Estou nua
Sangro leite morno na pele cálida,
A crisalida não voa entre as pétalas, mas as flores crescem entre as borboletas nos olhos divinatórios dela
Da inquieta inocência transpassada,
a languidez da cabeleira, a tênue variação da tensão nas pontas dos pés, a dança excitada
Nem toda magreza amarga
De açúcar e corantes a carne pálida se entranha nas lisuras das garras.
O vermelho não sangra e a alma tece uma teia de azul em tons de rendas
A agulha não salva a veia,
Mas coração bombeia o puro sangue para fora da casa
Estou nua e sangro sempre, estou nua e amo sempre,
O peito em contato direto haverá de estar de frente ao teu
As ancas redondas e os joelhos quadrados,
Se articulam para proverem o leito,
Estou nua, deitada na banheira branca, está amanhecendo e eu virando manhã
Se quiseres amar de novo, deitarei as costas sobre a terra
Até que me cuides como semente e frutos,
Estou nua, como luz e elementos,
galhos e raízes, nua de tudo, toda tua
como a flor ao vento
Charles Burck
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