Lista de Poemas

FELICIDADE

Vôo razante da saudade
nela enxergo a verdade
enxergo no escuro a idade
sou feita de felicidade
sonhos de vaidade
afogo a falsidade
nego a maldade
sou feita de alegria
nela enxugo a nostalgia
enxergo no escuro a vida
sou feita de maravilha
sonhos de vida
afogo a covardia
nego a agonia
sou feita de alegria
👁️ 108

FANTASIA

Um mais um é igual a nada
dois mais dois é igual a zero
três mais três é uma multidão
olhe lá, dona solidão
acalme esse coração
que bate de covardia
por mais esse dia
sem fantasia
que sabedoria,
uma teoria
de agonia
pr'onde foi a alegria?
um vigia
por outra via
pura fantasia!


ANO: 1993
👁️ 77

NA CALADA

A noite chega
e com ela as surpresas boas da vida
você vem com seu jeito moleque
seu olhar de menino
tudo é tão lindo
como ser só sua
todas as horas é tão gostoso
teu abraço me devora
e me sinto mulher
à luz da lua
testemunha das nossas peraltices noturnas
a lua é nossa guia
nossa cúmplice
que tudo olha e aprecia
mas, calada, nos sorri
e nos mostra que esse amor
tão saudável e tão selvagem
é a forma mais linda
de deixar a noite mais nossa
a lua nos vê e aprecia
pois sabe que todas as nossas travessuras
serão nossas 
e de mais ninguém


ANO: 1998
👁️ 83

VIOLÊNCIA URBANA

Violência urbana
uma vida inteira
num fim de semana
ganância, dinheiro, riqueza
mais um drana
violência gerada da pobreza
revolta, medo, façanha
pisada por incerteza
por azar, por fama
usam armas
revólver, faca
não engana
enquanto os outros
com meras palavras
se armam com campanhas
ratos de esgotos
nojentos e escrotos
geram conflitos
rebelam-se num grito
fome, dor, miséria, morte
violência urbana
acaba com a história
num fim de semana


ANO: 1995
👁️ 104

ESTRADAS

Estradas
meras estradas
que não me levava à nada 
era falsa, er amarga
era angústia, era pálida
era ilusória, era apenas
uma estrada

Estradas
várias estradas
que nos deixam fazer
nos escondem o querer
sem querer saber por que
era duvidosa, era magra
era somente mais uma
estrada

Estradas
que nos tiram do nada
nos monstram o bem, o amor
nos faz ser humanos,
nos tiram a dor
e mostra a paz
interior
é pacífica,
bonita
é a real
estrada


ANO: 1994
👁️ 112

SE EU FOSSE NORMAL

Se eu fosse normal
iria ver o mundo estável
iria ser estável
iria ser assim
nem frio, nem quente
nem triste, nem eufórico
nem claro, nem escuro
nem tumulto, nem manso
nem muito, nem pouco
nem falar, nem calar
iria ser sem brilho,
sem cio,
sem nada,
iria ser normal,
só normal
nem louca, nem sã
só normal
seu eu fosse assim
Coitada de mim!
Não ia ter nada
além de um vazio
um eco de existir
se eu fosse normal
seria sem açúcar
sem nada de sal
iria ser nada
então, solitária
sem fantasias
e histórias
seria triste,
monótona,
trajetória


ANO:2005
👁️ 130

CONFISSÃO

Entre folhas e linhas
confesso meus sonhos
desejos e medos
todas as coisas minhas
que podem ficar perdidas
no tempo de um tempo
que ainda não veio


ANO: 1995
👁️ 117

FANTASIA NO SÍTIO

Foi representada na abertura da I Semana de Letras de São José do Rio Pardo, Brasil.


(No sítio do Pica Pau Amarelo...)
Visconde de Sabugosa: Boa noite, senhoras e senhores, estou aqui para...para...para...Ih, esqueci o que ia falar...Que                                        horror! 

(Visconde fica parado e pensativo. Entra Emília)

Emília: Olá, Visconde, como vai? Como está a família?
Visconde: Oh, bem, obrigado!...Eu tenho família?

