SACRIFÍCIO

Os dedos das mãos feridos.

Nada de encenação,
apenas a dor como
forma de anestésico,

ou (por que a ingenuidade?)

antídoto
para os venenos misturados
às palavras
que ela me obrigava gentilmente
a aceitar, quando tocava
em meus lábios e dizia:

“não, a vida já não basta,

é necessário me ater
àquilo que é dado,
teus ossos, tuas vísceras

e o futuro que elas escondem”.
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