LONGA JORNADA NOITE ADENTRO

Cercada pelo
que desconhece,
devora
a própria língua,

aconchega-se
na pele da filha
morta,
na lembrança do dia
dentro da noite,
da noite
apenas noite.

Seus passos
são desproporcionais,
tremores do corpo
em colapso,
quase esquecido.

À medida que
anda, abriga em si,
sem tempo e remorso,
todas as memórias,

recolhe pedaços
de espelhos cravados
na carne,

os quais coloca,
cuidadosamente,
um a um,
sobre a mesa,
ao lado da comida.
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