Escritas

Dualidade

ROSA ACASSIA LUIZARI
Vítima do algoz é o poema na gaveta.
Poeta cruel, tem em mãos a liberdade do significado.
Autoestima engavetada,
Evitemos o sofrimento da palavra.

Sente amor o poeta.
Poeta decepcionado, poema recuperado.

Poema dono de si
No livro da vida consagrado.
Sem dó, nem piedade
Do poeta desesperado.

Mas o poeta se supera, exala ingratidão
Aprisiona outro poema na escuridão.
Autoestima aprisionada,
Memória de amor engavetada.


Mas a Língua Portuguesa, extasiada,
Não se prende a nada
E adverte o poeta:
-Não conseguiu o que queria
Encontrei abrigo em outra caligrafia.

Poeta que nega o amor é calculista
Favorece o poema itinerante.
Compartilha morfologias, abre novas trilhas
Eterniza, a cada segundo, um novo instante.

LUIZARI, Rosa Acassia.In: Semeando o pólen da vida 2: Poesias - 1ª ed. Pedras de Fogo – PB.
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