Lista de Poemas
Fogo Escarlate
Um pequeno desfoque de luz desceu gentilmente
Quebrando o silêncio da melancolia
Caiu trazendo sua timidez
Àquele terreno frio e inóspito
Nem mesmo o luar chegava a iluminar
Ele se contia nas nuvens pesadas
Ventos cortantes ameaçaram a pequena luz bruxuleante
Mas ela continou a bailar, contida em si mesma
Aproximando do solo a nitidez se alcançou
A pequena pétala em chamas repousou sobre neve
Sob aquela noite tempestuosa
Descansou no branco que contrastava com os céus
Um beijo referenciando a morte
Ela se perderia noite afora, em forma de pó
Do vermelho ao cinza
Mas caminhos em brasa surgiram
Romperam a geada, queimaram a escuridão
Trazendo o fogo do viver, do sentir
Minha realidade se aqueceu
E assim, minha ruivinha, você incendiou meu ser
Bloqueio
Pessoas conectadas, afeição
Relações infundadas, porém
Pilastras que não se mantêm
E deste oculto vazio
O movimento vil
Outrora alguém aprazível
Agora, desprezível
Sensível
Invisível
Diluível
E por finalmente: Esquecível
Sapiência
Eu sei que sei
Mas se realmente tenho consiciência?
Jamais entenderei
Sopro?
Para quem diz que a vida é um sopro
Lhe aviso: Faltou mencionar todo o estorvo
Então mencionar o que há de belo?
Não vejo esse lado, talvez eu seja cego
Se é passageira? Não sei
Pouco vivi, falar sobre isso não ousarei
Mas se fosse para fazer uma melhor descrição
Diria que mais parece com um espirro de criança:
É cheia de secreção
Cinzas
Já não há a quem implorar
Ninguém virá salvar
Sofrimento incessante
Estou fritando minha mente
Destino inconsequente
Turbilhões de pensamentos
Memórias eu armargo
Ainda não estou morto, ainda tenho fardo
Se sinto algo, me sinto lisonjeado
Me queimo, me mutilo
Como um louco eu grito
Vejo minha própria imagem, esmurro
Me destruo
Rezar eu tentei
Escravo me tornei
E um dia, ao pó retornarei
Anicca
Proporções astronômicas já enaltecem
O quão ínfima é sua existência
Incisiva e mordaz
Sua cabeça se separa, decapitado
Na avenida escoa-se ácido
Estômago esmagado
Espalha-se todo o fluido putrefato
Há mais beleza neste rato
Que em teu sorriso forçado
CAMBIORGÂNICO
Estou acordado de verdade?
Ando desconexo com a realidade
[Marcha Ré]
[Marcha 1]
Verei minha vida se reduzir a zero
[Marcha 2]
Decadência desenfreada
Antes não haveria volta
Agora não haverá mais nada
A morte me escolta
[Marcha 4]
[Marcha 5]
[Inércia]
Orgãos em falência
[Ponto Morto]
Pseudo-soneto de uma pseudo-realidade
O que eu era?
Fico neste tormento
Sem saber o que me espera
Porque da vida não sei de nada
Apenas que algo me aguarda
Para que me assassine
E assim, com minha essência termine
Que a morte seja gentil
Que a transição venha sutil
Quando meu corpo já não tiver temperatura
Espero ter partido em ternura
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