A Saudade !
A Saudade !
A saudade não chega a ser uma dor
É um sentimento perdido no tempo
É lembrança do passado não perdida
Que nos anais, é realidade vivida
Qual nau que no mar aguarda vento...
- Mansa corrente não tem movimento
Tudo para si, não passou de passatempo
- Maldosa solidão, a ausência do amor
São Paulo, 06/02/2008
Armando A. C. Garcia
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AS ROSAS
AS ROSAS
As rosas têm espinhos
A vida, os tem, também
O amor é de carinhos
Mesmo assim, espinhos tem.
Amor sincero não esquece
O amor que outro lhe tem.
Grande amor não esmorece
Mesmo esquecido também.
Quem ama, às vezes se cala
Quem fala, às vezes não ama
Quem muito fala resvala
Quem muito cala se rala...
A oferenda que te faço
Nestas flores tão singelas
Levam-te o meu abraço
E o perfume dentro delas
São Paulo, fevereiro de 2005
Armando A. C. Garcia
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A Águia Imperial (infanto-juvenil)
A Águia Imperial (infanto-juvenil)
Alcandorada nos píncaros da montanha
A águia imperial, bela, majestosa
Esplende suas diáfanas plumas, garbosa
Aos últimos raios de sol em que se banha
E, eu, vendo-a assim quieta, silenciosa
Esqueci suas cruéis garra, de rapinas,
Eriçadas, acúleas e felinas
Quando ataca suas vítimas desditosas
O brilho e a beleza se suas plumagens
Aparentam-na, meiga, inofensiva
Não parecendo ser como o é, tão nociva
Quando alcandorada em cima das ramagens
Só quando surgiu bem alta, lá nos céus,
Buscando sua presa, ferina, raivosa...
Deixou exteriorizar a beleza mentirosa
Que deleitou por momentosos olhos meus!
Horrorizou-me agora o que fazia
Com aquela pomba branca agonizada
Que lutando pela vida desesperada,
Nas hiantes garras da águia, morria!
São Paulo, 25/03/1964
Armando A. C. Garcia
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ABORTO - II
ABORTO - II
Quando tudo nos parece paradoxal e estranho
Com a banalização da morte, o bem da vida
É de vital grandeza que o homem tente protegê-lo
Criando regras que a prática de atos inúteis impeçam
Crueldades degradantes e não que favoreçam,
A legalização do aborto, ou a sua descriminalização.
Revela, senão a ovação ao crime a indiferença à vida
Injustificável conduta contra seres indefesos ao canho *
Infanticídio oficial, a tolher o direito de existir
Na Lei Universal, são implacáveis assassinos
Desde a mãe, aos obstetras disponíveis a essa prática
Porque após a fecundação do óvulo, existe vida
E como pode outrem dispor da vida alheia. Deicida **
Em matar com mais eficiência e destreza tática
Sem o mínimo respeito à vida do homem e seus destinos
O direito de nascer não pode ser tolhido ou reprimido.
São Paulo, 23/02/2007
Armando A. C. Garcia
*lucro desonesto
** Quem mata um deus
E-mail: armandoacgarcia@superig.com.br
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A Vida !
A Vida !
Vida é sangue na veia
O coração a bater
É o sol que clareia
E faz a planta crescer
É o pássaro no ninho
E, é o peixe no mar
É a estrada, o caminho
A noite escura, o luar
É a flor que desabrocha
É o pássaro a voar
É o samba da cabrocha
O avião lá, no ar !
Vida. É movimento
É conquista, é prazer
Determinação, talento
É o filho a crescer
É o majestoso universo
O mar, a mata e a flor
É a poesia, o verso
O deleite do cantor !
É o infinito dos céus
As estrelas cintilantes
Onde a morada de Deus
Fica de nós tão distante !
Porangaba, 14/07/2011
Armando A. C. Garcia
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Arrependida ! (soneto)
Arrependida ! (soneto)
Era ela a mais fabulosa das mulheres
Aquela que ele elegeu p’ra toda a vida
Trocou-o. Não soube cumprir com seus deveres
Hoje. Chora no silencio arrependida !
Tanto quanto a alma humana pode amar
Amava-a, com suas forças e afeição
Sobre ele, a vileza a desonrar
Não teve valia o amor no coração
Nela o mal se afina em sonhos vis
Em escaldada fantasia sem sentido
E dos afagos que julgava tão gentis
Conhece agora, tormento consentido
E se algum merecimento de quem a quis
Hoje vê, quão louco intento descabido !
