Escritas

Postal à pedra

Carolina Caetano

"O homem atravessado por um rio

plangia água salgada"


a pedra, e o trajeto enfiou-se nela

ingressando pelos dutos, temê-la

feito mar a dentro, temia

e os anchos dutos enfiados no trajeto

Esta nada sabe da vida, sendo pedra

daí até que nada eu saiba

há um passo

outro, e nunca eu soubera.

Agora que tu já me pareces tão grave

e o caminho enfiou-se em mim, temer-me

o caminho, feita eu mar, adentro.

O trajeto a mim e a pedra atravessara

isso que fazem as coisas, atravessam-nos

e plangem-se os mesmos objetos

ingressados ao colo.

Ainda a pedra irrefutável, ou era gente,

pode estar o mundo a continuar girando.

Vê o mundo, traz os olhos, vê aqui

o mundo, trouxe-o a ti, nalgum que me esqueço

pedaço do corpo

mas vê, aqui, a ti e ao mundo, traz os olhos

nalgum pedaço do meu corpo.