(Emília faz cara de surpresa e olha de uma forma confusa para o público)

Visconde: Quem é você, afinal de contas?
Emília: Sou eu, a Emília! Visconde, o que está acontecendo? 
Visconde (a beira do desespero): Eu não sei...eu não sei nada! Eu não sei mais nada!!! (berra)

(Emília dirige-se à platéia indignada)

Emília: Gente, e agora? O Visconde não sabe mais nada! Ele esqueceu tudo! Bem, acho que tenho a solução. Vamos procuraro Tatu Sabe Tudo. Foi ele quem descobriu a pílula falante. Ele tem o livro mágico que fará o Visconde lembrar de de tudo.

(Emília começa a procurar pelo cenário)

Emília: Seu Tatu? Seu Tatu?

(entra o Tatu com um livro na mão e Visconde continua caminhando pelo palco, desorientado)

Tatu: Oi Emília, trouxe o livro que me pediu!
Emília: Como eu uso?
Tatu: É fácil! Basta ler...Ah, mas tem parte mais difícil. É meio fácil e meio difícil
Emília: Qual é a parte difícil?
Tatu: Você vai ter que encontrar no mínimo 20 pessoas, humanas, para ajudá-la a entrar no livro.
Emília: 20 humanos!? E o que faço depois?
Tatu: Você tem que fazer todos repetirem a frase milenar mágica.
Emília: E qual é?
Tatu? "No fundo, do fundo prpfundo, está a lembrança de todo esse mundo". 
Emília (repetindo em voz baixa): " No fundo, do fundo, profundo, está a lembrança de todo esse mundo". É fácil! Agora só falta encontrar os humanos.
Tatu: Mas não é só isso, não! Esses humanos terão que vê-la como líder. Eles terão que ficar em pé, dar 3 reboladas, 3 pulos e 3 balançadas de cabeça. Faça comigo!

(Os dois ficam no meio do palco e fazerm todos os movimentos)

Emília: Ah, ótimo! Acho que aprendi! Obrigada, Seu Tatu Sabe Tudo. Agora vou procurar esses humanos.

(Seu Tatu sai lentamente)
(Emília procura pelas pessoas)
(Emília para e, com cara de surpresa, aponta para alguém na platéia)

Emília: Ei, senhor! (aponta alguém na platéia) O senhor de blusa (fala a cor). O senhor é humano?

(Emília conversa e improvisa com a pessoa escolhida)
(Emília percebe que está cercada por humanos)
(Emília dirige-se à platéia)

Emília: Nossa, quanta gente! Pessoal, preciso da ajuda de vocês! O Visconde (aponta para o Visconde que continua andando desorientado pelo palco) perdeu todas as suas lembranças. O Tatu Sabe Tudo me deu esse livro para poder resgatá-las. Para isso, entretanto, preciso da ajuda de vocês. Preciso que todos repitam comigo bem alto a frase: "No fundo do fundo profundo está a lembrança do mundo". Depois vocês deve dar 3 reboladas, 3 pulinhos e 3 balançadas de cabeça. Pode ser? Então vamos lá. Vamos ensaiar primeiro.

(Emília ensaia com os presentes, improvisando diálogos).

Emília: Vamos lá, agora é para valer: "No fundo do fundo profundo está a lembrança do mundo"

(Todos fazem os gestos e quando o silêncio volta ao normal, ela abraça o Visconde, abre o livro e começa a ler)

Emília (lendo o livro): Houve um tempo em que o tempo se perdeu. Há muitos e muitos anos, conta um livro que os homens falavam a mesma língua. Todos se entendiam e a comunicação era perfeita. Os homens iam para qualquer lugar sem se preocuparem em ser entendidos. Dizem, porém, que alguma coisa aconteceu...

Visconde (interrompendo a leitura): ...ah, me lembrei! É a história de uma torre. Como é o nome? Pastel? Rapunzel? Papel?

