Escritas

Lista de Poemas

Rapto

Semente de gente, eu vim.

Ramo de agarrar ao redor, eu fui.



Des-cresci: nua,crua....

Eu entorpeci dias.



Rapto rápido:

comeu-me um roedor...



Roeu, roeu...

Doeu,doeu...



Restou dor.

Eu resto. Eles? - Dó...



Sou como nó, como noz.

Sou como nós... Sou?
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Poesia da Raiva

Não me venha com seus farrapos, trapos, seus espasmos.

Não me torture com suas juras, curas, suas fissuras.



Não me apresente essa sua estética, ética, essas suas coisas patéticas.

Estou cansada de seus barracos, suas torturas, suas práticas.



Sou raptada pela lembrança da sua presença e por tua descarada ausência.

A imposta dor de todos os dias me dá fadiga.



Aguardo sentada, inadequada, mal amada,

aguardo o segundo, o minuto, a hora,

de mudar o prumo, o rumo.

Aguardo com raiva dessa demora.



Não me diga palavrinhas bonitas,

nem me console como se eu estivesse aflita.

Dentro de mim um universo se agita,

e quando explodir, talvez eu, nem mais exista.



Portanto, se afasta,

se protege, distancia-se.

Resta de longe pra que nemhum fragmento te atinja.



Faz como sempre fez,

finge que não é contigo,

que você é só mais um amigo.



Para de fingir que padece,

dessa tormenta que você, na verdade, desconhece.



Vê se cresce ou ao menos desaparece!

Ama Spisso





" Tire seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor".(Noel)

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Liquor

Espectral
Recuso ser matéria.
Uso rachaduras como vias.
Invado espaços: entro por frestas.
Me desejo invisível.
Sou toca de texugo.

Espírito
Recuso ser corpo.
Tropeço esquinas.
Encaixo em dobras, desníveis.
Circulo em curvas de sombras.
Me desejo oculta.
Sou labirinto de castelo.

Rarefeita
Recuso ser existência.
Marco passos no escuro.
Só saio noturna: soturna.
Me desejo breu.
Sou baú do porão.

Microfísica
Recuso ser imagem.
Rastejo por ralos, canos, conduítes.
Habito ecos-ocos espaços.
Me desejo micro-micróbio.
Sou naftalina no guarda-roupa.

Dissolvida
Recuso ser estrutura.
Sub-vivo no detrás, no dentro, no profundo.
Estou no contra-reflexo.
Me desejo vulto.
Sou segundo do susto.

Estátua
Recuso ser ação.
Imóvel em imóvel abandonado.
Cheiro poeira.
Sempre em (en) canto desabitado.
Me desejo sombra e perfil.
Sou bicho traça preso ao teto.

Aquosa
Recuso ser telúrica.
Me visto caramujo.
Pesa meu dorso-abrigo.
Me desejo concha.
Sou minúsculo molusco.

Planctônica
Recuso ser espécie.
Partícula refletora.
Fragmento na imensidão do sagrado salgado.
Me desejo plâncton.
Sou maré-movimento.

Flutuo-inércia.
Levo-me.
Lavo-me.

Engole-me uma gigantesca Jamanta.

No corpo do imenso...
Eu findo infinita.
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A(briga)

Abriga-me em tuas erradas curvas.
Obriga-me à existir em tua desistência ardida.
Roga que eu permaneça e, ao meu sim, saia e me esqueça.
Briga com sussurros violentos, abre mão de mim,
porta afora empurra -me...
Atroz, agridoce veneno; no arrepender-se: exuma-me.
E, ao resto de mim, derrama teu perfume.


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