Sinto-me uma ameijoa


Sinto

um vazio impera em mim desde que acordei e vi aqueles raios de luz, ultrapassando penosamente a persiana, iluminando tenuemente a minha cama, tocando então a campainha visual do levante nos meu olhos

um vazio, tal copo meio cheio meio vazio, que me entorpece as células, os poucos neurónios que comigo coabitam e me provocam estas osmoses hormonais, talvez o período tenha chegado mais cedo...talvez

talvez, amanha o céu dispare os raios de sol em todos os sentidos, o cantar dos passarinhos inunde a rua, despida de folhas, talvez, eu vá beber um café que me aqueça internamente e a necessidade de sentir retorne, talvez

talvez o morango brote da terra fértil, essa terra amanhada com ternura, com carinho, a mesma terra onde a vida começa mas também acaba, decompondo, reutilizando, regenerando cada átomo, cada elemento químico que há em mim e por isso, hoje, apenas sinto, que sou uma ameijoa

Antero do Quintal Marmelo da Selva




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