Lista de Poemas

Tenta fazer hoje -

Os versos que estavam perdidos - cpfeio

Em 2009, numa homenagem aos Bombeiros de Carcavelos e S. Domingos de Rana, numa intervenção que tive, disse…

…e quando um dia percebemos que as nossas ocupações são insignificantes, as nossas profissões embrutecedoras e desligadas da vida, porque não, então, continuarmos a olhar para tudo como uma criança, como que a olhar para algo que não é familiar, das profundezas do nosso próprio mundo, para fora da nossa solidão, que é por si só trabalho, condição , vocação ?

Quem  escreveu  foi RAINER MARIA RILKE, grande poeta da língua alemã, embora fosse checo, em 1903.

Depois de ter feito mais algumas considerações e ter dito um primeiro poema, terminei com outro, que vos confesso já não me lembrava ter feito expresso, para a ocasião! É o bom de haver registos - a memória não dá para tudo -

Tenta fazer hoje

 

 

cada boa acção vale por si


ser notada ou vista
não importa – é mais uma –


em algum local desta galáxia
será registada como um acto

único,  enorme


do tempo nada sabemos

dos princípios e dos fins,
temos a magia do conforto –

 

na crença num bem maior,

uma cálida noção –

 

serve o teu semelhante,

pratica uma boa acção

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a noite dos globos


vejo desfilar um Portugal

e vejo-me nessa multidão

vou respirar não só fundo

mas também prolongadamente

somos feitos dos filmes que vemos

e das peças teatrais que choramos e rimos

há música suave que vem para nós

o ritmo acelera e o coração aquece

passam os rapazes elegantes

oscilam as ancas as mulheres bonitas

e é quando me lembro de ti

és a mulher portuguesa, a que amo

que sabes tu de mim?

que te darei alegrias? talvez

que me farás feliz? certamente

a noite que há pouco era de lua

é agora de trevas, de ausência

 

vejo desfilar um Portugal

na terra que aqui está

com avanços e recuos do mar

terra e mar sempre presentes

pela idade que tenho

posso falar das gentes

das ruelas de Lisboa

dos caniços dos matos africanos

cercanias do Tâmega

saloios de Montachique

dos moinhos de Gavinhos

do Tejo onde nasci

do Sorraia que me vai nas veias

e contra a corrente

do Douro que ao contrário da vida

para mim corre da foz para montante

 

carlos peres feio – 2011




 

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Gorducha


se fosses gorda

 

tivesses um lacinho

 

ao pescoço

 

esfregasses mesas

 

num bar de autoestrada

 

e eu fosse livre

 

iria tomar um café


curto

 

como seria o nosso romance

 

Carlos Peres Feio  -  1994

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