E EROS ESPERA [MANOEL SERRÃO]
manoelserrao1234
Quão n’A boca carnosa virgem um terno beijo.
Tu que és por gênio – o desejo - fulgor incontido?
Ó não os dês! Não os dês, ó gloriosa, diva Musa.
Não os dês, pois, crua e pura teu deleite nua!
Ó não os dês, pois, não os dês aos maus sentidos,
Nem aos vis, doces tetas, os dês aninhos: ouvidos!
Não os dês aos maus ouvidos a quem te ama,
Infecta-se d’alma anóveas pelo fado da lama.
Ó vens tê-la gentil bela flor aos meus sonhos.
E diríeis a rir-se de si em leve áureas a cantar.
Que dia após dia, o vosso amor que me fias: é:
Ditoso sobejo encantado, elo da vossa bel prazer
Ó vens tê-la gentil bela aos versos que me crias.
Ó sem vês, há uma flecha amorosa no meu coração.
Há este amor que n’Ele há de tão pio na minha oração,
Há n’Ele há que s'espalha adejante na minha canção.
Ó quão feitos um para o outro e não vens pra sonhar!
Ou será tudo qu’eu nada sou aos olhos do vosso amor?
Ó vens! Se não vens ao meu circ’lo de fogo...
Sejais bem-vindo a vós mesmo amor!
Se a espelha rasa trincou... E Eros espera!...
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