Lista de Poemas
OUTRO DIA
Outro dia lá em casa,
Caiu um copo no chão,
Ele se espatifou
E machucou o meu dedão.
Não fosse isso, tudo bem,
Antes ele do que eu.
Mas o danado me feriu,
Depois deu infecção.
Demorou muito tempo
Para curar o machucado,
O copo, comprei outro,
No supermercado.
Agora eu não vacilo,
Seguro firme qualquer copo,
Vai que ele cai de novo,
E ataca o meu corpo.
Mas outro dia a vassoura
Estava no chão
Tropecei no seu cabo,
Caí feito um bundão.
Quebrei o braço nesse tombo,
Tive que engessar,
A vassoura continua inteira,
Encostada na parede, ela ri sem parar.
Eu fiquei alguns dias
Sem poder trabalhar,
Olha a vassoura,
Ela continuava a varrer.
Outro dia beijei sua boca,
Foi um beijo tão gostoso,
Você, feito louca,
Me arranhou o corpo todo.
Só que disso eu gostei,
Te acariciei com carinho,
Então, sua roupa eu tirei,
Fizemos amor no quartinho.
Outro dia você voltou,
E um beijo me deu,
Me disse que gostou
Do que aconteceu.
Eu fiquei feliz,
Mas não pude fazer nada,
O sofá onde nos amamos,
Me deixou a coluna ferrada.
Outro dia fui até sua casa,
Estava muito animado,
Bati na porta e atendeu
Um rapaz bem apanhado.
Ele era seu marido,
Perguntou o que eu queria,
Eu disse qualquer coisa,
Sei que foi uma mentira.
Outro dia te encontrei,
Na rua numa tarde,
Então te questionei,
Como fez tal maldade.
Você me respondeu,
Que não foi maldade nada,
É que só se esqueceu
De que não estava separada.
Outro dia eu caí em um buraco,
Ele era tão profundo,
Parecia não ter fim,
Era minha vida batendo em mim...
DEI O FORA
Dei o fora dessa casa,
Para onde não quero voltar,
Essa era a masmorra,
Onde você, vivia a me maltratar.
Joguei as chaves no rio,
Para que nunca mais as encontre,
Que elas morram afogadas,
Como esse amor complicado.
Eu jurei para mim mesmo,
Que não vou mais falar com você,
Seu telefone bloqueei,
E não tente me enganar!
Do endereço de sua casa,
Com o tempo esquecerei,
Não adianta me procurar,
Pode também me esquecer!
E sobre o que aí ficou,
Não quero mais,
Pode jogar fora,
Queimar ou dar para alguém!
COMO FUI IDIOTA
Ontem, quando brigamos,
Saí batendo a porta,
Fui a bares me embriagando,
Fiquei de pernas tortas.
Não voltei por vergonha,
Fiquei pela rua mesmo,
Andando feito um pamonha,
Desorientado e confuso.
Pensei em te telefonar,
Mas desisti imediatamente.
O que eu ia falar
Era desconexo e indecente.
Tive frio na madrugada,
Pensei em nossa cama,
Ela toda desarrumada,
Como quando a gente se ama.
Chorei sentado na sarjeta,
Rios de lágrimas escorreram,
Eu, um idiota, estava zureta,
Meus pedaços se derreteram.
Onde eu estava com a cabeça?
Desconfiei de você,
Que é muito mais que mereço.
Não é fácil entender...
AMOR, SENTIMENTO ARRASADOR
Ao amor, uma banana!
Não quero que volte mais,
Fique longe de mim,
Sentimento infernal!
Quanta dor eu já senti,
Muitas vezes eu chorei,
Mas parece que não acaba,
O sofrimento passional.
O amor é uma corda bamba,
Onde andamos vendados,
E com os pés descalços,
Pisando em cacos de corações quebrados.
Cada passo um corte profundo,
Com o vento sempre contrário,
Chaga a ponto de a sola,
Não ter um centímetro sem um machucado.
Mas não vivemos sem ele,
O amor é essencial.
Eu tenho lá minhas dúvidas,
Não acho o sofrimento legal.
BATE QUE EU AGUENTO
Se pensa que vou desistir
Está muito enganada,
Eu não quero nem saber,
Mas está encrencada.
Lutarei até o fim,
Usarei toda minha força,
Chuta, bate em mim,
Que não faz nem cócegas.
Já sofri muito mais
E também fiz sofrer,
Conheço os dois lados,
Então, não vou correr.
Bate que eu aguento,
Aprendi a apanhar.
Mas eu só lamento,
Você vai se cansar.
Se quiser pode gritar,
Pisar em meus sentimentos,
Pode até me jogar
No meio dos excrementos.
Assim, só vai piorar,
Mexerá no meu íntimo,
Quando menos esperar,
Entrará no meu ritmo...
E SE...
