ANTONIO AÍLTON SANTOS SILVA

ANTONIO AÍLTON SANTOS SILVA

n. 1968 BR BR

ANTONIO AÍLTON, Bacabal - MA, 1968. Poeta, professor doutor em Letras, pesquisador em Teoria e Crítica Literária, com foco nas formas e experiências da poesia brasileira contemporânea. Entre seus livros publicados estão: A Camiseta de Atlas (Poesia, EDUFMA/FAPEMA, 2023), Ménage – Antologia trilíngue de poesia (Helvetia, 2020); CERZIR - livro dos 50 (Editora Penalux, 2019); MARTELO & FLOR: Horizontes da forma e da experiência na poesia brasileira contemporânea (EDUFMA, 2018); Compulsão agridoce (Paco Editorial, 2015) e Os dias perambulados & outros tOrtos girassóis (Prêmio Cidade do Recife, Poesia. Fundação de Cultura do Recife, 2008). É membro da Academia Ludovicense de Letras e editor do portal Sacada Literária (https://sacadaliteraria.com.br).

n. 1968-12-29, Bacabal - MA

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Carta à filha


O mundo é sujo, filha, estende o teu vestido

e então por dois dias espera teu marido

se ele não vier, vive tua lenda

respeita a ti mesma e costura tua renda

 

Que dos maridos o inferno está cheio

o inferno, o Outro da ordem caseira

De muitas mulheres eu mesmo fui vampiro

eu mesmo fui o estrago, o pinto o trouxa o pato

 

Toda palavra pode ser mais doce

e algumas são tão doces quanto a passa

da madura fruta e refletida

 

Explode as palavras, e o silêncio

insiste em que trabalhe a teu favor

para ouvires o que nasce e pulsa em ti

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Poemas

3

Idade dos metais


Ao amanhecer por entre as ruas,

o sol tropeçou em dois cadáveres.

 

Sobras da noite inoxidável,

a catadora de latinhas

tem mais coisas a fazer.

137

PREPARAÇÃO


os homens estão limpando as canaletas

caiando o meio-fio dos dois lados

da rua

ainda não é novembro, mês em que também

se limpam os cemitérios e deixam as tumbas

brancas para visitas

é agosto, 02 de novembro é o dia de finados

15 de novembro é o dia da república

adiantado para outubro

agora os homens se alegram e limpam

as canaletas e os meios-fios

por onde descem os esgotos

que sepultavam as ervas das calçadas

desde há muito nossos avós limpam os cemitérios

para que os defuntos possam respirar e receber flores

em novembro

há dias em que se deve estar limpo

e colocar roupa de festa, um vestido de cor

é como se ressuscitássemos para colocar brilho nos olhos

antes de nos casarmos com a morte

170

Carta à filha


O mundo é sujo, filha, estende o teu vestido

e então por dois dias espera teu marido

se ele não vier, vive tua lenda

respeita a ti mesma e costura tua renda

 

Que dos maridos o inferno está cheio

o inferno, o Outro da ordem caseira

De muitas mulheres eu mesmo fui vampiro

eu mesmo fui o estrago, o pinto o trouxa o pato

 

Toda palavra pode ser mais doce

e algumas são tão doces quanto a passa

da madura fruta e refletida

 

Explode as palavras, e o silêncio

insiste em que trabalhe a teu favor

para ouvires o que nasce e pulsa em ti

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