Emília: Babel! É a torre de Babel!
Visconde: Os homens começaram a construir uma enorme torre com o objetivo de chegarem no céu. Mas, algo deu errado e cada um começou a falar seu próprio idioma. Interessante, desde sempre a Linguística fez-se necessária...
Emília: Foi aí que começamos a falar Português?
Visconde: Não, Emília, ainda não. Leia mais um pouco. Não consigo me lembrar.

Emília:"...com o orgulho do homem, dividiu a população em línguas: o Latim e o Grego..." Visconde, antes não existia escrita?
Visconde: Exato! As línguas não eram escritas como são hoje. Algumas até tinham alguns símbolos, mas não um alfabeto. Interessante, estou me lembrando. Continue...
Emília: "O Latim apareceu na Península Ibérica. Foi uma língua muito importante para a civilização contemporânea porque, por meio dela, outros idiomas foram originados."
Visconde: E o nosso Português está enraizado nessa língua!
Emília: Mas por que em Portugal se fala diferente, Visconde?

Visconde: Porqueno Brasil, apesar de ter sido colonizado pelos portugueses, houve uma mistura de idiomas. Tínhamos, aqui, várias tribos indígenas que falavam sua própria língua. Tivemos, também, os holandeses na Bahia, alemães no sul, os italianos no centro-oeste, enfim, somos uma mistura de idiomas. É, mais ou menos, o que ocorre na Inglaterra e Estados Unidos.

Emília: Ué, por que? Não falam inglês nesses dois países?

Visconde: Mais ou menos. Na Inglaterra o inglês é britânico, visto que esse país compõe a Grã Bretanha. Os ingleses tiveram influência dos povos nórdicos. Aquelas histórias de vickings que você estudava na escola aconteceram lá. Já os americanos tiveram influência dos ingleses, que por sua vez também tiveram suas sinfluências, das línguas indígenas que lá existiam, dos mexicanos, dos europeus em geral e, com isso, depois de toda essa salada, o resultado foi o sotaque que as pessoas têm hoje.

Emília: Ah, entendi!

Visconde: Leia mais um pouco.

Emília: "O importante não é o número de línguas que são faladas, mas sim o fato de que somos seres à procura de comunicação para a compreensão de nós mesmos.

(Emília fecha o livro)

Visconde: Interessante, agora me lembro de tudo. Me lembro até de Monteiro Lobato!
Emília: Mas Visconde, existe uma língua certa?
Visconde: Não, Emília. Cada idioma tem a sua própria história, sua cultura, suas marcas. Ninguém é melhor que ninguém. Julgar alguém por causa de sua língua seria o mesmo que julgar você inferior à Narizinho porque ela não é boneca. Como já dizia um poeta: "Olhe de novo: não existe branco, amarelo, negro. Somos todos arco-íris".

Emília: Que lindo! Vamos comer bolo na casa da Dona Benta?
Visconde: Vamos

(Os dois saem. Emília retorna sozinha, dá uma piscada e agradece)

Emília: Pessoal, obrigada pela ajuda. Agora que o Visconde já se lembrou de tudo, vou brincar com o Rabicó.

(Fecham as cortinas)


ANO: 2005



👁️ 339

OI?

Porca miséria
é a porca da Dona Nélia
que,
engordando com esperteza
mora ao lado
da Pobre Elza
que é neta
da Dona Tereza

Má, Dio mio!!!
Porca miséria
que pobreza é esta?


ANO: 2000

👁️ 107

O POETA E O PORTAL

Pelas janelas desse mundo
vê-se uma luz muito distante
entre essas flores, um profundo
uma manhã tão radiante

Pelas janelas que aconchego
paira uma força, algo anormal
nos reflete todo o desejo
como uma vida sempre igual

Na lacuna paira o infinito
d'onde um poeta fez o real
e talvez doce esse serviço

De um simples sonho um total
trás contos num ato maciço
pois no Éden, esse é o portal


ANO: 2000
👁️ 107

Comentários (5)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2026-01-09

Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.

Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.

Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.

Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.

diogoletriamoraes
2020-02-19

Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.