Cinza
Cinza se tornam...
amores , afetos,
o tido como certo,
caindo no abismo cinzento
Cinza se tornou,
a fé, a razão,
nem rancor, nem paixão,
restou o pesar...
então estão cinzentos,
e assim permanecem...
entre o pulso vazio surge
o nada...
nem caos, nem ordem nenhuma,
nada restou...
e quando finalmente se calar,
vai enfim encontrar...
Paz.
Caixa
Não quero viver na caixa...
A caixa não me comporta mais...
Daqui não vejo a luz,
ou mesmo onde somos iguais.
Não quero mais essa caixa.
Que confina meu entender,
Que isola minha angústia,
que rouba todo meu poder.
Mas temo deixar a caixa,
lá fora monstros a enfrentar,
fome, praga , peste, morte...
Quem poderá rebelar...
Então saímos juntos da caixa,
de mãos dadas, o todo em um,
Assim nenhum mal nos afronta
não tememos perigo algum.
Mas se saio da caixa sozinho,
meu igual monstruoso ficou,
então foi a caixa ou o mesmo,
quem por fim nos aprisionou?
Apenas
Apenas corra...
se suas pernas queimam,
se seu peito arde,
se lhe falta o ar...
não se permita falhar...
Apenas corra.
Apenas voe...
se lhe faltam asas,
se lhe tiram a fé,
se o sol lhe derrete,
não pare...
apenas voe.
Apenas sonhe...
Se o sonho é só,
se é só que se sonha,
se a visão e só sua,
não cale...
apenas sonhe.
Apenas lute...
Se lhe falta força,
se lhe sobra medo,
se transborda a dor,
punhos cerrados...
apenas lute.
E no fim de tudo,
se apenas tiver feito,
bem ou mal, bom ou ruim,
o apenas será o seu mundo!
Sejas escravo
Maldito sejas escravo,
Tu que fazes tudo como te ordenam
Tu, que te calas diante da opressão,
Tu que traz a dor por ordem alheia,
ou de devaneios das entranhas tuas,
escravo sejas maldito...
Maldito sejas, escravo,
Tu que lambe as botas do senhor,
Tu que lambe as próprias feridas à noite,
quando contra tua própria vontade açoitou,
Bateu e humilhou inocentes iguais a tu,
escravo sejas, maldito...
Maldito, sejas escravo
Tu , que derramaste sangue e lágrimas para aqui estar,
e logo logo esqueceste de onde vieras,
passando a pisotear aqueles que muito te amaram,
transformando em inimigo teus irmãos em sofrer,
escravo, sejas maldito!!!
Pai
Eis que abro os olhos, o vejo por fim,
Nos céus me atira, um soco no ar,
Uma promessa tão bela a ecoar,
uma linda existência aguarda por mim...
Eis que cresço, e o que sobrou?
Promessas quebradas, humilhação,
como pode haver redenção?
Como tanto amor acabou?
És pequeno , és um fraco
estorvo incapaz,
sem um dia de paz,
naufragou esse barco...
E hoje ,cacos a reunir
nunca mais firmará a promessa,
a lição que passo seja essa,
nunca deixe uma infância ruir.
Correntes
E assim passamos os dias...
os olhos, as bocas e as mentes e as pragas...
são correntes... são os outros a falar,
e seguimos sem pensar... correntes ...
Bonecos e correntes nos dedos uns dos outros,
e correntes em quem importa, e palavras e afetos...
desfeitos.
Correntes e correntes...
seja quem eu quero, eu sou quem querem,
todos bonecos em correntes, puxadas por outros bonecos em correntes... alguém pode ser em paz? Ou morrer em paz...?
Olhos ,bocas ,mentes e pragas o alcançam no abraço frio...
Correntes que já não sente. Para quem há de importar...?
A quem fica, mais correntes
Caos
Uma estrela nascente,
um sol moribundo,
uma jovem cratera,
um abismo profundo,
um nasce para riqueza,
outro no fim do mundo
caos
Uma galáxia distante,
do meu bolso a pobreza
um cão come do lixo,
um lobo mata sua presa,
por amor um canta alegre,
outro morre de tristeza
caos
Quem é certo ou errado,
para quem cabe a razão?
do mendigo daquela esquina,
aos "doutores" da nação?
uma mãe chora seu filho,
seja polícia ou ladrão...
caos
Ícarus
Seja justo teu juízo,
seja branda tua pena,
para meu crime sem perdão...
Aquele que mente a quem ama,
mente a si mesmo, e chora,
pela morte da ilusão...
Nenhuma solidão deste mundo,
é maior que o vazio de estar,
perdido entre o brilho de um olhar...
Nenhum amor deste mundo,
resiste ao tempo e o passar,
mostra o erro em guardar...
A vã ilusão humana,
a perfeita vida a dois,
possivel no poema, e só...
O sol é mais quente para quem,
sem medo das asas queimar,
se lança intrépido ao ar...
Não se perca no caminho
Assistir essa temporada de Stranger Things foi estranho pra mim. Eu não entendia bem o porquê até pensar bem nesse assunto... esse personagem, Ed Munson... eu era igualzinho a ele. Tocava guitarra , cantava, narrava rpg para meus amigos, e na escola era o nerd que protegia os nerds... os moleques andavam comigo porque era divertido, e porque ninguém ia querer zoar eles do meu lado ( praticante de artes marciais forçosamente desde os 5 anos, não vencia a maioria das brigas mas dava trabalho o suficiente pra não valer a pena brigar comigo ). Hoje, quando olho no espelho, sou o que nunca imaginei ser. Descobri que fiquei tão diferente que nem me reconheço. Eu nã gosto de dar conselhos, porque não entendo a vida da maioria das pessoas como elas não entendem a minha , mas se você teve saco pra ler esse texto até agora, aqui vai: nunca venda sua essência por dinheiro, aceitação, ou um lugar nessa sociedade que sequer se importa com você. Se apegue aos seus preceitos, ou até a seus defeitos... senão , um dia , vai acabar como eu, sem saber quem você é de fato.
Mentiras
Sobre o que mente?
Qual a mentira que te sustenta de pé?
A minha, é dizer a mim mesmo,
dia após dia
que minha própria vida tem valia
Sobre o que minto
E o que sinto , já não importa
Eu sei que o que me bate à porta
é a necessidade , pura e só.
O pai entre os pais procuro ser
Mas então, eu minto
pois já não sei muito bem
Entre o pai presente e o sustento
entre o teto e o firmamento