Lista de Poemas
Total de poemas: 7
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um dia inteiro
um dia sério de trabalho
sem escolha
sem bolha
sem variação
eu hoje fiz a lista
da conquista
um dia inteiro
sem distração
revista facebook baralho
só trabalho só trabalho
tecido o dia
por inteiro
sem retalho
sem escolha
sem bolha
sem variação
eu hoje fiz a lista
da conquista
um dia inteiro
sem distração
revista facebook baralho
só trabalho só trabalho
tecido o dia
por inteiro
sem retalho
👁️ 162
é multidão
porque deus é um só
e o diabo é multidão
mente é multidão
semente é multidão
multidão demente, delirante
a alma aflita
é evidente
é multidão
e o diabo é multidão
mente é multidão
semente é multidão
multidão demente, delirante
a alma aflita
é evidente
é multidão
👁️ 160
Tivessem Adão e Eva sido mais pacientes
Tivessem Adão e Eva sido mais pacientes
Tivessem sossegado e feito mais amor
Comer daquele fruto não seria urgente
Ficassem distraídos no dolce fare niente
Passassem todo o dia rolando em seu ninho
E um após o outro nasceriam os bacurinhos
Simplesmente
E esses
Rodeariam a Deus, e lhe fariam cócegas
Lhe chamariam avô, puxando a imensa barba
E o velhinho ranzinza sairia do sério
Esqueceria a gota, o espirro, o reumatismo
Quem sabe até iria tentar um sorriso
O Éden assim repleto de crianças arteiras
e tantas que um dia Deus, já conformado,
Até desistiria de vigiar as macieiras.
Tivessem sossegado e feito mais amor
Comer daquele fruto não seria urgente
Ficassem distraídos no dolce fare niente
Passassem todo o dia rolando em seu ninho
E um após o outro nasceriam os bacurinhos
Simplesmente
E esses
Rodeariam a Deus, e lhe fariam cócegas
Lhe chamariam avô, puxando a imensa barba
E o velhinho ranzinza sairia do sério
Esqueceria a gota, o espirro, o reumatismo
Quem sabe até iria tentar um sorriso
O Éden assim repleto de crianças arteiras
e tantas que um dia Deus, já conformado,
Até desistiria de vigiar as macieiras.
👁️ 207
Smart
sabe da minha rua
mas não do meu sapato
sabe meu sapato
mas não de como eu piso
sabe como eu piso
sabendo como eu piso
minha dor no joelho
sabe o meu joelho
meu post meu diário
minha dor meu prontuário
mas não da roupa no armário
já sabe do armário
sabe as etiquetas
meu número meu Visa
por fim já mapeou
meia cachecol blusa e camisa
por que não tenho um time
ele só desconfia
mesmo assim faz o teste
vem a oferta de um bilhete
um belo dia
não quis ver bilhete
não quis nem saber
não quis comprar
e naveguei pra outro lugar
mas é tarde
já viu quem seria
só por isso
por terror lucro ou vício
me vigia
não importa não quero
não quero mais ser visto
no atacado no varejo
na esquina no quarto
no beco na pista
nem a prazo nem à vista
nem venha
não insista
mas não do meu sapato
sabe meu sapato
mas não de como eu piso
sabe como eu piso
sabendo como eu piso
minha dor no joelho
sabe o meu joelho
meu post meu diário
minha dor meu prontuário
mas não da roupa no armário
já sabe do armário
sabe as etiquetas
meu número meu Visa
por fim já mapeou
meia cachecol blusa e camisa
por que não tenho um time
ele só desconfia
mesmo assim faz o teste
vem a oferta de um bilhete
um belo dia
não quis ver bilhete
não quis nem saber
não quis comprar
e naveguei pra outro lugar
mas é tarde
já viu quem seria
só por isso
por terror lucro ou vício
me vigia
não importa não quero
não quero mais ser visto
no atacado no varejo
na esquina no quarto
no beco na pista
nem a prazo nem à vista
nem venha
não insista
👁️ 207
Cacos
Respire fundo
junte os cacos
ache solução
remarque o compromisso
tente de novo
e não ligue para isso.
junte os cacos
ache solução
remarque o compromisso
tente de novo
e não ligue para isso.
