Lista de Poemas
Poema Antidepressivo
Em frente ao espelho
Olhando-te bem nos olhos
Começando com ar grave
Progredindo sorridente
Terminando triunfante
Mas sempre crente
Pausadamente
Fala contigo:
Sim!
Sim, tu!
Na realidade...
És capaz,
Vais à luta,
És único,
És deus,
És amado,
Estás... Vivo!...
Este procedimento deve ser diário
Mas apenas resulta mediante duas condições:
Competires apenas contigo próprio
Lutares juntamente com o teu semelhante
Olhando-te bem nos olhos
Começando com ar grave
Progredindo sorridente
Terminando triunfante
Mas sempre crente
Pausadamente
Fala contigo:
Sim!
Sim, tu!
Na realidade...
És capaz,
Vais à luta,
És único,
És deus,
És amado,
Estás... Vivo!...
Este procedimento deve ser diário
Mas apenas resulta mediante duas condições:
Competires apenas contigo próprio
Lutares juntamente com o teu semelhante
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Um homem como nós
A José Saramago, com as suas próprias palavras.
Tu foste um homem como os outros: sonhaste. No fundo, não inventaste nada. Foste apenas alguém que se limitou a levantar pedras e a pôr à vista o que estava por baixo delas. Não é culpa tua se de vez em quando de lá saíram monstros. Não se pode trabalhar num esgoto sem cheirar a esgoto. Cegueira também é viver num mundo onde se tenha acabado a esperança. Se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos, façamos tudo para não viver inteiramente como animais. Sem futuro, o presente não serve para nada, é como se não existisse. Pode ser que a humanidade venha a conseguir viver sem olhos mas então deixará de ser humanidade.
De tudo isto nos avisaste, antes de partires. Mas a nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida. Ou, sequer, o que fazer com as tuas palavras. Que continuam aí, mais vivas que nunca, a lembrar-nos que dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa somos nós.
Tu foste um homem como os outros: sonhaste. No fundo, não inventaste nada. Foste apenas alguém que se limitou a levantar pedras e a pôr à vista o que estava por baixo delas. Não é culpa tua se de vez em quando de lá saíram monstros. Não se pode trabalhar num esgoto sem cheirar a esgoto. Cegueira também é viver num mundo onde se tenha acabado a esperança. Se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos, façamos tudo para não viver inteiramente como animais. Sem futuro, o presente não serve para nada, é como se não existisse. Pode ser que a humanidade venha a conseguir viver sem olhos mas então deixará de ser humanidade.
De tudo isto nos avisaste, antes de partires. Mas a nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida. Ou, sequer, o que fazer com as tuas palavras. Que continuam aí, mais vivas que nunca, a lembrar-nos que dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa somos nós.
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Carta ao Zeca
(Com as palavras que ele nos deixou)
Tu querias que esta fosse
uma terra da fraternidade,
uma cidade sem muros nem ameias,
com gente igual por dentro
e gente igual por fora.
Mas tu sabias como era a lei
nesta terra em que quem trepa no coqueiro é o rei,
nesta terra em que eles comem tudo,
comem sempre tudo,
e não deixam nada.
Por isso nos chamavas:
- Venham mais cinco! Traz outro amigo também!
E cada um de nós respondia-te,
com a coragem e a força que nos davas:
- A gente ajuda, havemos de ser mais, eu bem sei...
Partiste.
Passaram já tantos anos
Mas parece que foi ontem!
Parecerá sempre que foi ontem,
porque as tuas palavras, as tuas canções, o teu exemplo,
continuam connosco a dizer-nos
que o que faz falta é avisar a malta,
porque o pão que muitos comem ainda sabe a merda,
porque continua a haver infância que nunca teve infância,
porque ainda há homens que dormem na valeta.
- Mudem de rumo! Mudem de rumo!
- Que a voz não vos esmoreça! Vamos lutar! - pedias.
É isso que faremos. Enquanto há força!...
Tu querias que esta fosse
uma terra da fraternidade,
uma cidade sem muros nem ameias,
com gente igual por dentro
e gente igual por fora.
Mas tu sabias como era a lei
nesta terra em que quem trepa no coqueiro é o rei,
nesta terra em que eles comem tudo,
comem sempre tudo,
e não deixam nada.
Por isso nos chamavas:
- Venham mais cinco! Traz outro amigo também!
