Escritas

Lista de Poemas

retrato

Impaciente estou pra ver teu rosto

Sem moldura de foto comprimida

E nua, à minha frente,  estou disposto

Fazer de ti mulher da minha vida

 

Pergunto-me se és tu mais do que um papel

Num álbum gasto, de cor amarela

Ou és só devaneio do pincel

Que te pinta cromática e te revela

 

Quero ver-te segura e ao natural

A moer nos meus olhos uma aurora

E contemplar teu rosto quando cora

 

Quero ver-te segura e normal

Quero escutar de viva voz teu canto

E beber tuas lágrimas sem pranto

 

 

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Prematuro verso

Dou voltas e mais voltas sem saber

O que fazer com mal nascido verso

Não paro de pensar e de reescrever

E nas simples palavras dou-lhe berço

 

No silêncio da noite nasceu vivo

Prematuro e informe a reclamar

Em seu corpo franzino quão altivo

Urgência em viver e respirar

 

Agora entre mãos tenho este menino

A quem lhe devo dar amor paterno

E cuidar de traçar o seu destino

 

O corpo já tem ele, mas o ser

A minh`alma o dá para ser eterno

O dá, para que o mundo o possa ler

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O operário

O pião

Rodopia

Todo o dia

Pelo chão

 

De repente

Pensativo

Como gente

Diz que não

 

O cordel

Do Manel

Sempre pronto

Pra dar voltas

Não permite

Tais afrontas

Tais revoltas

E insiste

 

O pião resoluto

Diz que não!

 

O Manel,

Tanta espera

Exaspera

 E perde a calma

E a razão

                                                                                                                   

Com o pé

 No  duro chão

Esmaga

O pião

 

No lajedo

Da rua em movimento

Os fragmentos

Evocam um segredo

Que ninguém

Conta por medo

 

Triste sorte

A do pião

Cuja paga

De uma vida

De trabalho

Sem parar

Foi a dor

Foi a morte

 

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A visita

Algo bateu à porta de rompante

No quarto estremeci: o que será?

Palpita o coração, quem baterá?

Espero um bocadinho, um instante

 

Transpiro, hesito e tremo expectante

Sei que a visita não me convirá

 Mas p’la urgência nada a deterá

Abro a porta e ela entra fulminante

 

Encaro-a de frente. Não há medo!

Quando me revelou o seu segredo

Parou a agitação e o desnorte

 

Sussurra-me ao ouvido: quem sou eu?

“ És aquela que sempre me temeu

A senhora da vida: a minha morte.”

 

 

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