👁️ 239
O Grande Judas
(por Antonio GranMadre)
Vinde, vinde, toda a gente
velhos e moços
A rampa, altaneiros, subiremos
E juntos, irmanados, construiremos
Para a posteridade o Grande Judas
Nós todos, essa elite, essa gentalha,
brutos e raivosos, somos tantos
O vasto mundo a encher de espanto
Coxinhas, medianos, empresários
Remediados, milicos e a politicalha
De todos os lugares vêm chegando
As gentes, suas mazelas carregando
Com gritos, assovios, charanga e banda militar
Trazendo os culpados para o fogo queimar
Vêm crentes, jornalistas, o juiz, o policial
O advogado, o promotor, o carcereiro,
Com uma batelada de processos
Governadores, prefeitos, assembléias,
Artistas, radialistas, o congresso,
E muita, muita gente de dinheiro
Em gestos coordenados, furiosos
Os gritos se unirão em grande voz
E as chamas, consumindo o nosso algoz
Queimando, desatarão os nossos nós
Eia, vamos pois, lancemos eles todos,
os pobres, os fracos, os ousados,
rebeldes (de joelhos!), moços, velhos,
Os críticos, os birrentos, orgulhosos,
Joguemos os espelhos, tudo que nos mostra
Artigos, reportagens, pesquisas, relatórios,
Análises, diagnósticos, balanços, diretrizes,
Junte a tudo as bruxas, meretrizes,
o sabotador, o militante, o espião,
os piratas, os ateus, os comunistas,
os palhaços, os fanáticos, os inconformados
os loucos, os artistas, transformistas,
(conforme o dispor da ocasião,
a cada um arrasta a multidão)
Os ódios furiosos e pecados
Dentro do grande boneco são então depositados
(um a um até não sobrar espaço)
Mas ao ver o bojo repleto finalmente
A turba com grande desalento
Constata enfim que o Judas é pequeno
Para conter tanta raiva
e sofrimento
E na insuficiência dessa hora
Recorre logo ao santo mandamento
Linchemo-nos uns aos outros, sem demora
E em fúria a enorme multidão
Inicia ao léu a malhação
Com facas e espetos, com granadas,
Com pragas, cuspidas, escarradas,
E balas, e pernadas voadoras,
Canhões, rajadas de metralhadoras
De todos os rincões, os mais distantes
Legiões de linchadores chegarão
Trazendo pragas, bulas e decretos
E hinos celebrando essa união
E mais facas, cassetetes, e chicotes
E socos ingleses aos magotes
Com a ira dos frustrados, meliantes,
E operários de salários aviltantes
E vem bater o alto executivo,
O pregador, o traficante, o ladrão furtivo
(os louros, colherá quem ficar vivo!)
Pois tormentosa a multidão avança
Destruindo tudo, o trigo, o arado e a mó
Em ondas a maré que nunca cansa
A si própria levará à cinza, ao pó
E a paz então cairá sobre os cadáveres restantes
E aqui não tendo mais o que fazer
Irá reinar no céu, com diamantes.
(Já os diamantes do chão, esses com certeza,
Ainda aqui estarão, e outras riquezas...)
Vinde, vinde, toda a gente
velhos e moços
A rampa, altaneiros, subiremos
E juntos, irmanados, construiremos
Para a posteridade o Grande Judas
Nós todos, essa elite, essa gentalha,
brutos e raivosos, somos tantos
O vasto mundo a encher de espanto
Coxinhas, medianos, empresários
Remediados, milicos e a politicalha
De todos os lugares vêm chegando
As gentes, suas mazelas carregando
Com gritos, assovios, charanga e banda militar
Trazendo os culpados para o fogo queimar
Vêm crentes, jornalistas, o juiz, o policial
O advogado, o promotor, o carcereiro,
Com uma batelada de processos
Governadores, prefeitos, assembléias,
Artistas, radialistas, o congresso,
E muita, muita gente de dinheiro
Em gestos coordenados, furiosos
Os gritos se unirão em grande voz
E as chamas, consumindo o nosso algoz
Queimando, desatarão os nossos nós
Eia, vamos pois, lancemos eles todos,
os pobres, os fracos, os ousados,
rebeldes (de joelhos!), moços, velhos,
Os críticos, os birrentos, orgulhosos,
Joguemos os espelhos, tudo que nos mostra
Artigos, reportagens, pesquisas, relatórios,
Análises, diagnósticos, balanços, diretrizes,
Junte a tudo as bruxas, meretrizes,
o sabotador, o militante, o espião,
os piratas, os ateus, os comunistas,
os palhaços, os fanáticos, os inconformados
os loucos, os artistas, transformistas,
(conforme o dispor da ocasião,
a cada um arrasta a multidão)
Os ódios furiosos e pecados
Dentro do grande boneco são então depositados
(um a um até não sobrar espaço)
Mas ao ver o bojo repleto finalmente
A turba com grande desalento
Constata enfim que o Judas é pequeno
Para conter tanta raiva
e sofrimento
E na insuficiência dessa hora
Recorre logo ao santo mandamento
Linchemo-nos uns aos outros, sem demora
E em fúria a enorme multidão
Inicia ao léu a malhação
Com facas e espetos, com granadas,
Com pragas, cuspidas, escarradas,
E balas, e pernadas voadoras,
Canhões, rajadas de metralhadoras
De todos os rincões, os mais distantes
Legiões de linchadores chegarão
Trazendo pragas, bulas e decretos
E hinos celebrando essa união
E mais facas, cassetetes, e chicotes
E socos ingleses aos magotes
Com a ira dos frustrados, meliantes,
E operários de salários aviltantes
E vem bater o alto executivo,
O pregador, o traficante, o ladrão furtivo
(os louros, colherá quem ficar vivo!)
Pois tormentosa a multidão avança
Destruindo tudo, o trigo, o arado e a mó
Em ondas a maré que nunca cansa
A si própria levará à cinza, ao pó
E a paz então cairá sobre os cadáveres restantes
E aqui não tendo mais o que fazer
Irá reinar no céu, com diamantes.
(Já os diamantes do chão, esses com certeza,
Ainda aqui estarão, e outras riquezas...)
👁️ 226
Navegar é preciso
Navegar
é preciso
viver
carece de precisão
é preciso
viver
carece de precisão
👁️ 204
Português
English
Español