ANJOS DA GUARDA “DE LÁ E DE CÁ”

Aos meus queridos amigos
Na fonte de luz forjados
Quiseram os homens ser amados
Por outros homens como por vós
Presentes nos bons e maus momentos
Acompanhando, inspirando e acolhendo
Reconfortando e embalando
Ou para a acção exortando

E se por vezes não mais fazendo
Assim o é pois não os deixamos
E a solidão do leme abraçamos
Enquanto navegamos tormentos
Mas a vontade que respeitam é a nossa
A obrigação de a manifestar é nossa também
E quando por fim os acolhemos
Se rejubilam por aqui e muito além

E quando o vazio sentimos,
Não raras as vezes
Não é mais que a permissão
Que damos a nós mesmos
Para ir na corrente da dôr
Ignorando que a nós próprios
Primeiro devemos amor
Fechamos os olhos e não vemos
Que a companhia de quem refletimos no espelho
É de todas a melhor

Que assim o permitamos nós
Ainda que gozando a companhia dos outros
Mas sabendo sempre quem somos
E mais do que apenas acreditando
Na possibilidade da existência da luz
Possamos viver na certeza
Sentido, e apreciando a beleza

A cada dia também nós manifestando
E  os “pequenos” milagres observando
Abraçando a realidade de ter
Junto de nós quem não cobra
Não nos julga e bem conhece
Abrindo os sentidos e os corações
Às suas comunicações,
que muitas vezes se traduzem
Em poderosas percepções

Abracemos a realidade de ter
Quem em luz e amor nos envolve
Dando coragem para a acção ou embalo
E trazendo a cada alma o regalo
Que a inteligente energia nos dá
No extâse da comunhão
Fechemos nós a porta à divisão
Da natureza do nosso ser

Entretanto experimentando a dôr terrena
E a sua aceitação
Resilientes contúdo e sem penas
Com o auxílio dos seres naturais
Oriundos da luz e consciência
Para ela guiemos nossa expansão

E em desafio porque não
Tomarmos hoje a decisão
De sermos também nós
Anjos da guarda para alguém
Que mesmo sem saber como ou quem
Em nosso auxílio possa encontrar 
Aquilo que ainda não tem

Pode ser “pequena coisa”
Pois numa pequena oscilação
Um gesto retorna ao movimento
A quem já parou o coração

É que mais vale uma acção simples
De pureza enriquecida
Do que uma qualquer oração
Como ditado proferida
E por isso, sem substância
Oca e desguarnecida

Sofia Rocha Silva
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