-te menina, me beija e me morde
chore e sorria
brigue por qualquer motivo sem fim
mas fica
não vai embora
me deixa desvendar estas tuas facetas
sou teu por inteiro
então por que ser tantas metades?
não fica muda quando se irritares
fale muito como em qualquer outro tempo
comente algo desnecessário
e faça piadas que só tu as entenda
não perca tempo em paranóias
e vira essa face para outra qualquer
se fique amor para comigo
seja tudo que tu és
Plutão? ou jovem mulher?
me esquenta no fogo que emana de ti
cobre-me com asas de demônio
menina, digas que me amas
e fale-me o mistério que é ser várias de si numa só
mostra-me seu arsenal por dentro
e nunca me atire para fora
pois, só eu, sou o lado que falta em todas essas tuas caras.
👁️ 292
O talvez
Talvez um grande amor não bastasse pra segurar meus pés no chão
Talvez os olhos de quem me olha sejam rasos demais pra aguentar o rio que se derrama sobre mim
Talvez a boca que me beija pronuncie o que o mundo não tem coragem de dizer
Talvez o que bastasse pra segurar meus pés no chão fosse aquela flor que joguei fora a um ano atrás
Ou aquela lembrança que enterrei sem algum pudor
Talvez o que me prendesse fosse o tempo que não tivesse hora
Talvez eu não fosse o pássaro preso na gaiola, mas fosse a gaiola que prende o pássaro
Talvez um grande amor pudesse reter minhas iniquidades e trancar por fim a maldade que teima por escapulir
Talvez se minha mãe mandasse comprar feijão ao invés de pão, o mundo possuísse cores diferentes agora
Talvez eu fui em um caminho sem rumo
Ou será que fiquei parada em um mesmo lugar?
Talvez eu não saiba discernir o certo do errado
E aquela montanha que cobre minha vista possa ser o que se chama de 'fim do mundo'
Ou será a miopia distorcendo o outro lado da rua?
Talvez o mundo seja plano
E estamos girando infindavelmente em um carrossel
Esperando talvez dias melhores
Talvez a cura do câncer
Ou a amnésia de um coração partido
Talvez sejamos apenas o talvez que completa o fim
A história.
👁️ 303
Morte de si
Escrevi em minha alma despedaçada rumores de uma vida cobiçada
Vida esta, que não era minha, mas de outro qualquer
Deixei que nada mais habitasse em mim e o vazio transbordava por toda extensão
As dores que seguravam os meus braços bloqueavam-me a costurar os pedaços que haviam se soltado durante o caminho
O corte em meu polegar sangrara na noite passada e só assim percebi que ainda possuía vida
Vida em abundante
E vasto sangue escarlate
Que imaginei por alguns segundos escorrendo até me deixar completamente mórbida
Fria no chão frio
Camuflada na carne que não tinha mais oxigênio
Havia uma alma ali, quase inteira, quase costurada
Com todas más lembranças 'esquecidas'
Que todos os dias eram lembradas
Gravadas naquele mármore
Em vinho fluido
No próprio assassinato
Morte de mim!
No delírio eloquente do mais ápice êxtase da ansiedade.
👁️ 281
O Imaginário
Queria escrever o que se encontra na tristeza
Retratar em letras o sofrimento humano, suas batalhas e alegrias
Queria registrar no tempo a história
Os choros e os risos
Os sonhos e os medos
Queria saber sobre cada um, descrever a beleza em ser
Queria ser mais do que sou
Gostaria de ser Plutão
Queria que esse papel gritasse minhas angústias
Gostaria que o mundo pudesse viver romance e esquecesse tantas guerras
Penso, de certo modo, que a ignorância possa ser desconstruída
Vejo em cada olhar a esperança
Nessa mesa vazia a solidão
Vejo todos que estão ao meu redor
Mas, quem me vê?
👁️ 306
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
NoComments
Português
English
Español