Lista de Poemas

A noite não está clara hoje...

Que triste a identidade sem alteridade
Como veria o mundo,
se fosse tudo da mesma cor?
Como perceberia um cheiro,
se tudo exalasse o mesmo odor?
Como sentiria o clima,
se tudo emanasse o mesmo calor?
Como teria na boca o gosto,
se tudo tivesse o mesmo sabor?
Como me tocaria a música,
se o seu tom nunca mudou?
Como reconheceria a si,
Se ao outro nunca encontrou?

Se nada vejo além de mim,
então, sou tudo!
Se tudo tão pequeno sou,
então, meu tão pequeno tudo sou!

by E.
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Que tarde agradável hoje ...

Não vejo os passo que deixei na areia
As ondas do tempo já as levaram
Mas a praia não é mais a mesma
levo parte dela sob meus pés

Saudades dos dias que não voltam
Misturada aos dias que não virão
Uma trilha apagada pelas águas
Já não mostra de volta o caminho 

Os efeitos sozinho não se leva
De escolhas indeléveis que nos marcam
Partilhados como a luz que nos nutre
Dado o encontro, deles não escapam

by E.
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O dia hoje está nublado...

Me encontro na alteridade
que não proferi de mim mesmo
Tão verdadeiras palavras

Conhece-me em ti
reconheço-ti em mim
irmão nas dores sofridas
presentes em cada partida

Já não me sinto tão só
mas só ainda gostaria de estar
não apenas nos devaneios do pensar
mas no horizonte a contemplar

by E.
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Esta noite poderia ser fria...

Vejo de retalhos uma colcha
tão diversos em cores
como num mundo de sabores

das já desmembradas formada
as memórias mantém preservadas
ainda que de maneira transformada

por várias mãos costurada
de muitos tecidos remendada
uma obra ainda inacabada

De sempre ser continuada
Permanece também necessitada
até também ela ser desmembrada

Mas que graça tão apreciada
Em outras colchas já amadas
ser por seus retalhos eternizada

by E.
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Hoje o dia não está quente...

Gosto de pensar em linhas
linhas tortas e divertidas
muitas vezes até perdidas
mas, não retas e monótonas
que não vão além do mesmo tom.

Linhas que proseiam
Linhas que verseiam
Linhas herdadas
Ou simplesmente partilhadas.

No oculto das memórias de papel
como abaixo de um véu
não tenho tinta em minhas mãos
nem busco uma impressão
apenas aprecio o voar
nas imprevisíveis nuvens do pensar

by E.
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O dia esta quente hoje...

Me sinto entre quatro mundos,
bem, quatro mundos possíveis,
pareço feliz em cada um deles,
mas a realidade me puxa de volta,
ah! Tão fria e implacável realidade,
mas o que és tu para desiludir-me de meus sonhos,
por que me mostra a cada dia um mundo deslocado,
tão diferente dos meus,
e, apesar disso, inevitável...
fadiga-me mais que o calor,
este fatídico vislumbre de onde estou,
sempre só, apesar de sempre acompanhado,
se, ao menos, a solitude acompanhasse a solidão,
mas, sinto-me só em meio a multidão.

by E.
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Hoje o vento está confuso...

Oi E. Por quê?

Estava pensando em quem tem tituluá.

E eu estava pensando em quem tem tituluó.

Dizem que tituluá gosta de tituluó.

E dizem que tituluó gosta de tituluá.

Vi um tituluá gostar de tituluá.

E vi um tituluó gostar de tituluó.

Então o tituluá é tituluó?

E o tituluó é tituluá!

Mas se tituluá também gosta de tituluá?

Então tituluá também é tituluó!

Então os dois são tituluó?!

E os dois são tituluá!

Ah! Porque tituluá gosta de tituluó!

Eles são todos tituluê.

Então, porque tituluá e tituluó?

Porque tituluê vem do tituluá-tituluó.

 

By E.
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Hoje o luar resplandece...

Vejo um sonho em botão

De uma semente a tanto lançada

De lágrimas às vezes regada

Sob o forte Sol judiada

À noite é então revigorada

 

Por uma mão foi plantada

Por outras já apreciada

Esta quase flor desejada

Espero ver desabrochada

 

Minha alma já alegrada

Pela essência dela exalada

Se encontra, pois, agitada

Pela abertura não vislumbrada

 

By E.
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A tarde hoje está tão quente ...

Um breve devaneio de minha mente
De repente é como se não...
de repente? Que repente?
Talvez um repetente
ou talvez um retente
bem, tente e retente

mas estou cansado deste repente
que sempre me diz tente
e mais uma vez retente

talvez seja minha mente
que esteja tão dormente
que até agora me mente

by E.
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A manhã está fria hoje...

Nem boa, nem má se apresenta
Vejo no fio de seu gume a essência
Para alguns aquela que alimenta
Mas quando chamada de branca se mancha
Do forte vermelho que sustenta

Do corte se vê o poder
No instrumento que a ele provê
Para na busca dos brancos sinais
Não de água os solos regais

Quão nebulosa descrição
Construída nesta comparação
Talvez lhe deva elucidação

Da afiada lâmina à Política
À mão deve-se a escolha lícita

by E.
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