Anicca
Proporções astronômicas já enaltecem
O quão ínfima é sua existência
Para quem diz que a vida é um sopro
Lhe aviso: Faltou mencionar todo o estorvo
Então mencionar o que há de belo?
Não vejo esse lado, talvez eu seja cego
Se é passageira? Não sei
Pouco vivi, falar sobre isso não ousarei
Mas se fosse para fazer uma melhor descrição
Diria que mais parece com um espirro de criança:
É cheia de secreção
Já não há a quem implorar
Ninguém virá salvar
Sofrimento incessante
Estou fritando minha mente
Destino inconsequente
Turbilhões de pensamentos
Memórias eu armargo
Ainda não estou morto, ainda tenho fardo
Se sinto algo, me sinto lisonjeado
Me queimo, me mutilo
Como um louco eu grito
Vejo minha própria imagem, esmurro
Me destruo
Rezar eu tentei
Escravo me tornei
E um dia, ao pó retornarei
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