São Paulo, 05/03/2009 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Amiga, (soneto)
Amiga, (soneto)
Amiga, o amor perdeu o encanto
Te digo, sem ti, a vida é sombria.
Agora, sem amor eu sofro tanto
Sinto que minha vida está vazia
Amiga, eras o encanto e a graça
Ao tempo, virgem de meus pensamentos
Meu sonho, Rainha, jogaste aos ventos
E sem clemência... os juramentos
Cansado, meu coração te oferece
Hoje, no meu adeus ao mundo triste
A última auréola de júbilo, que nele existe
Qual quimera que em lágrimas expresse
Quando cordeira a outro colo uniste
E à sacrílega loucura inda resistes
São Paulo, 20/08/2008 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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A Marca do Tempo (soneto)
A Marca do Tempo (soneto)
Tu foste a lembrança do meu coração
Que a marca do tempo não pode apagar
E se algum impulso, intento em vão
A chama da paixão volta a brotar
Os eflúvios que exalam da lembrança
Vastas ondas sob o jugo de Cupido.
Para sempre perdida e sem esperança
Mil vezes me julgo velho arrependido
Trocastes pelos bens, fiel ternura
Qual punhal que sopeia* tua dor
Tua imagem luminosa, hoje escura
Teu sorriso de esplendor é amargura
A inteligência demonstrou não ter valor
Porque os bens, não se levam à sepultura.
São Paulo, 09/12/2008 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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* calcar, reprimir, conter, estorvar o movimento de.
A Princesa e o Golfinho (Infantil)
A Princesa e o Golfinho (Infantil)
Havia um país, cujo reinado era uma ilha
Situada além mar, n'uma terra distante
No palácio morava o rei e sua filha
Numa vida feliz, serena, radiante.
A princesa, Ariete era sua única filha
O palácio real ficava à beira mar.
E envolta numa rica escomilha,
Sempre lá, a princesa ia-se banhar .
Brincava com os peixes quando ia nadar
Um golfinho ficava sempre ao seu lado,
Se cansada, a ajudava a carregar
Montado com ela, em seu costado.
E assim, às vezes por horas percorriam
Milhas do oceano, qual navio!
Quando de regresso à praia sorriam.
Só. O golfinho, ficava triste, vazio...
Na manhã do dia seguinte lá estava
Cheio de alegria e brincadeira
O golfinho que na praia esperava
Para receber a carícia lisonjeira.
Até que um dia, um barco que ali passou
Com piratas que raptaram a princesa...
Era tarde, quando o golfinho lá chegou
Não a encontrando, se encheu de tristeza.
Correu p'ro alto mar, curtir a solidão
Mas quando passava perto d um navio
Escutou alguém chamar oh! brincalhão!
O golfinho respondeu com um assobio,
A princesa pulou da amurada
O golfinho a carregou até à praia.
Onde o rei já montava uma jangada
Para ir procurá-la em outra raia.
O rei, surpreso, do que via à sua frente!
Julgou ser imaginária sua visão...
Só quando ouviu, feliz contente
O chamado da princesa, que satisfação.
Quando pode realmente compreender
Que o golfinho salvara sua filha.
Pois o bando de piratas. ia vender
Sua filha logo à frente, em outra ilha.
São Paulo, 17 de agosto de 2004
Armando A. C. Garcia
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A PRIMAVERA
A Primavera
Ficam floridas as amendoeiras
As árvores se cobrem com novas folhas
A natureza recupera o esplendor
Após dias tenebrosos de escuro inverno
A vida se aquece, enfeita a natureza
Engalanada no perfume da flor
É a festa da perpetuação da vida
Renovação que os olhares procuram
Na alegria do renascer das flores
No gorjeio que o júbilo convida
Os casais de passarinhos, que se arrulham
Exprimindo com doçura seus amores
A primavera é a estação do amor
Quando desabrocham os brincos de princesa,
Os agapantos, lírios e as margaridas,
As hortênsias, e as violetas multicor
O jasmim, e a dama da noite, com certeza,
Perfumará as flores mais coloridas
Os jardins de azaléias, e gardênias
Gérberas, ciclones e prímulas,
Hibiscos, centáureas e amores perfeitos
Florescidos, cercados de estefânias
Com purpúreas flores pêndulas
Sobre o jardim que se chama primavera !
São Paulo, 06/09/2006
Armando A. C. Garcia
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