O QUE EU QUERO
Tenho uma imagem de mim
Que se move, que se esconde
E que volta a surgir já diferente
Uma ideia ideal que tem vida própria
Que se aquece no Verão e recolhe no Inverno
Como se recolhe tantas vezes
A minha vontade com o frio e com o curto
Curtíssimo tamanho dos dias
Por vezes a imagem move-se mais devagar
Quando me concentro realmente nela
E consigo vislumbrar o que sou
E o que quero ser
Quando acontece, acontece sem data marcada
Como o seria com a passagem dos meses do ano
Mas em dados momentos e cada vez mais
Isto de me querer ver mais a fundo, ganha vida
E como toda a vida… creSCE
Todos os dias mudo
Sem alcançar a real amplitude das mudanças
E assim como não notamos
A passagem da infância quando somos crianças
De repente, notei que já não era
Como um vento que não vejo
Mas que súbitamente me tira o equilibrio
E me obriga a um gesto de protecção
Só que por mais abrigada que esteja
O vento passa na mesma
Tenho uma imagem de mim
Que mistura nas suas cores
Diferentes tonalidades
Conforme sinto e já senti
Tento firmá-la cá dentro
Numa tentativa sem fim
Para poder manipulá-la
Para transformar o esboço em obra bem feita
Tento,
Pois não pára quieta esta miragem
Que é viva
Sei onde quero chegar
Mas saber o “como” é inutil tentar
Perde-se o tempo e falha-se o momento
Por vezes consigo definir um traço
Uma forma, uma pequena parte
Que dá à musa na tela uma impressão diferente
Mais próxima do que quero
De mim própria
Entretanto vou vivendo
Sendo boa e má, fraca e forte
Corajosa e cobarde
Sendo humana,
Sentindo-me mais humana do que àqueles
A quem não conheço as falhas
Tentanto encontrar os tons certos
E dar-lhes a definição pretendida
E no dia em que morra...
(Óh Deus, já agora…uma morte bem morrida)
Poderei olhar a obra e sentir paz
Se a imagem na tela revelada
Mesmo que imperfeita
Ou inacabada
Me trouxer simplesmente
A realização de que fui fiel
Ao que senti que queria criar
Aquela que é
E que imagino que serei
Mas que seja de qualquer forma
E em qualquer formato
Verdadeiramente EU
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