Lista de Poemas
CONCERTO EM Em
no inconsciente da distância
das coisas que quis um dia
outrora nasce uma vida
dentro de um ser imaginável
trovões, relâmpagos, medos, escuridão
sonhos que aparecem e parecem sem fim
rodeados por anjos intocáveis
uma brecha no meio da imensidão do nada
uma luz que atravessa a escuridão terrestre
uma busca incantável, abstrata
por lugares nunca antes idos
pelo insignificante inseto que vive
no cemitério das emoções
invisíveis pelos campos percorria
uma moça nua de imaginação
de um tempo já visto
de um lugar seguro
como essa música que percorre teclados
de lugares confusos, impenetráveis
de receios de tudo o que houve
a calmaria se aproxima, mas traz ondas
gigantes que chegam
com trovões,
arrombam a imensidaão do eco
Escutem as sombras
elas te levam ao sol
Observem as nuvens pesadas
que circulam suas cabeças
trazem sensações virgens
te levam até o alto
mostram a leveza
após o temporal
só o que se diz
só o que se ouve
Receio?!
Todos os caminhos,
todas as teclas
conduzem à melodia
ANO: 1998
VISÃO SENTIMENTAL
saber demais
querer que siga
correr atrás
de uma liga
uma paz
então me diza
o que se faz
quando se liga
a algo mais
Ser profissional
dizer a verdade
realidade total
digna da sociedade
visão sentimental
não tem idade
uma vida fatal
sem maldade
Querer, ser,
poder, fazer,
manter, crescer,
saber, dizer,
perder, ter
enfim, viver...
ANO: 1994
RETALHOS
nos lugares que ninguém viu
penetrar, depois brincar
nessas águas evaporar
toda a paixão
então, dizer, algum lugar
onde as cores dançam à sós
e pedir mais atenção
na imensidão
dance comigo, vou te mostrar
a minha vida,
vais concordar,
todos falam
e desabafam
na porta desse salão
então me diga, meu querido:
ficar onde essa noite?
Se meu quarto
tem seu retrato
colorido de tanto amor
se ficares nesta sala
levarei a tua fala
para o mundo
Diga-me que vais dançar
e vais cantar, girar, voar
feches os olhos
e imagines
nós,
cisnes,
o mundo,
uma explosão
ANO: 1998
PERDIDOS NO NADA
pelo menos uma vez em vida
acaba a agonia
começa a melancolia
os nossos desejos
afogam-se em vácuo
nos limitamos a respirar
nos sentimos únicos
perdidos no nada
cada vez mais
o nada se apaga
enfim,
é possível acordar
de um sono profundo
respirar a energia do mundo?
ANO: 1993
LOUCURA
nesse mundo agora?
Por que a gente chora
quando tudo mudo?
Será que ninguém vê
que nem sempre
deve-se agir assim?
Loucura?
ANO: 1995
DOR
tão selvagens quanto o real
são ondas de desentendimento,
lei do mais forte
somos ventos feitos de areia
em que tempo bate e desmancha
somos homens
feitos de sonhos selvagens
são segredos inatingíveis, ilegíveis
o mundo é da cor do mundo,
em que anos passam,
sonhos mudam e o tempo leva
como as águas da correnteza
que, quanto mais quieta,
mais engana
são todos...
são selvagens...
ANO: 1996
QUINTANAS
tenho 20 e sou dependente
sinto-me triste, meio demente
mas não sou inútil
sinto-me fútil
cansei de andar pelo mesmo caminho
quero voar como passarinho
ou quem sabe
ir para a Espanha
ou morrer nos braços
de Quintana *
*Duas pessoas com trabalhos insuperáveis: o poeta, sensível e talentoso, Mário Quintana e o grande músico Roland Orzabal de La Quintana, ambos com raízes no Rio Grande do Sul. Serão parentes?...
ANO: 2003
SEM RIMA
somos subprodutos da merda
colecionamos resíduos de nós mesmos
vivemos inventando, consumindo
consumidores de enlatados
detritos matrimoniais
sexo à distância
borracha siliconada
línguas de fogo
estágio avançado
num papel quadriculado
nostalgia e agonia
ambíguas visões
delinquência
prisões ilusionistas
ventres comprados
cobras da sociedade
bomba da humanidade
ANO: 1993
FRIO
um mundo com folhas amarelas
um mundo violento e sombrio
cheio de angústia e frio
As selvas são cinzas
são fortes e concretas
o homem podou as vivas
e construíu outras de pedra
Mataram os cavalos
e fizeram ferro com rodas
o achavam muito parado
mas, depois o homem chora
Não usam diálogo agora
substituiram por TV
e tem quem compre horas
é loucura querer entender
Moramos em selvas concretas
andamos nos ferros com rodas
assistimos TV todo dia
cheiramos ao frio que nos guia
ANO: 1993
COMO MEUS PAIS DIZIAM
"Menina direita não brinca de carrinho"
"Menina direita brinca com boneca"
"Menina direita não fala nominhos"
"Menina direita não usa cuecas"
Ela só não disse:
"Seja criança ao seu próprio modo,
liberando fantsias e emoções,
nunca faça dos sonhos ou realidade
eterna e inúmeras prisões"
Meu pai dizia:
"Menina de família não volta tarde da rua"
"Menina de famílias tem um namorado só"
"Menina de família não se mistura com perua"
"Menina de família tem que seguir seu pó"
Ele só não disse:
"Seja feliz como for melhor
sabendo das consequências e precauções
se quiser lhe tiro dúvidas
e lhe ensino prevenções,
respeito sua privacidade
porque o que me importa
é sua felicidade"
Minha mãe dizia:
"Menina de sociedade tem dever de casar pura"
"Menina de sociedade tem dever em ser fiel"
"Menina de sociedade tem seus filhos e marido"
"Menina de sociedade tem que conter seu libido"
Ela só não disse:
"Se solte, aprenda a amar
só não se iluda para não chorar
pois nada dura para sempre
viva os momentos sem se amarrar"
Todos diziam:
"Você vai ter netos, filhos, família,
você vai ser mulher como manda a tradição
não vai existir visão ambígua
use sua vida esmagada como sedução
Somos máquinas que já nascem
com um escrito futuro
temos que pular esse mudo
aceitamos essas leis
porque é fácil fazer o que se diz
do que criar e lutar
para viver em paz e ser feliz
ANO: 1994
Comentários (5)
Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.
Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.
Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.
Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.
Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: cacal.ortiz@hotmail.com (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber
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