Lista de Poemas
O outro lado da floresta
Seguiremos pelo outro lado da floresta
talvez haja perigos demais para que me mantenha
impassível. Qual parte recortada no jornal
escreve sobre o lado da história que não se repete?
No fim, sua escolha é apenas mais uma
feito dizer flor alheio sem querer-se ingênuo
ou como se fosse a primeira vez que pisamos
nessa zona fantasmagórica de rosas. O mundo
não vale o mundo? Jogo.
Eu não jogo, deixo o corpo
como quem se despe ocultamente.
Não é preciso fechar as mãos
como ato de proteção
saber abrir dedo por dedo tocar
essa curvatura, apanhar migalhas
nesse sótão, apalpar o mundo
dispensando a luz elétrica baixar o tom
como quem ouve algumas mortes
encontrar-se dentro da terra
cavar origens curar o dom
para despossuir-se.
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Sem os vícios
Era bom sem os vícios para encarar o poema com luvas cirúrgicas.
Bom mesmo, estancar o corte para alguma função específica
da lucidez ou da solidão e drenar parte por parte
para lembrar que apesar da faca a foice do tempo
ilude os caminhos dos passos para o outro lado.
Bom sem os vícios, atravessar o lado avesso do poema
como quem cria linhas geométricas de esquecer
lugar sobre lugar até iludir a si sobre seres voluntários
que habitam um hotel periférico da memória.
Ser feito intimidade que não se deixa devastar
pelo vício do calcário de afogar-se em corais
seria o vício da dor entre o instante e o nada
qualquer desvio da natureza? Bom sem os vícios,
para pronunciar em voz alta suas fraturas
curvar-se até o cortejo do insuportável
sedimentar àquele silente a aprendizagem
de quem caminha com a visão distante.
Bom mesmo, estancar o corte para alguma função específica
da lucidez ou da solidão e drenar parte por parte
para lembrar que apesar da faca a foice do tempo
ilude os caminhos dos passos para o outro lado.
Bom sem os vícios, atravessar o lado avesso do poema
como quem cria linhas geométricas de esquecer
lugar sobre lugar até iludir a si sobre seres voluntários
que habitam um hotel periférico da memória.
Ser feito intimidade que não se deixa devastar
pelo vício do calcário de afogar-se em corais
seria o vício da dor entre o instante e o nada
qualquer desvio da natureza? Bom sem os vícios,
para pronunciar em voz alta suas fraturas
curvar-se até o cortejo do insuportável
sedimentar àquele silente a aprendizagem
de quem caminha com a visão distante.
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O misterioso seja quem for
O misterioso seja quem for.
sabemos de mim
embora bem pouco
o mediador notório entre eu e a gente
o misterioso seja quem for: você.
Dentro do enigma me comporto
confirmo quem sou e vou
adiante dentro do leque
leve sendo leme leste.
sabemos de mim
embora bem pouco
o mediador notório entre eu e a gente
o misterioso seja quem for: você.
Dentro do enigma me comporto
confirmo quem sou e vou
adiante dentro do leque
leve sendo leme leste.
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Comentários (1)
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miguel_damas
2018-03-27
Ui tão forte cada palavra, um mar de sabedoria e simpatia...adorei. beijos
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