Escritas

JULGAMENTO SEM DEFESA

analogomendes
" JULGAMENTO SEM DEFESA"

Senhor juiz confesso que não sei de nada.
Tudo que sei é que eu fiz! Nada.
Eu até conheci a malograda.
Mais as causas da morte eu sei nada.


Então o que é que o Senhor se lembra.

O sol brilhava durante a noite, nem a lua sabia dizer.
Os nossos olhos se cruzavam enquanto sua voz a cozer
Minha memórias meliandras sem saber.
O ópio de suas lágrimas a mal dizer.


Lembro que estava entre nós o sorriso o último na esfera da felicidade.
Pena que nem eu sabia que era o ultimato.
Sabia eu que éramos felizes e isso me fez insensato.
Ter que ver morrer aquela beldade.

Em meus olhos o lacrimogéneo tapa o sol das aventuras.
Em minha mente um homogéneo grito de perguntas.
Meu corpo inerte ainda procurando - a.
Nas agulhas dos abraços, nas vielas dos beijos.
No desfazer do Alentejo e Algarve sorrir.


Quando falou que partiria eu só queria abraçar, abraço longos.
Que o acompanhariam ao sepulcro  talvez.
Um longínquo querer que a fizesse ficar de vez.
Foi opcional a porta trancou, a sete chaves fechou o sorriso.


Confesso que não sou eu quem a matou.
Tão pouco quem permitiu que morresse.
Eu sou quem a amou.
E fiz um elogio fúnebre que aqui lesse.


Descansa em Paz nossa Paixão.
Porque se morreu num foi amor.
O amor é imortal.



Autor: Análogo
Inspiração : Passado
Data:04.06.2019