Marginal

Sou marginal a contar os dias
no mundo das palavras tenho abrigos,
Rosa posta ao colo a exalar distâncias
Escrevo no escuro infindável e quente a contornar a carne improvável
Só possuo um único rosto que a saudade cobra
Contornos buscados à face, universos dissolvidos na necrologia ameaçadora da contínua erosão.
Tenho a escrita e a escrita é o corpo que tenho
Preciso resumir a minha inutilidade no mundo, tecer a raiz do anonimato
Um lugar meu na pátria dos vivos,
Um poema não mais à deriva,
Não mais um delírio exposto à própria solidão.
 
 
Charles Burck
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