Bem-vinda de volta
Hoje a tristeza se fez onipresente
no passar dos minutos que divagam
nas lembranças que incomodam e exalam
o mesmo cheiro frio do vazio entorpecente.
A ausência é sua última parada
A ausência é sua última parada.
Aquela que lhe traz o silêncio.
Enquanto ausência é escolha,
o vazio é inerente à existência.
Não há escolhas no vazio, ele existe,
mudarará sua face a cada parada e o
acompanhará até o fim da estação.
A ausência te brinda o distanciamento
necessário para te veres, te sentires.
Se vier junto, o medo, talvez o caminho real de si lhe tenha sido mostrado.
Procura-se o Amor
Quero um amor tranquilo
Desses de risada
De gaitada
De amigo
Quero um amor presente
Que divida com a gente
Seus medos
Seus erros
Quero um amor sossegado
Que de tardezinha
Faça café coado
E de noite se aconchegue ao meu lado
Quero amor engraçado
Que seja leve e atrapalhado
E deixe tudo que passou
no passado
Quero amor possível
Desses que não se mede o nível
E mesmo que seja óbvio,
seja eterno.
Retorno a mim
Há dias que o silêncio é meu abrigo, cada vez mais, meu melhor amigo.
Vem e se demora
Todas as vezes que me assopra,
sinto o quente do teu coração.
Como quem pede, calma!
Depois da trovoada, vem as noites de verão.
Ensaio sobre a felicidade
Se há perversidade no estar feliz, não deveria ser algo tão superestimado e desejado.
Talvez então desejar a consciência para escolhas mais justas e fiéis a si. Ouso dizer que,
isso e apenas isso, torna a visão do todo mais ampla no que diz respeito à sua existência
e tudo o que compõe sua subjetividade.
Primeira verdade
O mais difícil é se manter bom nesse mundo.
Quando não há escolha
A fome rasga meu estômago, mas a boca não saliva o suficiente para saciar.
A ansiedade rasga meu peito, mas as pernas não se mexem.
Ela está vindo em minha direção, vai me devorar! Mas meu corpo, está inerte.
Rezo que a mente encontre um modo de se libertar, já que não mais existe caminho para voltar.
Abraçarei assim minha devoradora e deixarei que veja de perto minhas entranhas, e, quando as ver,
talvez sinta culpa, mas será tarde demais.
Seremos uma, ou talvez, nada.
Quando não há escolha
A fome rasga meu estômago, mas a boca não saliva o suficiente para saciar.
A ansiedade rasga meu peito, mas as pernas não se mexem.
Ela está vindo em minha direção, vai me devorar! Mas meu corpo, está inerte.
Rezo que a mente encontre um modo de se libertar, já que não mais existe caminho para voltar.
Abraçarei assim minha devoradora e deixarei que veja de perto minhas entranhas, e, quando as ver,
talvez sinta culpa, mas será tarde demais.
Seremos uma, ou talvez, nada.
Como pisca-pisca
Quando te conheci,
a primeira coisa que me prendeu
foi seu olhar.
Era um olhar profundo, distante,
tinha uma certa tristeza, um certo vazio.
Quando cruzou o meu ficou tímido,
porém, intencional.
O meu olhar alegre ficou brilhante como pisca-pisca.
Te encarou e você ficou mais tímido ainda.
Seu olhar então ficou aceso e buscou o meu,
aos poucos foram se acostumando e cada vez mais,
um buscava o outro.
O tempo passou,
o meu olhar se derreteu,
mas o seu estava distante.
Meu olhar te sorriu com carinho,
permaneceu, fixou no seu.
E depois de muito tempo sem resposta,
se transformou em agonia e dúvida,
enquanto o seu permanecia inerte.
Num dia comum, já cansado,
meu olhar ouviu meu coração.
Implorou.
E ao olhar novamente,
não conseguiu reconhecer o outro,
parecia que o encanto do vazio
já não fazia mais sentido
e agora se via apenas a indiferença.
Neste momento, meu olhar buscou a si mesmo
e viu que precisava de brilhos mais aconchegantes
e tranquilos, que o fizessem se sentir brilhantes
como pisca-pisca.