Hoje faz 54 anos do nascimento de Avidaamar
Avidaamar

Avidaamar

n. 1972 PT PT

Mais um debaixo do sol...

n. 1972-04-30, 30-04-1972

1 508 Visualizações

A doce companhia

Anjinho da guarda,

minha doce companhia,

guardai a minha alma

de noite e de dia…

Era luz que tudo revelava,

tudo recriava, em doçura.

Matéria e espírito, unidos,

como o cordel

ao pião em vertigem pura.

Vivia-se.

Que razão? Que pensar em ser feliz?

Brincadeiras, letras, traços, números…

o tempo não cabia na equação;

pousado, ficou para trás.

Estar vivo e pensar, nada trouxe;

apenas aquela memória

que faz pulsar, de leve…

que aconchega.

Único,

sob as asas

de um guardião,

suspenso sobre mim.

Ler poema completo

Poemas

15

Amor

Amor
rima com esplendor;
desaparece e reaparece,
traz dor.

 

Amor
rima com valor;
Não se compra, nem se paga;
vem como vaga,
cheia de fervor.

 

Amor
rima com flor;
Dá e reparte,
não se parte,
traz calor.

121

Além

Horizonte reto

linha Terra ondulante

plano, e teto

azul distante

 

Do chão, um pulsar

do quente, alastram mil dorsos

mil cascos a galopar, galopar...

 

A eles... a eles!

Venham crentes

Venham reles

 

Vencedores na Terra

Pobre Povo

Nação imóvel e mortal

 

No fim, silêncio vasto

e pasto.

128

Botim

Chuva, lama — botim lasso

lages, salpicos — o riacho.

Na outra margem, passo a passo

procuro um abraço. 

 

Perdido, achado,

mordido, empurrado,

lambido, amado —

botim de cano apertado.

 

No riacho ficou... 

Quem o abandonou?

O botim que sobrou, 

até hoje chorou.

112

Pequenino

chora, pequenino, chora…
brincas com pensamentos?
espreitas para lá
de onde o além mora,
chafurdas em lamentos?

 

pensas num mote,
um Buda com saber,
entrado no bote,
difíceis tempestades a vencer.

 

não… meu pequenote, Ulisses não és;
para Deus falta-te tudo:
a alegria, a quietude, uns pés,
sua estátua de veludo.

 

avisei-te, meu querido:
não queiras reinventar o amor,
já deves ter sabido
qual o teu valor.

 

para ti, o silêncio do nada,
sussurro das ondas,
luzes da alvorada,
carícias longas e profundas…

139

Nada

É noite,
para longe de mim
brisa e asas;
branco sagrado,
orvalho — fresco, transparente;
pluma e pérolas,
leve, solto, livre.

Viajo suspenso, inerte,
longe do nada.
Rumo ao fim
e, depois,
igual ao lugar de onde vim.
Já é madrugada.

113

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.