Escritas

Lista de Poemas

Entra pela janela




Se eu não te abrir a porta,
entra pela janela.
Mas vem cantando, ou derramando a tua voz pelos alicerces da minha casa,
para que eu te oiça ao longe e comece um ritual de encantamento.
Eu não sou Circe,
nem me cercam os falcões mortais,
mas sou feiticeira escondida no feitiço da vida.
Diz o meu nome bem alto mesmo que se assustem as estrelas,
para que o meu coração adormecido se desperte,
se revele e se contente com a tua presença.

Procura-me.
Eu estou escondida lá onde os sonhos vão morrer
e a Lua nada tem de poético.
É só um penedo redondo, pendurado no céu,
que nem luz própria tem e serve para incendiar poetas.
Escondi-me no riso breve das borboletas,
no voo da andorinha que caiu morta nas nuvens.
Escondi-me por debaixo dos teus olhos de bruxo para que me não vejas,
esquecida de quem sou.
Escondi-me para lá do canto dos namorados
e do cio dos amantes clandestinos.
Adormeci debaixo do próprio mundo
onde o inferno não é mais do que um coração deserto.

Se eu não te abrir a porta,
entra pela janela,
e vem pela casa adentro, aos tropeções, a bater os pés,
gritando o meu nome de mulher.
Porque virá o dia em que não haverá mais lugar p'ra me esconder.
E na tua voz viverei,
na tua luz me hei-de deitar
e acordar enroscada na palma da tua mão,
no canto alegre dos teus dias.

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Abismo





Porque entre os teus lábios profanos
nasce a loucura que me devassa a vontade,
eis os labirintos de volúpia onde me perco
em busca de promessas de amor.

Mas nesse abismo sensual
colho o teu silêncio também,
porque as palavras que nunca me dirás
guardam os segredos que eu quero ouvir.


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Minha estrela cadente



E se te cansares de brilhar no teu céu,
satisfaz o meu desejo:
cai nos meus braços!



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Alma gémea




Quando o céu ainda não tinha nome
e a Terra era apenas uma promessa,
chamei por ti da alvorada das estrelas.

Ainda os deuses dormiam no limbo
e a sua vontade não rasgava universos,
chamei por ti na madrugada dos tempos.

A voz se me perdeu nos ventos de Samsara
e na alma eterna tatuei o teu nome,
porque mesmo no silêncio mortal chamarei por ti.

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Bene Ha Elohim




Filhos da rebelião da luz,
de olhos postos no abismo,
centelhas de fogo que tudo alcançam,
que implodem e se consomem num só coração.

A queda das asas precipitou-vos na terra fria,
no ventre mais escuro.
Dos rostos de luz sobraram sombras vigilantes
que se escondem entre a obra de Elohim.

Força feroz e invasora,
essência dispersa da centelha divina,
criadores guerreiros ou magos celestes,
semente disseminada em segredo,
poeira cósmica dos Nephilim ancentrais,
filhos das estrelas que somos nós.


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Teus olhos de amado




"Ô bien-aimée, quels yeux tes yeux..."


Teus olhos aprisionaram os meus.
Cruelmente.
Inexoráveis e fatais.
Teus olhos se apossaram de mim
e eu me apossei dos teus.
Rebelde eu sou.
Insubmissa.
Mas faço do teu olhar minha vontade!
Teu olhar envolve-me.
Atormenta-me.
Em teia fatal me enleia.
É bandido o teu olhar:
rouba os meus segredos,
viola os meus sentidos...
Acende-me e incendeia-me.
Num único lampejo,
teus olhos se dissolvem,
tecendo estradas de luz no meu desejo.
Erótico,
sensual,
teu olhar fatal
permanece muito aquém do bem
e insiste para além do mal.
Teus olhos têm o segredo de saber revelar.
E é de pecado feito o teu olhar.
Mas não faz sentido
teu olhar de perseguido
aprisionar o meu!
Fascinação amor,
é apenas e tudo isso.
Paixão.
Insuportável.
Inexplicável, sim, também.
Mas,
nesse olhar
malvado,
maroto,
atrevido,
eu sinto e vejo,
teu desejo,
meu sentido,
crescer em mim,
ser toda eu,
e nesse instante, amor,
o teu olhar já não é teu.
É meu!


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Comentários (7)

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lanna
lanna
2025-11-07

rapaz

lanna
lanna
2025-11-07

rapaz

robertinho de roberto
robertinho de roberto
2024-10-21

preso ao padrão parnasiano, que controla o rigor da norma poética perfeita em detrimento da livre expressão do Autor! R

Andreina
Andreina
2018-09-29

Muito bom!

rinaldo
rinaldo
2018-08-02

chato