Morte de si




Escrevi em minha alma despedaçada rumores de uma vida cobiçada
Vida esta, que não era minha, mas de outro qualquer
Deixei que nada mais habitasse em mim e o vazio transbordava por toda extensão
As dores que seguravam os meus braços bloqueavam-me a costurar os pedaços que haviam se soltado durante o caminho
O corte em meu polegar sangrara na noite passada e só assim percebi que ainda possuía vida
Vida em abundante
E vasto sangue escarlate
Que imaginei por alguns segundos escorrendo até me deixar completamente mórbida
Fria no chão frio
Camuflada na carne que não tinha mais oxigênio
Havia uma alma ali, quase inteira, quase costurada
Com todas más lembranças 'esquecidas'
Que todos os dias eram lembradas
Gravadas naquele mármore
Em vinho fluido
No próprio assassinato
Morte de mim!
No delírio eloquente do mais ápice êxtase da ansiedade.
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