Quarta-feira: Kairós
marilialopes
Quarta-feira: Kairós*
Chove abruptamente: Kairós.
Além, Lisboa que deixo em transe,
como se a perdesse de vista,
e alguém dissesse “que descanse.”
Revolvo-lhe os cabelos brancos,
luzes revoltas em abismo
do antigo tempo que a refez
erguer-se dos escombros, do sismo.
Despeço-me, já embarcada,
dos murmúrios todos do cais,
onde atracou um amor breve.
Hoje, levantou vela quem o teve:
vento que subitamente apita
ali, já distante, no mar,
onde nenhum coração grita,
enquanto houver paz e um Lugar.
Chove abruptamente: Kairós.
Além, Lisboa que deixo em transe,
como se a perdesse de vista,
e alguém dissesse “que descanse.”
Revolvo-lhe os cabelos brancos,
luzes revoltas em abismo
do antigo tempo que a refez
erguer-se dos escombros, do sismo.
Despeço-me, já embarcada,
dos murmúrios todos do cais,
onde atracou um amor breve.
Hoje, levantou vela quem o teve:
vento que subitamente apita
ali, já distante, no mar,
onde nenhum coração grita,
enquanto houver paz e um Lugar.
*Em grego: καιρός, "o momento oportuno", "certo" ou "supremo".
Marília Miranda lopes
Português
English
Español