À noite
Todos querem certezas, mas nem das estrelas se pode esperar o dia seguinte,
Às primeiras necessidades te chamo, quando eu não via as árvores, folhas pelo chão, nem as calçadas,
Os residentes são fachadas, só era possível ver as metades das faces
Os olhos deram um apagão total, a vida se assusta com a vida quando a vida se torna irreconhecível,
A geografia do quotidiano desaparece
Guiamo-nos tateando as placas sem nomes, as ruas sem nomes, as pessoas sem nomes
Os cruzamentos não são referências visíveis e para além de nós, para além destas paragens as estrelas se escondem, os céus consomem os néons, os sóbrios consomem os bares,
As cidades são perigosas no escuro, os samaritanos soturnos perdem a claridade,
Todos são suspeitos nas sombras
Regresso à noite, e por entre as esquinas perambulam todas as indefinições e incertezas, antecipadas angustias nas
terras dos mil arrependimentos, dos homens sitiados no purgatório recente,
Quando as luzes se acendem há mariposas em fugas, e eu ainda procuro por ti entre as estrelas...
Charles Burck
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