a noite dos globos


vejo desfilar um Portugal

e vejo-me nessa multidão

vou respirar não só fundo

mas também prolongadamente

somos feitos dos filmes que vemos

e das peças teatrais que choramos erimos

há música suave que vem para nós

o ritmo acelera e o coração aquece

passam os rapazes elegantes

oscilam as ancas as mulheres bonitas

e é quando me lembro de ti

és a mulher portuguesa, a que amo

que sabes tu de mim?

que te darei alegrias? talvez

que me farás feliz? certamente

a noite que há pouco era de lua

é agora de trevas, de ausência

 

vejo desfilar um Portugal

na terra que aqui está

com avanços e recuos do mar

terra e mar sempre presentes

pela idade que tenho

posso falar das gentes

das ruelas de Lisboa

dos caniços dos matos africanos

cercanias do Tâmega

saloios de Montachique

dos moinhos de Gavinhos

do Tejo onde nasci

do Sorraia que me vai nas veias

e contra a corrente

do Douro que ao contrário da vida

para mim corre da foz para montante

 

carlos peres feio – 2011




 

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