AurelioAquino

AurelioAquino

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

1952-01-29 Parahyba
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Alguns Poemas

De terras de onde vier, quem virá?

das terras de onde não venho
nem o medo me acontece
pois tudo que me é outro
ainda assim me parece
como as luas que invento

e que se põem no meu tempo
 
das terras de onde não venho
melhor deixar-me alheio

que navegar nesse vau

de rios que me concedo
em que a correnteza nem teima
em lavar-me do meu medo
 
das terras de onde não venho
a poesia não medra

como o mel inconsumível

que brota de toda pedra
e que descompassa o coração
com a insistência da guerra
 
das terras de onde não venho
melhor fincar-se a bandeira
no espaço da consciência

em que drapeja a centelha
do tanto que seja o sonho
de tudo que não se queira
 
das terras de onde não venho
o outro me aconselha

a ver em tudo só terra

de uma mesma bandeira
que escorrega pela alma
e o coração incendeia
 
das terras de onde não venho
proceda meu coração

com a certeza do rumo

de um país temporão
que teima em ser usina
de fabricar solidão
 
das terras de onde não venho
tenha-se enfim a certeza

de que nem sempre me é estranho
o descaso da natureza

que meu peito teima em conceber
apesar de uma vã incerteza
 
II
 
outro

a terra

o bruto

grito e guerra

de tudo que não sou
e pedra
 
outro

eu
 incorre
e torna-se em mim
e morre
como se não estranhas fossem
a posse e a morte
 
outro

sou eu

e como eu divirjo
da consciência
que não outro
nem duvido
 
outro

sou eu

pelas calçadas

das ruas

em que me abraço
 
outro

sou eu

pelos destinos

em que nem caibo
 
outro

sou eu

pelo desuso
das almas
 
outro

sou eu

a tanto custo
pelo que
 sou eu

e luto.
 
III
 
das terras de onde venho
invento a compreensão

que outras terras dizem de todos
e tão assim servirão
que nas dobras do futuro
de uns e outros serão
 
as terras de onde venho
sempre em mim caberão
apesar de sobrarem fartas
na simples sem razão
de ser uma pátria só
quando todas já nem são
 
pois a pátria do homem
é sempre o coletivo

não a terra que lhe cabe
como espaço restrito
é antes a compreensão
de que as pátrias acabam
e só indicam a verdade
de que apenas habitam, no homem,
a carteira de identidade.
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
31/janeiro/2026
ademir domingos zanotelli *** Ademir O Poeta ***
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
13/janeiro/2026
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AurelioAquino
abraço
17/janeiro/2026
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
04/dezembro/2025
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AurelioAquino
abraço
17/janeiro/2026
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
04/dezembro/2025
Pinto
Abração !
27/fevereiro/2025
-
AurelioAquino
Honrado
16/janeiro/2024
-
AurelioAquino
Obrigado
16/janeiro/2024
ademir domingos zanotelli
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
08/setembro/2023
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landebomfim
aplausos muito introspectivo poema.
17/abril/2021
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AurelioAquino
obrigado, honrado.
24/junho/2021
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biancablauth25
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.
18/janeiro/2021

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