Lista de Poemas

Sinto-me uma ameijoa


Sinto

um vazio impera em mim desde que acordei e vi aqueles raios de luz, ultrapassando penosamente a persiana, iluminando tenuemente a minha cama, tocando então a campainha visual do levante nos meu olhos

um vazio, tal copo meio cheio meio vazio, que me entorpece as células, os poucos neurónios que comigo coabitam e me provocam estas osmoses hormonais, talvez o período tenha chegado mais cedo...talvez

talvez, amanha o céu dispare os raios de sol em todos os sentidos, o cantar dos passarinhos inunde a rua, despida de folhas, talvez, eu vá beber um café que me aqueça internamente e a necessidade de sentir retorne, talvez

talvez o morango brote da terra fértil, essa terra amanhada com ternura, com carinho, a mesma terra onde a vida começa mas também acaba, decompondo, reutilizando, regenerando cada átomo, cada elemento químico que há em mim e por isso, hoje, apenas sinto, que sou uma ameijoa

Antero do Quintal Marmelo da Selva




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Viola minha


hoje senti,
outra vez a doçura de passar as mãos por ti,
renasci,
ao saborear as tuas curvas milimetricas , sem falhas, apuradas,
vivi,
outra vida, ao folhear o teu portfolio musical,enfim ,
bebi,
das tuas notas,o sabor açucarado que apenas tiro....
de ti

Antero do Quintal Marmelo da Selva
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Fotografia da Gata


Naquela estante, tu estavas imortalizada, a tua imagem permaneceu enchendo o espaço vazio, perpetuando o teu ser, felino, minha gata.

Foi no instante, que te captei a silhueta negra, reproduzindo fielmente o traço externo das tuas curvas, acentuadas mas doces, firmes e melancólicas, de ti, minha gata.

Naquela estante, ficaste serena, imóvel, à vista, completando o conjunto, disfarçando o realce que te dei, sempre e para sempre, minha gata.

Foi no instante, em que nasceste para a estante, que te libertei para sempre, de seres apenas tu, a minha gata.


Antero do Quintal Marmelo da Selva
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Sinto ou não


Sinto, ou não

Talvez aquele sentimento

que me arrebata a alma.

Não, solidão não é,

Amor, Paixao ? Ainda vai demorar

até que abra as maciças portas

Do meu Castelo medieval,

Onde estandartes esvoaçam ao vento,

Indicando que, o meu coração

Está,aqui, mas impenetrável

Duro, fechado, encarcerado

Pela dor a que foi sujeito,

Na estrada da existência, no caminho escabroso

De momentos,

desiludidos, incomensuráveis,

Apenas a pergunta? Porquê ?

Sinto, ou não .....





Antero do Quintal Marmelo da Selva
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