O VENTO NÃO PERCEBE A BRISA

No começo tudo era lindo, o seu pai na calçada

O muro ruindo a três quadras da minha casa

O ônibus subindo e eu sempre atrasado

Quanto entrei afobado, meu mundo parou

 

E dando tudo certo, eu sempre quis você na minha vida

E ela aturdida te acenou na multidão

Quem sabe você me dê alguma pista

E encha então de paz o meu coração

 

No domingo sessão de cinema, eu sentado ao seu lado

A pipoca caindo, me deixando encabulado

Num gesto inusitado, apoiei o dedo em sua mão

Ela aninhou-se por baixo e um beijo selou

 

A herança que eu trago desse dia são duas maravilhas

É por elas que eu vou atravessar o turbilhão

Foi duro ter que abrir a porta da saída

Agora vou seguir sem direção

 

E se tudo der errado, saiba o vento não percebe a brisa

E ela, por sua vez, vencida, se perde no furacão

Quem sabe ainda exista uma fagulha viva

Mas, sei, choveu demais neste verão
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