Escritas

Lista de Poemas

Palavras vazias


 
Não existe a verdade pura, porque ela se perde na vaidade,
na certeza da impunidade ou na esperança da imunidade.
Não existe a palavra certa, porque não existe o vocabulário completo.
Não existe o homem maior, porque inexiste o menor para que seja comparado.
Não existe o caminho único, porque não existe uma só morada.
Não existe um amor único, sem que exista uma obsessão.
Não existe o amanhã, porque o relógio nunca para de marcar o tempo.
Não existe o fim, senão para aquilo que teve um começo.
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Seus passos.

 
E ouço seus passos... Sei que é ela.
Seu jeito de andar, altiva, dona do mundo...
Passos firmes, atravessando a sala de estar,
enquanto arruma as flores, organiza almofadas,
reloca pequenos objetos, escravos de seu toque.
Tudo tem a marca de sua presença.
 
Posso imaginar um último olhar,
para ter certeza de que tudo ficou bem.
Este é o seu jeito de ser.
 
Nossa cama... Lençóis impecáveis, perfeitamente estendidos.
Travesseiros arrumados, e o seu perfume no ar.
 
No carinho deste cuidado, sinto-me agraciado.
 
Nosso amor, nascido na força de uma juventude,
não foi vencido no tempo. Tornou-se eterno.
Como o cipreste do campo, cresceu e ganhou as alturas.
Ficou forte, ficou lindo, ficou para ser admirado.
Hoje acolhe em sua sombra, uma história.
 
Ouço seus passos, subindo a escada.
O coração bate forte, alterando o ritmo do meu respirar.
Já posso sentir a energia de sua presença.
Momentos, que valem por uma vida, acontecem aqui,
enquanto o mundo, lá fora...
Simplesmente desconhece.
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Pedra de altar


Pasmo no que importa, sem que seja vida,
Pois do fruto, a semente, não nos alimenta.
Se renascer é magica para ser vivida,
Que seja agora, no auge da tormenta.
 
Não maltrata tanto o abandono e a fome
Como fustiga o dorso esse couro infame,
Se mares me separam do meu parco destino,
Recolham os remos e inflem-se os velames!
 
Quero a luta, pois não me basta a vitória.
Vencer não muda. Descansa e acomoda.
Somente na batalha árdua e seguida,
O brio do homem, ao fútil incomoda.
 
A construir, se espalha a humanidade,
Por sobre a mesa. Um jogo de criança.
As peças não se encaixam, tudo tão confuso...
E o tempo voa, assim como a esperança.
 
Crê. Pois só na crença a pedra d’ara,
Espera o homem no cerne do altar.
O dia segue o dia, na espera de outro dia,
E todo dia, sei... É dia de sonhar.
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Desabrochar

E a flor desabrochou, como assim desabrocham as paixões.
E o sol veio lhe presentear com energia em forma de luz.
E a chuva lhe enviou vida nas gotas das águas que cairam.
E o chão lhe ofertou os nutrientes que a tornaram ùnicamente bela.
 
O botão-menina agora é uma flor-mulher.
E o sol irá dourar seus cabelos
E a chuva a fará dançar e rodopiar na alegria de viver.
E o chão será o tapete de seu desfile nesta vida.
 
O amor que carrega em seu peito,
Terá o poder suave da eternidade,
A pureza de uma malícia adorável
Na magia de transmitir felicidade...
 
Por quem a veja, será admirada.
Mãos se estenderão na tentativa de colhê-la
E guarda-la do mundo, como joia preciosa.
Corações se apaixonarão, perdidamente.
Beija-flores  irão provar de seu mel.
Olhares se fixarão em sua beleza,
E o mundo será mais bonito, mais interessante,
Enquanto puder contar com sua presença.
 
Por destino, a flor um dia irá murchar,
Como também murcham as paixões.
E seu brilho irá se desvanecer, pouco a pouco.
O perfume que restará no ar,
Será frágil como os momentos guardados na memória.
 
Morrerá a flor. Ficará a mulher. Ficará o amor.
E este será eterno, enquanto existir a eternidade.
E estará guardado nas lembranças, nas esperanças,
Nos sonhos e desejos de todos nós,
No esparzir dos aromas, de cada nova flor que desabrochar.
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Angustia

Deito-me sobre o divã...
Preciso falar sobre as mágoas,
Que hoje em mim se acumulam
E enchem meus olhos de água.

A vida que tanto sonhei,
Passou... Sequer percebi.
Os dias que planejei,
Se foram e eu, não os vi.

Passou o tempo da infância,
Os anos de juventude,
Restou em mim a vontade:
Vivê-los na plenitude!

Vida que levo, me leve!
Ou deixe-me recomeçar...
Fique em mim o que aprendi,
Preciso, para não mais errar.

Deito-me sobre o divã...
É triste que seja assim.
Ou rasgo do peito essa angustia,
Ou ela se apossa de mim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Telas do futuro

E de repente, os versos brotaram do meu coração,
Avolumando-se como rios de euforia e felicidade.

Em altas cachoeiras cantavam a imensidão

De uma grande e refulgente paixão.

E às margens dos leitos de tanto querer,

Floresceram juras de amor eterno.

Promessas de uma vida a dois,

Mais fortes e consistentes que a própria vida.

E meus sonhos se tornaram únicos,

As cores passaram a me pertencer

E fiz refletir em telas o nosso futuro.

O sol passou a nascer mais cedo,

E a primavera se fez verão em mim.

Então, com sofreguidão, eu amava e amava...

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Quem sou.


Mas afinal, o que sou?
Sou apenas o que penso?
Ou tão somente o que pareço?
Sou o que pensam que seja?

Mas afinal, quem sou eu?
Sou o meio em que me incluo,
Ou serei o que possuo,
De tudo que se possa ter?

Afinal, o que represento?
O tanto que enfim conheço?
É muito mais que mereço
Do que possam pensar que eu sei...

Sou o pouco do quase nada,
Sou a poeira da estrada,
A teimosia em viver.

Sou pó, perante o universo,
Talvez seja só o inverso,
Do que sempre pensei em ser.

👁️ 336

Deixe


Deite-se aqui ao meu lado,
Deixe-me te cobrir de carícias...
Nesta última tentativa tôsca,
De mostrar minha paixão.

Se tudo o que construo,
Vem a vida e apaga,
Talvez o que tenhas de mágoa,
Possa enfim, ter razão.

O amor não é infinito,
E como bem disse Vinicius,
Só será, enquanto dure.

No rumo da eternidade,
Aqui deixarei, na verdade,
Todo sentimento que jure.

Sua alma, gêmea da minha...
Lado a lado, ambas caminham
Em uma mesma direção.
Mas como se leva a paixão?
E como eterniza-la
Se deixo meu coração?
👁️ 399

Dolência

Morria a tarde silente...
Nunca antes fora tão bela.
O sol refletia seus raios,
Nos sinos lá da capela.
 
Meus olhos fitavam o horizonte,
E viram na passarela,
O dia em que o amor
Passou pela minha janela.
 
Morria o sol no horizonte,
Na tarde que era tão bela.
Dobraram os sino dolentes,
Nas janelas da capela.
 
 
 
 
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Crescer

Não cite amor e felicidade

Quando na realidade

Fala de posse e egoísmo.

Me ama?

Ou precisa de mim,

Para ser feliz?

Servir às suas necessidades

Anula minha personalidade

E esvazia o que sou.

A infância passou...

Largue seu ursinho

E abrace o travesseiro...

Nele, moram sonhos reais,

Mas também renuncias e desilusões.

É vida fremente!!

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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào
2026-02-16

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào
2026-02-16

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.