

AurelioAquino
Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.
1952-01-29 Parahyba
292791
12
31
De terras de onde vier, quem virá?
das terras de onde não venho
nem o medo me acontece
pois tudo que me é outro
ainda assim me parece
como as luas que invento
e que se põem no meu tempo
das terras de onde não venho
melhor deixar-me alheio
que navegar nesse vau
de rios que me concedo
em que a correnteza nem teima
em lavar-me do meu medo
das terras de onde não venho
a poesia não medra
como o mel inconsumível
que brota de toda pedra
e que descompassa o coração
com a insistência da guerra
das terras de onde não venho
melhor fincar-se a bandeira
no espaço da consciência
em que drapeja a centelha
do tanto que seja o sonho
de tudo que não se queira
das terras de onde não venho
o outro me aconselha
a ver em tudo só terra
de uma mesma bandeira
que escorrega pela alma
e o coração incendeia
das terras de onde não venho
proceda meu coração
com a certeza do rumo
de um país temporão
que teima em ser usina
de fabricar solidão
das terras de onde não venho
tenha-se enfim a certeza
de que nem sempre me é estranho
o descaso da natureza
que meu peito teima em conceber
apesar de uma vã incerteza
II
outro
a terra
o bruto
grito e guerra
de tudo que não sou
e pedra
outro
eu incorre
e torna-se em mim
e morre
como se não estranhas fossem
a posse e a morte
outro
sou eu
e como eu divirjo
da consciência
que não outro
nem duvido
outro
sou eu
pelas calçadas
das ruas
em que me abraço
outro
sou eu
pelos destinos
em que nem caibo
outro
sou eu
pelo desuso
das almas
outro
sou eu
a tanto custo
pelo que sou eu
e luto.
III
das terras de onde venho
invento a compreensão
que outras terras dizem de todos
e tão assim servirão
que nas dobras do futuro
de uns e outros serão
as terras de onde venho
sempre em mim caberão
apesar de sobrarem fartas
na simples sem razão
de ser uma pátria só
quando todas já nem são
pois a pátria do homem
é sempre o coletivo
não a terra que lhe cabe
como espaço restrito
é antes a compreensão
de que as pátrias acabam
e só indicam a verdade
de que apenas habitam, no homem,
a carteira de identidade.
nem o medo me acontece
pois tudo que me é outro
ainda assim me parece
como as luas que invento
e que se põem no meu tempo
das terras de onde não venho
melhor deixar-me alheio
que navegar nesse vau
de rios que me concedo
em que a correnteza nem teima
em lavar-me do meu medo
das terras de onde não venho
a poesia não medra
como o mel inconsumível
que brota de toda pedra
e que descompassa o coração
com a insistência da guerra
das terras de onde não venho
melhor fincar-se a bandeira
no espaço da consciência
em que drapeja a centelha
do tanto que seja o sonho
de tudo que não se queira
das terras de onde não venho
o outro me aconselha
a ver em tudo só terra
de uma mesma bandeira
que escorrega pela alma
e o coração incendeia
das terras de onde não venho
proceda meu coração
com a certeza do rumo
de um país temporão
que teima em ser usina
de fabricar solidão
das terras de onde não venho
tenha-se enfim a certeza
de que nem sempre me é estranho
o descaso da natureza
que meu peito teima em conceber
apesar de uma vã incerteza
II
outro
a terra
o bruto
grito e guerra
de tudo que não sou
e pedra
outro
eu incorre
e torna-se em mim
e morre
como se não estranhas fossem
a posse e a morte
outro
sou eu
e como eu divirjo
da consciência
que não outro
nem duvido
outro
sou eu
pelas calçadas
das ruas
em que me abraço
outro
sou eu
pelos destinos
em que nem caibo
outro
sou eu
pelo desuso
das almas
outro
sou eu
a tanto custo
pelo que sou eu
e luto.
III
das terras de onde venho
invento a compreensão
que outras terras dizem de todos
e tão assim servirão
que nas dobras do futuro
de uns e outros serão
as terras de onde venho
sempre em mim caberão
apesar de sobrarem fartas
na simples sem razão
de ser uma pátria só
quando todas já nem são
pois a pátria do homem
é sempre o coletivo
não a terra que lhe cabe
como espaço restrito
é antes a compreensão
de que as pátrias acabam
e só indicam a verdade
de que apenas habitam, no homem,
a carteira de identidade.
105
0
Mais como isto
Ver também
Escritas.org