Lista de Poemas

Depois de ti

Já viste como é triste?
Um mundo sem ti,
No silêncio da noite 
No frio da madrugada 
Faltas tu


Já viste como é triste 
Um mundo sem ti,
Estou tão perdida 
Podia gritar 
Faltas tu 


Já viste como é triste?
Um mundo sem ti,
O Sol foi para trás das nuvens 
Para esconder a cara e chorar,
Faltas tu.
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Sinal

Caminho sem rumo 
Arrastando os meus pés,
Tropeçando na calçada 


As lágrimas turvam-me a visão 
Falta-me o ar 
Grito o teu nome 
Mas não o ouço,
Não me ouves 


De joelhos olho para o céu 
Iluminado pelas estrelas 
E ao perguntar-me onde estarás 
Confronto a minha solidão,
O meu desespero 


Ao levantar-me 
Sinto o sangue escorrer pelas minhas pernas 
E ao secar as lágrimas 
Sinto o teu toque.


Ouviste-me.
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Marido

Sou mulher para lavar 
Lavar A tua roupa
Lavar o teu corpo
Mas não sou mulher para falar


Sou mulher para consolar
Consolar-te na tristeza
Consolar-te no desespero
Mas não sou mulher para ajudares


Sou mulher para amar
Amar as tuas virtudes
Amar os teus defeitos
Mas não sou mulher para acarinhares


Sou mulher para acompanhar Acompanhar-te na velhice
Acompanhar-te na doença
Mas não sou mulher para agradeceres


Sou mulher para educar
Educar os nossos filhos Educar os nossos netos
Mas não sou mulher para votar


Diz-me, marido,
Porque casaste comigo
Já que eu não sou mulher,
Sou escrava do teu violento coração.

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Saudade

Como sinto falta da tua cabeça 
Cheia de sonhos, deitada no meu colo
Mas que foi perdendo a lucidez 
E se partiu com a queda 


Como sinto falta dos teus cabelos 
De neles passar a minha mão
Mas que foram perdendo a cor 
E se despentearam com a queda 


Como sinto falta dos teus olhos 
Brilhantes e redondos, como os meus 
Mas que se foram enchendo de lágrimas,
Espelhando a tua alma triste 
E se fecharam com a queda 


Como sinto falta dos teus lábios 
Que me beijavam a face 
Mas que se tornaram secos 
E se rasgaram com a queda 


Como sinto falta do teu sorriso 
Doce e contagiante 
Mas que se tornou falso,
Um esconderijo para a tua tristeza 
E se partiu com a queda 


Como sinto falta dos teus braços 
Que me acolhiam e sufocavam de amor 
Dos teus abraços que me encurralavam 
Mas que foram perdendo a força 
E me soltaram com a queda 


Como sinto falta da tua voz 
Que gritava de amor 
Mas que se tornou rouca 
E se calou para sempre com a queda
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Palavras

De lágrimas nos olhos 
Escrevo estas palavras,
Estúpidas palavras 
Cuspidas para este papel molhado 


Eras muito mais do que palavras 
E por isso pergunto-me porque as escrevo 
Mas não sei que faça mais 


Oh, meu amor 
Meu bem 
Como vivo eu sem ti?
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Fantasma

Sozinha no meu quarto,
Na minha solidão 
Aguardo a tua vinda 


Vens de mansinho 
Entras pela fechadura da porta 
E a janela entreaberta 


Estás aí? 
Pergunto-me se és mesmo tu 
Ou só mais um fruto da minha louca mente 


Tomas o meu corpo, 
Beijas as minhas lágrimas,
A tua mão entrelaça-se com a minha 


Queria que o tempo parasse,
Mas partes subitamente 
E eu volto à minha triste existência
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És tu?

És tu, meu amor,
A minha razão de viver
Ou a que me faz querer morrer?


És tu, meu amor,
A origem da minha felicidade 
Ou a causa da minha insanidade?


És tu, meu amor,
A força que me faz respirar 
Ou a que me mata ao sufocar?


És tu, meu amor,
Quem move esta caneta 
Ou quem me a tira das mãos?
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Mors Liberatrix

Estou deitada,
Imóvel sobre a cama,
O meu corpo frágil
Pesa sobre o colchão,
Os lençóis velhos
Irritam a minha pele,
Sinto tudo à minha volta


O frio do inverno
Inunda o quarto,
Sinto-o a arrefecer-me os pés
A percorrer as minhas pernas
A arrepiar-me a espinha
Até chegar à minha cabeça,
Congelando os meus pensamentos


A luz amarela do candeeiro
Cega os meus olhos,
Sinto-os pesados
As minhas pálpebras fecham-se lentamente
Entrelaçando as minhas pestanas
Que trancam o meu olhar para sempre


O meu coração
Bate cada vez mais lento,
Sinto-o no meu peito
Como um sino de igreja
Que desvanece depois de doze badaladas,
Silenciando a noite


Estou presa,
Presa nesta cama
Presa pela velhice
Que me paralisa o corpo
Mas sinto-me livre
Sinto-me a levitar


Deixo para trás o meu corpo
A prisão do meu espírito
E encontro a paz
Desbloqueada pela morte
Com o meu último suspiro
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Comentários (1)

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camila_duarte
2020-02-20

A tua poesia é tão preciosa como tu