Lista de Poemas

A dança Cósmica


Do registro traumático
Levantei o corpo inerte
Convertendo o corpo em dança
Cantando cânticos.
Leitura dos sentimentos
De dores e afetos
Tudo é vida
Tudo é morte
Tudo é arte.

AK
👁️ 419

Vazio



Esvaziando armazém de memórias
Doídas,
Rotas (in)compatíveis
Caminhos,
bifurcações

Esvaziando corredores de dores
Amores;
Cômodos cheios de vazios.

AK
👁️ 452

Grafite


Dois pontos de fuga 
Sem cores, sem luzes
apreciando o carvão
Grafite na mão.

Ampliando a visão
Cegueira à luz do diamante
O esboço da emoção
Em um borrão.

AK
👁️ 393

Altar



A ti um altar
Ornamentado
A oferenda
Dor, dor.

Pedaços de gente
Que aqui deixastes
Por cada canto e recanto
O entalhe (im)perfeito.

Em seus últimos suspiros
Publicitado a ti
As cinzas gentis do amor
Dispersam o carbono
Por ventos estelares.

AK
👁️ 467

Descrença

Quando já não creio em nada,
nem nas promessas, nem nas leis,
nem nos templos erguidos por mãos cegas,
nem nos tronos dourados de vaidade,
nem nas verdades que mudam conforme o vento —

sinto a dor antiga do humano,
essa ferida que não cicatriza.

O vazio me habita,
ecoando entre ruínas e telas,
entre o cansaço dos dias
e a desesperança que nasce
do excesso de lucidez.

E ainda assim —
busco um fio,
um lampejo,
um sentido ínfimo,
para continuar existindo.

 AntôniaK

👁️ 99

Leite



O leite a escoar
Do ubre
Da pátria amada

Envasado
Na oportuna
Indecência
Pandêmica

O leite escoado
Do ubre da pátria amada
É o sangue derramado
Da saúde dos brasileiros

Incompetência hasteada
Na esperteza
Da moral da família e da nação

Famílias miseráveis
Sem o leite das crianças
Banquetes a céu aberto

Do ubre a jorrar
Das torneiras perpétuas
Esguinchar o que sobrar
O sangue e as misérias
A morte.

Ak
👁️ 307

Distorção

As paredes da mente se abrem em labirintos mentais
Um convite para adentrar no interior de si
Não, não desejo considerar esse lugar
A górgona me petrificará
Tenho medo, ela é estranha
Alimenta-se de traumas.

Lágrimas caídas no espelho da consciência
No corpo, pela face morta, dos olhos opacos
Transparente é o vácuo
Desvelando a crueza de dores
São remêdios curativos, demônios lavados
Levados rio abaixo.

Para  qual direção aponta a dor?
Para as memórias distorcidas;
Para as memórias sagradas
Para  lembranças de sepultamentos
Para o caráter inseguro das reminiscências.
Imersa em si, de lugares, (des)afetos; de saudades;
Imersão em cada gota.

É antídoto de salvação, de redenção
É resgate de si mesma
Dentro da mente demente
Em camadas, gavetas
Paisagens mentais.

-AK
👁️ 435

Anúncio


Vendas de ideais irreais
Demandas inconscientes
De desejos existentes.

Objeto faltante
Onipotência fantasiada
Desejos do ego realizados
Instantaneamente.

Alienação
Peças publicitárias
Sociedade do espetáculo
Ilusionistas
Mestres do gozo.

AK
👁️ 382

Meninas e Mulheres


 

Casa abrigo, proteçao? Lá não é um lar
A louça sagrada da ceia estilhaçada
A cama, repouso do corpo-território devastado.
Forçada ao ato- maus-tratos
Corpo febril marcado por insultos
No surto normal
Invasão, violação do corpo.
Estado- família desproteçao.
 
Silêncio o refrão
Do grito abafado
Do porão.
Na cavidade uterina não comportando outro ser.
Restos de corpos
Sequestro da pureza e inocência da menina.
O corpo sangrando, doído
Marcado a golpes o perverso à espreita.
 
Medo, pavor, horror
Vertigem de dor.
Escuro é o dia
Noites claras sem ser dia de verão,
Inverno são os dias
Chove na face entristecida
Purifica as marcas doídas do tempo e da dor.
 
Antonia K
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Corpo I


Seus corpos nunca se entrelaçaram, feito a dupla hélice do DNA
Nem respirado os odores
O que compõe o gosto?
Os beijos ardentes ausentes.

As mãos tocando-se
Encadeamento de corpos
Encontro de almas.

Sim, toca-me
Em cada parte desse território-corpo
Fica morando dentro aqui
Te quero
Vivia um deserto, até te achar
Meu oásis
Te levo para eternidade.

AK
👁️ 440

Comentários (2)

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antoniak
2020-08-01

Gratidão!

joaoeuzebio
2020-07-31

PARABÉNS ANTONIA PELAS PALAVRAS PELO SENTIMENTO GOSTEI DE TEU POEMA UM ABRAÇO