Lista de Poemas
ESTRANHO
é saber
que tudo
na vida é
Estranho
é saber
que tudo
na vida é
Estranho
é saber
que tudo
na vida é
Estranho
é saber
que tudo
na vida é
Estranho
é saber
ANO: 2000
AJUDE-ME
sou apenas mais uma pessoa comum
perdida no eco vazio e sombrio
de milhares de pessoas
Estou caíndo e não posso
segurar com minhas mãos
sou um átomo jogado, reciclado
Sempre, onde começa a vida,
começa a dor
e o cheiro da morte
Onde está aquele anjo?
Onde estou?
Já não posso ver nem ouvir
Estou fazendo parte dessa escória
a que todos pertencem
Matéria!
ANO: 1997
MATOU O MARIDO E FOI DORMIR (10 MANEIRAS DE MATAR VOCÊ)
meu quase "big bang",
fiz a janta pra você
sabor SBP,
depois massagem relaxante
e um café com um laxante.
Dormirá numa cama perfumada
com espinhos e sua amada,
beijinhos de madrugada
e uma ideia já formulada.
Outro dia, café da manhã:
inseticida na sua maçã,
ácido sulfúrico na sua bebida
e um beijinho de despedida.
Vai trabalhar e passa mal,
é levado para o hospital!
Chego afobada, sempre a chorar
desesperada, para disfarçar
a ansiedade de ver o efeito
do seu cérebro com defeito.
Vai pra casa tão confiante
não teve nada de preocupante.
É meio dia, vai almoçar?
botei arsênico no guaraná.
No fim do dia tome um lanchinho,
é só formicida no seu leitinho
o raticida deixei para a janta,
não sou má, sou santa.
À noite, no seu colchão,
terá bons sonhos, abaixo do chão
...será que morreu?...
Adeus
ANO: 2003
DEVOLUÇÃO
Eram quase duas horas da manhã. Descabelada e com cara de sono, foi atender à campanhia. Com medo, olhou pelo olho de vidro . A figura que viu era bem conhecida. Então, abriu a passagem para a pessoa entrar.
Roberto, seu ex-marido, estava angustido. Chorava como criança.
Como os homens são volúveis! Alice já tinha amado esse indivíduo. Moraram juntos vários anos e um dia, sem explicação, ele fez as malas e se mudou para o apartamento da Claudinha. Quanta mágoa e tristeza deixou em sua casa! Quantas horas em terapia ela gastou!
Mas, o destino é irônico. Quase dois anos após, ele bateu à sua porta para chorar porque a namorada o abandonou.
Roberto abraçou Alice. Alice o acolheu. A chuva aumentava e na rua a temperatura caÍa. Dentro da casa o calor era enorme. Os dois se beijaram. Rooupas voaram pela janela. A cama se agitou e o quarto flutuou a noite toda.
De manhã, ela olhou para ele e perguntou se já estava melhor. Ele assentiu. Um carinho enorme por ela brotou em seu peito. Confessou, entre tímidas e curtas frases, que sempre amou Alice.
Ela sorriu e, faminta, foi tomar café.
Durante um mês inteiro namoraram. Alugaram uma casa e voltaram a morar juntos. Estavam, aparentemente, com pressa em ser feliz.
Ela se mostrava apaixonada e ele, confuso, estava amando.
Os dias passavam e o romance dominava o momento.
Certa manhã, sozinha em casa, Alice fez as malas e foi embora, deixando um bilhete em cima da mesa.
Roberto encontrou o recado, sentiu uma pontada no peito, sentou no chão e, desconsolado, chorou. Chorou o choro mais amargo e dolorido já sentido. O mundo ruiu a seus pés. Sentiu, finalmente, que ela lhe devolvia toda a mágoa e a tristeza que um dia ele lhe dera.
Em um balcão de um bar do outro lado da cidade, Alice acendia um cigarro e comemorava. Tinha curado seu orgulho ferido anos atrás. Como era doce o sabor da vingança!
ANO: 1999
INTRANSIGÊNCIAS
a vida passa
e o sangue pulsa
As aves cantam
o mundo gira
e o sangue pulsa
A mentira vem
a verdade vai
e o sangue pulsa
Lembranças
Saudade, medos
e o sangue pulsa
Ideias mudadas
atitudes novas
e o sangue pulsa
Será?
Talvez?
Importância?
Não somos nada
e o sangue pulsa...
ANO: 1995
TE AMO
mais do que ontem,
menos do que amanhã,
igual a hoje.
É tudo o que posso dar ...
ANO: 1993
ANJO SUICIDA
despencam a beleza
que a distância dos olhos revelam
Uma gota doce
do pecado concretizado,
uma lágrima amarga
demonstra a dor,
ou cortes profundos
jorrando a vida
mostrando a carcaça da fúria,
um uivo rasga o silêncio
que se evapora com o eco
distante do paraíso,
longe do inferno,
vagando na angústia,
no desespero de entender
que nada é além de nada
e as figuras se misturam
transformando-se em monstros
que o irão assombrar
pela eternidade
A náusea sufocante
é engolida no desespero
da dúvida que o cerca,
a cicatriz eterna
que o acompanhará
por todo o sempre
será angustiante,
aterrorizante,
e as últimas gotas
desse sonho vermelho
estão se esgotando
o ar, já rarefeito,
termina,
insuficiente
para sustentar suas alucinações
nada é como já foi
Um anjo caiu
no vácuo da dor
de entender o mundo
esquecido
naquele banheiro
ensanguentado e apodrecido
ANO: 1999
REVELAÇÃO
acordo amando, vou à procura
procuro você!
Te vejo, devoro,
engulo cada gota de seu prazer,
sou má!
Gemidos em teu ouvido,
unhada nas suas costas,
corpos cruzados...
Vou embora,
levo teus sonhos, teus desejos,
fico só
Durmo e já não sei quem sou,
não sei o que sinto,
tenho medo, tenho dor!
Me liga,
não atendo
não entendo mais nada
Quero ficar só,
quero ler um livro,
ver um filme
Tenho fome pra escrever
tudo de novo
Estou só
Durmo novamente...
...Acordoo com fome de amor,
saio à procura de um outro você
Te vejo, devoro
e faço tudo de novo...
Fiquem longe de mim
trago dor e confusão,
não sei amar,
não sei nada,
mas sei ferir
e magoar
ANO: 2006
CHORO
Qual o sentido do choro?
Tristeza, saudade, raiva?
Desilusão, confusão, medo?
Destroços da vida?
Encontros em um lado escuro?
Neura? Obssessão?
Não, não, não
choro-sintoma de solidão...
ANO: 1998
CAIXA DE PANDORA
tem um álibi do sol
que escorre pelos dedos
calejados de amar
Tantas coisas já vividas
e histórias envolvidas
numa colcha de Arácne
e um novo contra-ataque
baseado numa erva
que te leva pelo céu
de ondas e "ondes"
reis, príncipes e condes
magos que escondem
o futuro.
No ollho de um verme
que um dia foi um homem
Na mente de Shakespeare
Camus, Bacon, Berkeley
De encontros e distâncias
homens, deuses e crianças
um presente p´ra você:
Uma caixa geometricamente encaixada
num espaço diagonal
de uma eclipse poética,
uma flor especial
ANO: 2003
Comentários (5)
Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.
Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.
Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.
Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.
Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: cacal.ortiz@hotmail.com (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber
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