Escritas

Biografia

Designer, Cartunista, Mais Observador que Absorvedor, Criativo, Emotivo, Amante do Belo.

Lista de Poemas

Total de poemas: 7 Página 1 de 1

Pedra filosofal

Permanecer estátua, ausente por fora.

O toque da eternidade sussurra

entre vales de contentamento.

 

Terra, lama, água, vida.

Sons de outrora acicatam os sentidos.

Olho em volta: nada.

Ausência incompleta – vazio e busca.

 

Ser marmóreo, coração de carne.

Tuas veias secaram há muito.

Teu querer pulsa.

A lava brota. A crosta revela

Um querer desmedido, inconsolável.

 

Horizontes que limitam.

Profundidades infinitas que ecoam, refletem.

Desperto: Pedra a filosofal.

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Pérola

Cansaço este, que tolhe o meu pensamento —
outrora fonte, hoje solo gretado.
Que monotonia.
Que paleta de dois tons:
falta de contraste
que cega,
entorpece,
sufoca a consciência.

 

Pudera romper
as amarras titânicas que me comprimem
com o malho do Deus Trovão!
Pudera purgar
a negritude do meu ser
pelas narinas —
qual extrema-unção —,
embalsamado,
enfaixado,
mumificado.

 

Pudera raspar
a gordura imunda que me cobre
com mãos e unhas,
qual espátula!

 

Ungido e purificado,
reduzido
a cinza cálida,
então gritar ao Altíssimo!
Gritar
todos os ais do mundo!
Provocar
o ciclone dos Apocalipses,
a colisão de todas as galáxias,
a fusão
dos universos existentes
e vindouros!

 

Obter
uma única gota,
a única gota
caída desse alambique —
mecanismo panmorfista,
destilando o infinito,
destilando o eterno,
destilando o impossível.

 

Gota de mel
que se fossilizará
após a morte de tudo,
formando uma pérola —
uma pérola
que acrescentarei ao teu colar,
meu amor,
meu eterno amor.

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Amor

Amor
rima com esplendor;
desaparece e reaparece,
traz dor.

 

Amor
rima com valor;
Não se compra, nem se paga;
vem como vaga,
cheia de fervor.

 

Amor
rima com flor;
Dá e reparte,
não se parte,
traz calor.

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Nada

É noite,
para longe de mim
brisa e asas;
branco sagrado,
orvalho — fresco, transparente;
pluma e pérolas,
leve, solto, livre.

Viajo suspenso, inerte,
longe do nada.
Rumo ao fim
e, depois,
igual ao lugar de onde vim.
Já é madrugada.

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Pequenino

chora, pequenino, chora…
brincas com pensamentos?
espreitas para lá
de onde o além mora,
chafurdas em lamentos?

 

pensas num mote,
um Buda com saber,
entrado no bote,
difíceis tempestades a vencer.

 

não… meu pequenote, Ulisses não és;
para Deus falta-te tudo:
a alegria, a quietude, uns pés,
sua estátua de veludo.

 

avisei-te, meu querido:
não queiras reinventar o amor,
já deves ter sabido
qual o teu valor.

 

para ti, o silêncio do nada,
sussurro das ondas,
luzes da alvorada,
carícias longas e profundas…

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Além

Horizonte reto

linha Terra ondulante

plano, e teto

azul distante

 

Do chão, um pulsar

do quente, alastram mil dorsos

mil cascos a galopar, galopar...

 

A eles... a eles!

Venham crentes

Venham reles

 

Vencedores na Terra

Pobre Povo

Nação imóvel e mortal

 

No fim, silêncio vasto

e pasto.

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Botim

Chuva, lama — botim lasso

lages, salpicos — o riacho.

Na outra margem, passo a passo

procuro um abraço. 

 

Perdido, achado,

mordido, empurrado,

lambido, amado —

botim de cano apertado.

 

No riacho ficou... 

Quem o abandonou?

O botim que sobrou, 

até hoje chorou.

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