Escritas

Lista de Poemas

Riscos ou rabiscos ?

Cansado de riscar
Versos mortos
Versos que tentaram dizer
E morreram calados
Queria que dissessem meus medos
E todos aqueles segredos

Quando meus versos estão vivos
Falam sobre o medo de amar
E ficam a procurar motivos
Que me tirem o sono
E façam repousar
O grafite preto na folha branca
Onde tudo é meu
Onde eu sou todo
O lugar onde posso acreditar
Em coisas tolas
Como amar.

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Embriaguez

Derrama na minha boca seu beijo
E embriagado me leva pra cama
No teu corpo tropeço e fico tonto
Me agarra pelos braços
Sem a consciência dos meus atos
A vergonha dissipada
Busca em teu ventre
Mais uma rodada
do puro licor
E te seguro com força
Pois o mundo gira
E a muito sai do meu corpo
Mas sei que tu me levarás para casa
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Conta Gotas

Que a pressa, não desperdice a ponta do meu lápis
Na ânsia de demonstrar sentimento urgente e passageiro
Me cegando de tanta saudade, torna-me sujeito infeliz
Há andar assim meio torto, e despreocupado sigo
Descaminhando por uma rota invisível que nunca quis
Se essa ausência colocar em meus lábios o doce da loucura,
Quero ser louco, à sonhar aqueles momentos de ternura.

O instante flui, me seduzindo lentamente na promessa
E pedindo para eu percorre-lo até o clímax do momento
Dramaticamente adiado pelo odioso escritor dessa peça
Que ri ao ver seus próprios personagens no tormento
Deixando a plateia aguardar o desfecho com esperança
Por que não evita-lhes a preocupação, jovem escritor
Tira deste personagem o desfecho de morte e dor

Já chega de alegorias, sabes bem leitor
O grande mal que me acompanha
Ser plateia, ator e também escritor
Numa peça com tanto amor e drama
Não que seja grande coisa, mas causa furor
Quando um simples excessivo apaixonado
Busca amor e o encontra em outro estado

E se detesto a distância entre nosso corpo
É por ela, em alguns momentos, me fazer mal
Então eu peço que me preencha como um copo
E despeja por completo teu corpo, remédio vital
Que tenho por necessidade, vício que mantenho,
Pois o desespero espera a ausência da sanidade
E me fará ingerir a dose letal, por pura vontade
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Evasivo de si

Ele foge do mundo em busca de abrigo,
na rotina das obrigações, falta o perigo
E mesmo cada grama de remédio
Mesmo quando pousa seus olhos
E mastiga um filme sem gosto
Faz de cada dia vivido puro tédio
Nem passividade lhe traz algum conforto
Pois desconfia que ser passivo é muito pouco
Ele sente a necessidade de ser muito menos,
E por isso lhe chamam - Louco!
São os que desconhecem a pureza dos pequenos
Ser menos de si, até perder quem se é
Viver a liberdade de ser tudo no todo
Sonhando em tornar-se ninguém
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Estar Poeta

Não se é poeta
O bom é estar
E quando se está
Começa a brigar
Com o papel? Ou seria
Com as letras que não falam

Sobre os sentimentos que sentia
Sobre os sentimentos que se calam

Mas tenha dó e paciência
Não o culpe se um verso
Trouxer dor e angústia
Ele não quis ser perverso

Somente escreve
Como quem bebe
E perde a lucidez
Rezando que esta seja sua última vez
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Endereço

No meu Estado atual, a falta de Capital
Pode impressionar os desatentos,
Mas de onde vim é ato natural
Minha terra é abençoada de talentos

Alguns buscam pasárgada
Querem ter seu próprio reinado
Como ser rei da terra amada?
Devem deixar a posse de lado

E esquecer toda regra.
A terra é o que você quiser
A minha se chama Izabela
Meia menina, meia mulher.

Terra é estar seguro, entender que aquele é seu canto
Preencher, do teu perfume, a saudade em meu peito
Respirando lentamente o aroma presente no vento
Aproveitando a brisa de cada pequenino momento.

Ah... mas a alegria também vêm
Pois não só de saudade vive o viajante
Chegado o momento se faz refém
No local que lhe deu plenitude
Chama mulher, filhos e um sonho
E se aconchegam feito passarinho

Colhem-se beijos
Desta terra fértil,
Esquenta-se abraços
Deste homem febril
E a morte sem perceber

Dá ao homem a melhor chance
De voltar a terra pertencer
Ser dá Terra, a todo instante.




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Aquarela

Aquele beija flor azul
Doce, o néctar lhe escorre do bico
Chamo a todos, sub o sol amarelo
Sou todo atenção, ao tempo não ligo
Até ele nos avisar em seu vermelho
Amargo, mais um dia cai e eu fico
No chão armado com um lápis verde
Numa vigília a espera que chegue logo
Mais um dia na manhã violeta
E em cada promessa de novidade me perco
Durmo e sonho, meu mundo rosa
Reflexo das minhas memorias arco íris
Que partilho com esse papel branco
Agora que cheguei a esse pote preto
Tudo que vejo possui o mesmo cinza
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Colecionadora

Sou uma observadora do acaso
Como quem enamorada pela rotina
Acha belo o regar de um vaso
E a luz que lhe queima a retina
Obstinada a encontrar coisas extraordinárias
Como o riso do moço na sua leitura
Procuro nas mais simples ações diárias
Felicidade em capsula, fragmentos de loucura
E num dia de sorte eu volto toda alma
Como se meu corpo tivesse ficado na areia
Me vendo mergulhar, no mar ou em mim mesma?
E eu completa, totalmente cheia
Corro os olhos pôr tudo a minha volta
E os deixo recolher aquele momento infinito
Onde percebo que mesmo o mais bonito
Não é essencial à beleza
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Amor Complexo

Me desfaço e mergulho em sentimento
Sinto o desejo profundo de estar ao teu lado
Participar desde seu nascimento
Vendo seus dias felizes na infância
Podendo mudar suas lembranças tristes
Ou simplesmente te acolher em meus braços
Oferecendo um colo para chorar

Queria te ver na escola chamando todos para brincar
Estar nos seus momentos mais íntimos
E sentir seus primeiros amores da adolescência.
Ver você em amplitude e profundidade
Existir dentro de ti, num lindo espetáculo
Poder sussurrar algumas qualidades quando você não as via
E incentivar suas loucuras

Hoje te vejo mulher e há tantos mistérios a descobrir
Cabe ao acaso me ajudar, mas se
Imerso em ti sou somente versos do avesso
Como posso interpretar seu amor complexo?
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Confissão

Se fosse a última folha de papel branca
E a caneta à me negar sua tinta
Escreveria, sobre teu corpo, teus olhos ou sua boca?
Sem saber quando, no meio da sentença,
Acabaria a folha ou se recusaria a caneta
Por mais brutal que o movimento lhe peça

Se fosse a última hora eu me curvaria
E esquecendo a grafia
Me perderia nas palavras, no nexo e [...] confesso,
Tecnicamente não seria considerado texto,
Um amontoado de palavras que tentam
Outro tanto de palavras que lamentam

Se fosse ... como haveria de ser?
Padeço com a angústia no pensamento
E em ti buscaria viver
A alegria e tristeza de cada momento
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