E cada um de nós respondia-te,
com a coragem e a força que nos davas:
- A gente ajuda, havemos de ser mais, eu bem sei...
Partiste.
Passaram já tantos anos
Mas parece que foi ontem!
Parecerá sempre que foi ontem,
porque as tuas palavras, as tuas canções, o teu exemplo,
continuam connosco a dizer-nos
que o que faz falta é avisar a malta,
porque o pão que muitos comem ainda sabe a merda,
porque continua a haver infância que nunca teve infância,
porque ainda há homens que dormem na valeta.
- Mudem de rumo! Mudem de rumo!
- Que a voz não vos esmoreça! Vamos lutar! - pedias.
É isso que faremos. Enquanto há força!...
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Cantiga
Sol maior
Sinfonia de cor
De luz e calor
Leva a melancolia
Desta toada menor
Que nos enche de dor
E nos tira a alegria
Sinfonia de cor
De luz e calor
Leva a melancolia
Desta toada menor
Que nos enche de dor
E nos tira a alegria
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Do Corpo e da Alma
Ao corpo
(Mesmo se imagem apenas)
Lascivo e semi-desnudado
No mais absoluto silêncio
Assim, sem palavras
Mas tão eloquente, sugestivo, tentador
É difícil ser insensível.
Nós teremos alma
E podemos ter sido feitos
À imagem e semelhança de um deus
Mas não somos santos.
O pecado mora dentro de nós.
Livrai-nos senhor de todo o mal
Mas deixai-nos cair na tentação de sermos felizes
Neste vale onde as lágrimas às vezes são demais.
É um direito que nos assiste.
(Mesmo se imagem apenas)
Lascivo e semi-desnudado
No mais absoluto silêncio
Assim, sem palavras
Mas tão eloquente, sugestivo, tentador
É difícil ser insensível.
Nós teremos alma
E podemos ter sido feitos
À imagem e semelhança de um deus
Mas não somos santos.
O pecado mora dentro de nós.
Livrai-nos senhor de todo o mal
Mas deixai-nos cair na tentação de sermos felizes
Neste vale onde as lágrimas às vezes são demais.
É um direito que nos assiste.
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A felicidade
Do corpo não falo
(Momentos há em que
Não é ele que me chama).
Gosto de um rosto
Puro luminoso
Onde a serenidade do olhar
E a doçura do sorriso
Não mentem:
A felicidade existe.
(Momentos há em que
Não é ele que me chama).
Gosto de um rosto
Puro luminoso
Onde a serenidade do olhar
E a doçura do sorriso
Não mentem:
A felicidade existe.
👁️ 584
Mar
Verão
No areal da praia
Um mar de gente berra, grita, fala
(da sua vida, da vida dos outros ou de vida nenhuma)
Mas não é esse o som que me invade
É do mar imenso a voz que me chama e me apazigua:
Ruído branco, música, silêncio
Sem memória nem tempo
Sinfonia da natureza
Apenas
No areal da praia
Um mar de gente berra, grita, fala
(da sua vida, da vida dos outros ou de vida nenhuma)
Mas não é esse o som que me invade
É do mar imenso a voz que me chama e me apazigua:
Ruído branco, música, silêncio
Sem memória nem tempo
Sinfonia da natureza
Apenas
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Tu
Dentro de ti
Há uma coisa que não tem nome
Uma coisa que explica
A luz que irradias
A beleza que emanas
A vida que libertas
Essa coisa és tu
Há uma coisa que não tem nome
Uma coisa que explica
A luz que irradias
A beleza que emanas
A vida que libertas
Essa coisa és tu
👁️ 584
Poesia
Trato sempre as palavras com extremo desvelo
Disso depende a sua força ou fragilidade
(ou mesmo a sua confrangedora inutilidade)
Mas quando te (d)escrevo
não preciso de ter nenhum especial cuidado com elas
as palavras
Saem das suas conchas
puras e naturais como a beleza que as inspiram
Depois não é culpa minha
se alguém entende chamar-lhes poesia
Disso depende a sua força ou fragilidade
(ou mesmo a sua confrangedora inutilidade)
Mas quando te (d)escrevo
não preciso de ter nenhum especial cuidado com elas
as palavras
Saem das suas conchas
puras e naturais como a beleza que as inspiram
Depois não é culpa minha
se alguém entende chamar-lhes poesia
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