E se virar o barco,
Eu caio na água,
Então bato os braços,
Ou me afogo sem lutar.
E se virar o jogo,
O outro time vai ganhar,
Eu continuo, feito um bobo,
A apenas reclamar.
E se chover agora,
Eu vou me molhar,
Não trouxe o guarda-chuva,
Era um peso a carregar.
E se o carro não pegar,
É porque arriou a bateria,
Tinha que trocar,
Mas fiquei de morrinha.
E se acabar a luz,
Fico no escuro,
O instinto me conduz,
Até que eu bata contra o muro.
E se amanhã eu não acordar,
Estarei em outro plano,
Posso até reclamar,
Mas vou saber que não foi engano.
SUA MÃO
Põe aqui a sua mão,
Bem colada à minha,
Fica com medo não,
Você não está sozinha.
Eu sou seu protetor,
Nenhum mal vai acontecer,
Sua vida tem muito valor,
Vivo só para te defender.
Pode confiar,
Em tudo o que eu disser,
Sua mão não vou soltar,
Estou contigo para o que der e vier.
O seu sono será cuidado,
Eu não dormirei,
Estarei ao seu lado,
Conforme te avisei.
Pode despreocupar,
Seremos sempre um só,
Estou aqui para te amar,
É o que faço de melhor.
POSSO CRER NO AMANHÃ
Posso crer no amanhã,
Porque sei que ele vai chegar,
Não tenho pressa no caminhar,
Penso assim com mente sã.
O futuro é logo perto,
Não está longe, não,
Se hoje há deserto,
Amanhã terá água nesse chão.
Trabalho agora pelo futuro,
Planto sementes que vão brotar.
Também destruo muros,
Faço pontes para poder caminhar.
Quanto tempo leva a vida?
Isso não sei responder,
Mas levo a vida no meu tempo,
Assim aprendi viver.
Posso até chorar hoje,
Pois o fardo é pesado,
Mas depois não choro mais,
Tenho que estar preparado.
Creio em meu trabalho,
E também na sabedoria,
Que adquiro enquanto malho,
Tudo o que faço em meu dia.
Vou e não quero voltar,
Tenho meus objetivos,
Se acaso eu falhar,
Volto. E não vejo como castigo.
Recomeço fazendo melhor,
Prestando mais atenção,
Pois sei que estou só,
Aqui nesse mundão.
Cada dia um dia,
Cada passo um passo,
Tenho muita alegria,
O que reduz o meu cansaço...
MENOS MENTIROSO
Nessa vida tresloucada,
Que eu vivo desde sempre,
Sempre fui camarada,
Algumas vezes até inocente.
Pode me chamar de tudo,
Pode até me xingar,
Mas será um absurdo
Como mentiroso me marcar.
Eu não gosto de mentiras,
Nem de ouvir, muito menos de falar,
Minha vida tem consequências
Até daquilo que eu ocultar.
Mas eu não minto jamais,
Tenho minha honra a guardar,
Eu não sou capaz
De mentir e te abraçar.
Por isso eu deixei
De andar com muita gente,
Com quase todas me decepcionei,
Pelas mentiras inclementes.
Ando sozinho por todo o tempo,
Sou minha melhor companhia,
Mas não sou solitário, carrancudo,
Tenho lá minha simpatia.
Eu prefiro ser assim
Do que ser enganado.
Já fizeram pouco de mim,
No recente passado.
Acredito que a verdade
Liberta o coração,
Deixa limpa a alma
E não é fraqueza, não!
AH, O PASSADO!
Hoje resolvi voltar alguns anos,
Fazer uma visita ao meu passado.
Eu estava aqui divagando,
Lembrei de coisas adoidado.
Quanta coisa eu já fiz,
Nesta vida iluminada,
Muita coisa eu quis,
Mas nem tudo foi-me dado.
Mas de nada me arrependo,
Faria tudo novamente,
Eu assim me compreendo,
Um camarada recorrente.
Nunca fui o mais bonito,
Nem ao menos popular.
Nunca levei nada no grito,
Sempre tive que lutar.
As meninas, tive que conquistar,
Vencendo a timidez,
Quem aceitava me beijar,
Queria outra vez...
Eu tirava notas baixas,
Não gostava de estudar,
Mas não levava pau,
Na recuperação conseguia passar.
Uma vez passei direto,
Nem eu acreditei,
Foi por causa de um amor discreto,
Que eu me esforcei.
Então fui para a faculdade,
Onde a coisa era diferente,
Eu, lá no meio de tanta gente,
Não senti nenhuma dificuldade.
Lá as moças eram mais liberadas,
As festas todo dia,
Eu não tinha namoradas,
Mas pegava umas gatinhas.
Então me formei,
Veio a vida adulta,
Eu não me adaptei,
Levei porrada bruta...
Comentários (2)
Obrigado!!
Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.
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