Escritas

Desastre

Luíz Sommerville Junior
Morreu ontem
quando o relógio caiu ao chão
por culpa duma asa que se libertou do tempo
foi triste de ver
a maquinaria desfeita, peças desorientadas, estateladas
implorando por um minuto certo
naquele espaço sem consequência e sem acerto
quando o tempo se faz desastre
para onde vão os fragmentos da vida?
pedaços de gerações alinhados no guarda-roupas?
anos de tristezas e alegrias aprisionados numa caixinha de jóias?
dias memoráveis encaixotados num baú
e despachados no próximo trem de mercadorias?
ou todas as riquezas da alma vendidas numa qualquer Feira da Ladra?
ontem parou de vez, consequência duma peça defeituosa
soltou-se do pulso no qual marcava a cadência que o orientava ...
todo o tempo carece duma âncora ...


Luíz Sommerville Junior, 030820132343
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Comentários (1)

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Um poema fabuloso, repleto de emo&ccedil;&atilde;o e uma profunda sensibilidade. Parab&eacute;ns Poeta!<strong><span style="color: #ff0000;">S2</span></strong>